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Pesquisa avalia impacto de exercícios na autonomia de idosos

Estudo desenvolvido por estudante de Educação Física aponta melhora na independência funcional após 16 semanas de treino estruturado

às 20h32
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Levantar da cadeira sem apoio, caminhar com segurança dentro de casa ou até vestir uma camiseta sem dificuldade são movimentos simples, mas que fazem toda a diferença na vida de uma pessoa idosa. Quando essas ações começam a exigir mais esforço ou deixam de ser realizadas com autonomia, o impacto vai além do físico e atinge diretamente a independência e a qualidade de vida.

Diante da necessidade de entender melhor os impactos desse processo no corpo, a estudante de Educação Física da Universidade Tiradentes (Unit), Victória Abreu, desenvolveu uma pesquisa dentro da iniciação científica para investigar como um programa estruturado de exercícios pode impactar a autonomia funcional de pessoas idosas. O estudo foi realizado entre junho de 2024 e maio de 2025, com orientação dos professores doutores Estélio Dantas e Lúcio Costa, integrando o projeto Masterfitts e com atividades vinculadas ao Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH).

“O envelhecimento populacional é um fenômeno crescente em todo o mundo, com impactos sociais e econômicos significativos. O processo natural de envelhecimento envolve mudanças biológicas que afetam diversos sistemas do corpo. Essas mudanças prejudicam a capacidade funcional, dificultando atividades diárias e aumentando o risco de quedas e outras complicações. Por isso, a prática regular de exercícios físicos surge como uma das principais estratégias para promover a saúde e preservar a autonomia funcional”, explica Vitória.

Como o estudo foi feito

A pesquisa teve como objetivo avaliar a autonomia funcional de idosos participantes de um programa planificado de exercícios físicos com duração de 16 semanas, ou seja, um plano estruturado, com organização de frequência, intensidade e tipo de treino, voltado para resultados seguros e consistentes. Os 149 participantes foram recrutados em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de bairros de Aracaju. Inicialmente, foi realizada uma anamnese para traçar o perfil dos voluntários. A maioria tinha entre 60 e 69 anos e renda de até dois salários mínimos.

Para medir a autonomia funcional, foi utilizado o protocolo do Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para Maturidade (GDLAM), que inclui testes como caminhada de 10 metros, levantar da posição sentada, levantar do chão, vestir e tirar camiseta e locomoção dentro de casa. Após a avaliação inicial, os idosos passaram a treinar duas vezes por semana na academia da Unit, com foco em exercícios de força.

Resultados e impactos

De acordo com Victória, os resultados indicaram avanços importantes ao longo do programa. “Observamos que, ao comparar os momentos antes, durante e após a intervenção, houve melhora significativa no desempenho dos participantes em praticamente todos os testes. Eles ficaram mais rápidos ao caminhar, levantar da cadeira, se locomover pela casa e até ao vestir e tirar a camiseta, além de apresentarem melhora no índice geral de autonomia funcional”, destaca.

Os dados também mostraram evolução contínua ao longo do tempo. “Mesmo comparando o período durante e após a intervenção, ainda houve melhora em alguns testes, o que reforça a eficácia do programa. A prática de exercícios resistidos promove efeitos significativos na autonomia funcional, contribuindo para a independência nas atividades diárias e melhor qualidade de vida. O projeto melhorou a autonomia, a independência e a qualidade de vida dos idosos envolvidos, mostrando que o exercício regular é fundamental para evitar incapacidades funcionais”, ressalta.

Orientado pelos professores doutores Estélio Dantas e Lúcio Costa, este último também coordenador do projeto e integrante do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Unit, o estudo reforça a importância da integração entre ensino, pesquisa e comunidade. “O estudo contribuiu para minha formação cidadã e profissional, ampliando minha atuação social e técnica em benefício da população idosa”, afirma. Com interesse em seguir carreira acadêmica, ela já projeta os próximos passos. “A expectativa é publicar artigos científicos e expandir iniciativas que promovam o envelhecimento ativo nas comunidades”, conclui.

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