Entre o atendimento direto ao paciente, a formação de novos profissionais e as instâncias que regulam o exercício da Fisioterapia no país, há um campo de decisões que exige preparo técnico, leitura crítica da profissão e compromisso ético permanente. Circular por esses diferentes espaços não é fácil, e menos ainda fazê-lo de forma contínua e articulada.
É nesse intervalo entre a prática cotidiana e a construção institucional da área que se insere a carreira de Maurício Poderoso, egresso da Universidade Tiradentes (Unit), mestre em Ciências da Saúde, especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica Funcional e em Osteopatia, com formação internacional, além de atuação como conselheiro no Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) e no Conselho Regional de Sergipe (CREFITO 17).
O ingresso na Fisioterapia não foi resultado de um planejamento antecipado. Maurício relata que a escolha ocorreu em 1999, praticamente no limite do período de inscrição para o vestibular, em um momento em que a profissão ainda tinha pouca visibilidade no Brasil e não despertava grande interesse social. “Hoje, olhando para trás, acredito sinceramente que fui inspirado por Deus nessa decisão. A Fisioterapia se revelou muito mais do que uma profissão; tornou-se um propósito. Tenho plena convicção de que não seria tão feliz, nem tão realizado, se tivesse escolhido outro caminho profissional”, conta.
Formação e ampliação do olhar clínico
A graduação na Universidade Tiradentes é apontada como um dos pilares dessa trajetória. Maurício explica que a formação recebida ofereceu uma base sólida tanto do ponto de vista técnico quanto ético, elementos que considera indissociáveis na atuação em saúde. Além do conteúdo acadêmico, ele destaca que a vivência universitária contribuiu para seu amadurecimento pessoal. “Tive professores que me inspiraram ao longo da jornada acadêmica, profissionais que foram referência não apenas pelo conhecimento técnico, mas pela postura, ética e amor pela docência influências que carrego comigo até hoje na prática clínica e na sala de aula”, ressalta Maurício.
O interesse pela Fisioterapia Traumato-Ortopédica surgiu ainda durante a graduação, impulsionado pela observação do raciocínio clínico adotado por docentes que atuavam na área. “A forma como eles conduziam o raciocínio clínico, a prática e o cuidado com o paciente despertou em mim o desejo de seguir por esse caminho. Esse interesse se consolidou, de fato, durante as práticas supervisionadas, quando pude vivenciar a aplicação do conhecimento na realidade clínica”, relembra.
A osteopatia entrou nesse percurso como uma resposta a essa demanda. Maurício afirma que a busca por uma compreensão mais integrada do corpo humano ampliou sua atuação clínica e complementou sua prática na área traumato-ortopédica.
Para Maurício, a atualização permanente é uma exigência da área da saúde. “O corpo humano, a ciência e as formas de cuidado estão sempre avançando. Investir em especializações, inclusive internacionais, foi uma forma de ampliar minha visão, aprimorar a prática clínica e oferecer um atendimento cada vez mais qualificado, ético e baseado em evidências”, orienta.
A formação em Osteopatia pela Escola de Osteopatia de Madri é apontada como um marco nesse processo. “Ela ampliou profundamente minha visão sobre o cuidado em saúde, reforçando a importância de enxergar o paciente de forma global, considerando aspectos físicos, funcionais e até emocionais. Essa formação refinou meu raciocínio clínico, minha escuta e minha capacidade de individualizar o tratamento”, conta.
Pesquisa, docência e prática
O mestrado em Ciências da Saúde fortaleceu a relação de Maurício com a pesquisa científica e com a prática baseada em evidências. “Ele me ensinou a questionar, analisar criticamente estudos e aplicar o conhecimento científico de forma prática e responsável na clínica e no ensino. Isso também influenciou diretamente minha atuação como professor, estimulando o pensamento crítico nos alunos”, compartilha. Na docência, Maurício busca integrar teoria, pesquisa e prática clínica, entendendo que a formação de fisioterapeutas mais preparados passa, necessariamente, por esse diálogo entre ciência e realidade profissional.
Já a passagem pelo COFFITO e pelo CREFITO 17 ampliou sua compreensão sobre a Fisioterapia enquanto profissão regulamentada. “Essa experiência me permitiu compreender a profissão para além da prática clínica, ampliando minha visão sobre os aspectos éticos, políticos e institucionais que sustentam nossa atuação. Ele destaca o fato de ter sido o primeiro sergipano a ocupar o cargo de conselheiro efetivo no COFFITO, função exercida entre 2020 e 2024. “Essa vivência contribuiu significativamente para meu crescimento profissional, para minha maturidade institucional e para uma compreensão mais ampla do papel do fisioterapeuta na sociedade”, elenca.
Atualmente, Maurício concilia a prática clínica, a docência e a gestão acadêmica como sócio-administrador, diretor acadêmico e responsável técnico do Instituto HIB. “Conciliar essas funções é desafiador, mas extremamente gratificante. A prática clínica mantém meus pés no chão e minha conexão com a realidade do paciente. A formação de novos profissionais alimenta meu propósito como educador. Já a gestão acadêmica exige organização, visão estratégica e liderança. Busco equilibrar tudo isso com planejamento, equipe qualificada e, principalmente, com paixão pelo que faço”, ressalta.
Ao revisitar sua própria formação, Maurício afirma que muitos aprendizados fundamentais surgiram ainda na graduação. “Aprendi na graduação a importância da base bem construída, do estudo contínuo e da postura profissional. Também aprendi o valor do trabalho em equipe e da humildade para reconhecer que sempre há algo novo a aprender. Esses ensinamentos seguem presentes na minha atuação diária”, diz.
Por fim, Maurício reforça que o olhar humano deve permanecer no centro da prática profissional. Para ele, é essa combinação entre conhecimento técnico, ética e sensibilidade que sustenta uma atuação consistente na Fisioterapia. “Meu conselho é, aproveitem a graduação ao máximo, estudem com profundidade, sejam curiosos e não tenham pressa. Construir uma trajetória sólida leva tempo, dedicação e propósito. Busquem bons mentores, invistam em formação contínua e, acima de tudo, nunca percam o olhar humano sobre quem vocês cuidam”, finaliza.
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