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Pesquisa desenvolve membranas com potencial no tratamento do câncer de pele

Estudo conduzido por doutoranda da Unit investiga uso da rosa de bengala em terapias inovadoras e ganha projeção internacional com etapa em Dublin

às 20h23
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O câncer de pele é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e, em casos mais graves, pode levar a complicações severas e até à morte. O desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e menos agressivos se torna essencial, especialmente aqueles capazes de atuar diretamente sobre as células tumorais. Pensando nisso, a doutoranda Victória Louise Santana, do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde da Universidade Tiradentes (PBS-Unit), desenvolve uma pesquisa voltada à produção de membranas multicamadas contendo rosa de bengala, com potencial para atuar diretamente no combate às células tumorais. 

A relevância do tema foi determinante para que a pesquisadora ampliasse seus estudos em âmbito internacional, por meio de um doutorado sanduíche na Irlanda. A oportunidade surgiu a partir de um processo seletivo interno da pós-graduação da Unit, que oferece bolsas para experiências no exterior. Victória foi aprovada e, em conjunto com seu orientador, escolheu a cidade de Dublin como destino para aprofundar seus estudos. Desde outubro de 2025, ela realiza parte da pesquisa na University College Dublin, onde permanece por nove meses, com retorno previsto para o Brasil em junho de 2026.

Nova etapa

Durante o período no exterior, a pesquisadora tem dado continuidade ao trabalho iniciado no Brasil, agora com acesso a novas tecnologias e abordagens.  “Durante esse período em Dublin, estou realizando a caracterização das membranas e realizando os testes in vitro, com células tumorais. O trabalho que desenvolvo aqui faz parte do meu doutorado, portanto representa uma continuidade da pesquisa, agora com a realização de novas análises, o uso de novos equipamentos e diferentes perspectivas que contribuem para a ampliação do estudo”, afirma.

As metodologias adotadas envolvem técnicas de caracterização físico-química das membranas, além de testes laboratoriais para avaliar tanto a toxicidade quanto a eficácia do material no combate às células cancerígenas. Esse conjunto de abordagens contribui para uma compreensão mais aprofundada do potencial terapêutico da proposta desenvolvida.

Na prática, essa etapa permite analisar como essas membranas se comportam em nível estrutural e funcional, verificando aspectos como resistência, estabilidade e a forma como interagem com o meio biológico. Já os testes in vitro, realizados com células tumorais em ambiente controlado, são fundamentais para identificar se o material apresenta efeitos tóxicos indesejados ou se consegue, de fato, atuar de maneira eficaz contra as células cancerígenas. Esses resultados são essenciais para garantir segurança e embasar o avanço da pesquisa para fases mais complexas.

A convivência acadêmica em outro país tem proporcionado trocas significativas de conhecimento e aperfeiçoamento técnico. “O contato com professores e pesquisadores tem permitido a ampliação dos meus conhecimentos sobre metodologias, equipamentos e experimentos. As discussões têm sido enriquecedoras e têm proporcionado aprimoramento tanto na escrita da tese quanto nos experimentos realizados”, destaca.

Resultados iniciais

Até o momento, os resultados obtidos são considerados promissores e indicam avanços importantes para as próximas etapas do estudo. “As membranas não foram irritantes e demonstraram propriedades mecânicas satisfatórias, além de resultados promissores nos estudos de farmacocinética e biodistribuição”, afirma Victória.

Com a conclusão do doutorado sanduíche, os próximos passos incluem a finalização das caracterizações e o avanço para testes in vivo, etapa fundamental para validar a eficácia do tratamento em organismos vivos. A expectativa, a longo prazo, é dar continuidade ao estudo até chegar à fase de testes em humanos.

Para além dos resultados científicos, a experiência também fortalece o próprio programa de pós-graduação da Unit. “Essa experiência me permitiu criar conexões com outros pesquisadores, ampliar meus conhecimentos sobre a minha pesquisa e crescer pessoalmente. Para o programa, ela contribui para dar mais visibilidade à Universidade Tiradentes e ao PBS, além de atrair novos estudantes e fortalecer parcerias acadêmicas”, conclui.

Caso os resultados continuem avançando de forma positiva nas próximas etapas, a proposta pode representar um novo caminho para o tratamento do câncer de pele, com aplicações mais direcionadas e potencialmente menos agressivas ao organismo. Na prática, o uso dessas membranas pode permitir que o composto atue diretamente na região afetada, aumentando a eficácia do tratamento e reduzindo impactos em células saudáveis. A expectativa é que, após a validação em testes in vivo e, posteriormente, em estudos com humanos, a tecnologia possa contribuir para o desenvolvimento de terapias mais seguras e eficientes, ampliando as possibilidades de cuidado para pacientes.

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