O gosto pela Medicina e a sede pelo conhecimento foram os caminhos que levaram o médico sergipano Philippe Mota Coutinho da Silva à especialização em uma das áreas mais complexas e cautelosas no tratamento com os pacientes: a de transplante de medula óssea. Egresso formado pela Turma 4 de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit), onde estudou entre 2013 e 2018, ele fez duas residências seguidas na Escola Paulista de Medicina (EPM), ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e uma terceira no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Phillippe conta que escolheu fazer Medicina por se inspirar no exemplo de sua irmã, Priscilla Mota Coutinho, que foi aluna da primeira turma e se especializou em Ginecologia e Obstetrícia; e também no irmão de criação, o endocrinologista Leonardo Figueiredo de Souza, que passou pela Turma 3 e hoje é professor do mesmo curso em que estudou. “Eu estudei bastante na época de escola e acho que sempre tive uma afinidade muito grande com a parte de exatas, pois gostava muito de matemática e física. Durante um tempo, pensei em fazer Engenharia, mas acho que eu escolhi Medicina muito por conta da inspiração que eu tive com minha irmã, a quem eu tenho como um grande exemplo na minha vida. Nunca tive muito contato com medicina, até ela entrar no curso. Hoje, eu não me arrependo nem um pouco. Sei que fiz a coisa certa e me identifico com o que faço”, diz.
A sequência permitiu que os três irmãos vivenciassem juntos o dia-a-dia do curso e dividissem as mesmas experiências, mesmo sendo de turmas diferentes. “Foi uma coisa muito enriquecedora e bastante interessante do ponto de vista de vivência, participando do dia a dia logo no início da faculdade. A gente passou por muita coisa nova, pois a faculdade ainda estava se desenvolvendo, e tínhamos essas discussões”, lembra Philippe, citando também as amizades que fizeram entre uma aula e outra. “Os melhores amigos que eu tenho hoje foram os que eu conquistei durante o curso. Apesar de cada um tomar seu caminho depois, a gente ainda tem contato diariamente e não só da parte profissional, mas também da parte pessoal e nas discussões de casos. Isso enriquece muito a nossa prática no dia a dia e a amizade que a gente cultiva no decorrer do tempo”, acrescentou.
A formação em São Paulo
Ainda em 2018, em meio à reta final do curso e à produção de seu Trabalho de Conclusão (TCC), Philippe decide se candidatar aos programas de residência. Ele chegou a fazer provas de seleção para outras instituições de saúde em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, mas a Unifesp era o seu maior objetivo. Conquistado com sucesso, pois ele foi aprovado para a Residência de Clínica Médica e começou a fazê-la no início de 2019, poucos meses depois da formatura.
“Era o que eu mais queria, um grande objetivo para mim. A Unifesp é um hospital-escola, uma universidade federal, um centro para clínica médica e com certeza uma das melhores residências do país. Claro, teve muito esforço envolvido, mas agradeço a Deus pela oportunidade que eu tive de passar e tenho certeza que eu fiz o máximo de mim para conseguir reter o máximo de informação lá. A experiência que eu tive na Unifesp como residência foi, sem dúvida, espetacular”, afirma, lembrando que, assim como na Unit, fez muitos amigos entre os colegas de residência. E conheceu a também médica Renata Santos, com quem é casado desde fevereiro de 2021.
No mesmo ano, o egresso da Unit fez uma segunda residência, em Hematologia e Hemoterapia, área responsável pelo tratamento das doenças que afetam o sangue. Ele conta que decidiu seguir a especialidade após passar pelo rodízio de Hematologia, ainda na primeira residência. “Eu me encantei, sem dúvida, e me senti super bem acolhido, como parte daquilo. Hoje em dia, a gente tem grandes avanços na medicina como um todo, mas na parte de hematologia a gente vê que esses avanços se tornam comuns, com vários tratamentos novos disponíveis no dia-a-dia, vários estudos sendo lançados… A gente tem que sempre lutar para se manter atualizado com tudo isso que vem acontecendo na saúde como um todo. Isso é uma coisa que me deixa fascinado na hematologia”, considerou.
O interesse também lhe deu gás para “emendar” as residências. Para ele, isso se deu pela decisão de “acumular o máximo de conhecimento o quanto antes, aproveitando a oportunidade” que estava tendo em São Paulo. “Sempre acreditei que, no momento que eu parasse de estudar e tentar me especializar ao máximo, eu ia perder um pouco do gás, e da facilidade que eu tinha naquele momento”, justificou Philippe. A dedicação lhe valeu o convite para assumir a preceptoria da disciplina de Hematologia e Hemoterapia na EPM/Unifesp, onde acompanhava o aprendizado prático dos residentes.
Superando a dúvida
Ao término da segunda residência, e durante a preceptoria, o sergipano passou por um instante de dúvida, sobre qual especialidade seguiria e se voltaria ou não para Aracaju. “Na verdade, eu pensava até em passar um tempo fora do país, estudando alguma coisa e tentando me especializar o máximo para eu poder ser útil aqui quando voltar. Sempre tive essa vontade de poder ajudar. Então, foi um ano de autoconhecimento e de tentativa de compreender qual era meu próximo passo”, frisou ele. A resposta veio com a escolha pela terceira residência: uma especialização em Transplante de Medula Óssea, no Sírio-Libanês, com direito a um mês de estágio no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York (Estados Unidos), uma das mais antigas instituições do mundo no ramo de tratamento e pesquisa contra o câncer.
E com o fim da especialização, Philippe decidiu voltar. Desde abril de 2025, ele atua como hematologista em dois dos principais hospitais sergipanos. o Hospital São Lucas, da Rede D’Or, que realiza transplantes de medula óssea; e o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), principal unidade de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). O médico conta que sempre gostou de “ter um pé em cada ramo” de atendimento. “A minha formação foi quase toda no SUS, um ambiente que eu me sinto à vontade e onde vejo que a gente consegue ajudar bastante a população, mas no particular, às vezes a gente consegue fazer coisas que o SUS não proporciona. E no São Lucas, eu consegui pôr em prática aquilo no que eu me especializei em São Paulo”, disse.
Hoje, morando em Aracaju com a esposa e o filho pequeno, Philippe já serve de inspiração para a formação do quarto médico da família: o irmão mais novo, Leandro Mota Coutinho, que faz o décimo período de Medicina na Unit e deve se formar no ano que vem. Assim como ele, o hematologista quer ajudar a inspirar e formar outros profissionais médicos, ingressando futuramente no mestrado e no doutorado. “Fico muito feliz no lugar onde eu estou agora, mas ainda desejo muita coisa para minha carreira. Da mesma forma que eu sempre quis voltar para Aracaju e trazer o que eu aprendi, contribuir com as pessoas, eu também sempre quis retribuir, participando da formação de novos médicos”, afirma Philippe, rendendo gratidão à Unit por sua contribuição na sua trajetória profissional.
“Acho que a Unit foi muito importante para mim. Foi onde eu me encontrei como médico, foi onde a minha jornada nada começou e que de lá para cá muita coisa aconteceu na minha vida. Onde eu fui parar, as pessoas que eu conheci, que hoje tenho esposa e filho… Tudo isso por conta da minha trajetória inicial na Unit. Então, sou eternamente grato e fico à disposição para ajudar e retribuir”, concluiu.
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