A 20ª Semana de Extensão (Semex) da Universidade Tiradentes (Unit) foi iniciada na noite desta segunda-feira, 27, mas já começa consolidada como uma das maiores e mais participativas edições da história do evento. Ela conta com um total de 1.317 inscritos, 84 trabalhos acadêmicos submetidos e uma programação com cerca de 100 atividades, entre palestras, mesas-redondas, oficinas, apresentações culturais e cerca de 35 minicursos, que se estenderão até a próxima quinta-feira, 30, em praticamente todo o Campus Farolândia. São os maiores números alcançados desde a criação da Semana, em 2006.
O balanço foi considerado positivo pelo coordenador de Extensão da Unit, Geraldo Calazans, que destacou a ideia de inovação e novos formatos para esta edição do evento. “A gente quis sair do tradicional, inovar, fazer algo diferente. Buscamos fazer algo do tipo ‘Campus Party’ e criamos uma estrutura no Minishopping com três minipalcos, um palco e outras atividades que acontecerão ao mesmo tempo, em simultâneo às apresentações de trabalhos. Tudo isso para oferecermos a proposta de interação, de movimento e de novidade. Eu creio que os alunos e a própria comunidade entenderam a proposta, que foi muito bem usada, e constatamos isso pelo sucesso no número de inscrições. Vai ser algo bem interessante e que a gente só espera ampliar nos próximos anos”, disse ele.
Esta proposta também se reflete no tema escolhido para a 20ª Semex: “Ciência, cidadania e comunidade gerando transformação social”. Para o coordenador, a amplidão do tema permite muitas e diversas discussões relacionadas a projetos de extensão universitária e a seus pilares, desde a concepção até a publicação deles em livros e trabalhos científicos. “Tudo que a gente faz em extensão é pensando em ciência, em cidadania e nas comunidades, objetivando sempre a transformação social. Esse é um tema amplo para dar oportunidade aos professores, palestrantes e alunos para criarem coisas diferentes e desenvolverem várias atividades durante o evento”, resume Calazans.
Para o pró-reitor de Graduação e Extensão, professor Ronaldo Linhares, a Semex é “um movimento de encontros”, no qual a universidade traz para a comunidade acadêmica os resultados das experiências nas comunidades de vários bairros e povoados da capital e do interior. O destaque é para o bairro Farolândia, no qual estudantes e professores da Unit desenvolvem, ao longo do primeiro semestre deste ano, 44 projetos de extensão em parceria com a Prefeitura de Aracaju, dentro do programa “Conecta Farolândia”. “Este é um espaço de encontros de alunos e professores que construíram intervenções, desenvolveram intervenções em escolas, em hospitais e em clínicas, e que trazem para cá essas experiências. É um espaço muito rico e que materializa a proposta da semana, que é cidadania, envolvimento, participação e construção coletiva”, definiu.
Projetos consolidados
Ainda de acordo com Linhares, o evento também marca uma consolidação constante e cada vez maior das políticas e atividades de extensão desenvolvidas na Unit. “Desde os seus movimentos como faculdade, a Unit adota a extensão como uma prática consistente e permanente no seu cotidiano e na formação dos alunos. Quando se transforma em universidade, aquilo que era uma obrigação já era feito com prazer, com cuidado e com atenção pelos professores e gestores das faculdades. Comemorar 20 anos é fechar com chave de ouro essas primeiras duas décadas em que a universidade adota a prática extensionista e a extensão não só como uma obrigação legal, mas como uma condição de formação de cidadania”, afirmou.
Ele citou como exemplos dois projetos de extensão que estão ativos há mais de 30 anos: o Reformatório Penal, criado em 1995 junto ao curso de Direito, e o Paimi (Programa de Assistência Integral à Melhor Idade), ligado aos cursos da área de Saúde e existente desde 1997. Estes, inclusive, foram homenageados durante a solenidade oficial de abertura da Semex, com placas de reconhecimento entregues a seus respectivos orientadores: o professor Ronaldo Marinho e a professora Zulnara Mendonça Mota.
A institucionalização da extensão e de seus programas na Unit foi um dos aspectos que mais chamaram a atenção da professora Sílvia de Barros Alcanfor, consultora da Sabre Educação e ex-pró-reitora acadêmica da Universidade Católica de Brasília (UCB), em Brasília (DF). Com 34 anos de experiência no ensino superior brasileiro, ela ministrou a palestra de abertura da Semex, com o tema “Ciência, cidadania e comunidade gerando transformação social”, na qual discutiu o alcance e o impacto social da extensão universitária no Brasil, a partir da forma como os projetos vêm sendo realizados e do recente processo de curricularização, através do qual o Ministério da Educação determinou, em 2019, a destinação mínima obrigatória de 10% da carga horária total dos cursos de graduação para atividades extensionistas.
“Eu, particularmente, estou impressionada no sentido obviamente positivo com a forma como a Unit vem trabalhando. Tem vários projetos de extensão que são institucionalizados e não é de hoje. Isso mostra o compromisso que a Unit tem com a sociedade e é muito interessante. E eu vim trazer uma reflexão: será que nós, como universidades brasileiras, estamos hoje atendendo a sociedade do jeito que ela precisa? Ou fazendo extensão como se fazia nos anos 1960? Será que estamos ouvindo a sociedade para poder propor soluções e transformar a sociedade? Não é só resolver um problema ou atender a sociedade no sentido pontual, mas sim de proporcionar a ela uma transformação”, provocou Silvia, em sua segunda visita à Unit.
Projetos reconhecidos
A solenidade também foi marcada pela entrega do 2º Prêmio Professor Almir Santana de Extensão Universitária, instituído em 2025 pela Unit em homenagem ao professor e médico sanitarista Almir Santana, do curso de Medicina. O prêmio reconheceu três projetos de extensão que se destacaram dentre os apresentados nos 84 trabalhos submetidos à Semex, em modalidade short paper. Além de reconhecer a qualidade acadêmica, ele também levou em conta o impacto social, a inovação e a consistência das ações desenvolvidas em cada projeto de extensão.
O trabalho vencedor do Prêmio Almir Santana foi “Projeto Reformatório Penal: acesso à justiça, garantias dos direitos humanos e atuação na execução penal da população carcerária do Estado de Sergipe”, produzido pelos estudantes Guilherme Oliveira Gonçalves e Raíza Oliveira Mesquita, ambos do curso de Direito, sob orientação do professor Ronaldo Alves Marinho. Raíza conta que ela e Guilherme foram estagiários do Reformatório Penal por um ano e, ao concluírem o estágio, acharam neste trabalho uma maneira de partilhar as lições que vivenciaram durante as atividades do projeto nos presídios sergipanos.
“Tanto a experiência de aprender era incrível e maravilhosa, quanto a sensação de poder fazer a diferença na vida das pessoas. A gente tinha uma bagagem muito boa e a gente decidiu que não deveria ficar só na memória, que a gente poderia repassar e demonstrar para outras pessoas o que era fazer parte do projeto Reformatório e tudo que a gente vivenciava durante o dia. Era uma experiência de muita troca com os assistidos, que são pessoas em vulnerabilidade social. A gente consegue fazer a diferença na vida deles e auxiliar seja em processo ou apenas em poder ouvi-los, porque às vezes é o que muitos deles precisam”, afirmou Raíza.
Além do trabalho sobre o Reformatório Penal, outros dois projetos também receberam menções honrosas em suas respectivas áreas. Na de “Economia criativa, mercado e gestão”, o trabalho escolhido foi “Semeando o futuro: aprimoramento do empreendedorismo em comunidades vulneráveis”, dos alunos Erik Rafael Nascimento Alves, Stefane Wiliane Silva Passos, Isabelle Silva Araujo, Maria Eduarda dos Santos Silva e Yasmin Mirelle Sales da Rocha, com orientação da professora Fernanda Oliveira Santos. Já na de “Bem-estar social e educação em saúde”, a vitória foi do projeto “Pod Escuta Odonto”, das alunas Bianca Araújo Nascimento, Alicia Silva da Cruz, Liliane Lúcio Martins e José Eduardo Perciano dos Santos, com orientação da professora Isabela de Avelar Brandão Macedo.
Houve ainda o anúncio dos 15 trabalhos de extensão que terão seus trabalhos publicados em artigos nas revistas científicas Cadernos de Graduação, nas áreas de Biológicas e da Saúde e de Humanas e Sociais, ambas editadas pela Editora Universitária Tiradentes (Edunit). A lista foi apresentada pela professora Cristiane de Magalhães Porto, diretora da Edunit e docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED). As edições deverão ser publicadas ainda neste ano.
Programação
As cerca de 100 atividades, entre palestras, mesas-redondas, oficinas, apresentações culturais e cerca de 35 minicursos, acontecem ao longo da semana, entre 8h e 22h, até a próxima quinta-feira, 30, em praticamente todas as dependências do Campus Farolândia. Haverá ainda estandes montados no Minisshopping pelos principais núcleos e projetos de extensão, a exemplo do Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF), que também prestará atendimentos ao público interno e externo.
Toda a programação completa pode ser conferida aqui.
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