A busca constante pelo aperfeiçoamento das autoridades policiais e judiciais aos braços financeiros do crime organizado foi abordada em mais uma etapa do curso de Pós-Graduação em Gestão na Segurança Pública para Polícia Judiciária, realizado pela Universidade Tiradentes (Unit) em parceria com a Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol). Na última sexta-feira, 22, elas promoveram no Bloco G do Campus Farolândia a mesa-redonda “Do dado bruto à prova técnica: como estruturar e gerir laboratórios de tecnologia no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro”, com profissionais que atuaram em grandes investigações locais e nacionais.
Esta foi a nona disciplina do curso de especialização em nível lato sensu, que tem 15 módulos em diversas áreas e carga horária total de 360 horas. Ao todo, participam 55 alunos, entre delegados e oficiais-investigadores da Polícia Civil. “A gente consolidou uma especialização na área de segurança pública para a polícia judiciária do Estado, e trouxemos uma mesa redonda que já foi pensada na construção do projeto pedagógico. É um tema extremamente relevante para a polícia e a gente entende que vem a abrilhantar ainda mais o nosso curso. A gente está buscando de fato atender e provocar discussões e demandas que estão no dia a dia do policial”, destaca o coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu da Unit, professor Ivanilson Leonardo Santos.
De acordo com o oficial Fábio Mangueira da Cruz Nunes, coordenador e professor do curso, ele foi formulado a partir da parceria firmada entre a Unit e a Secretaria de Segurança Pública (SSP/SE). “O curso foi formatado com a intenção de proporcionar uma melhor capacitação na área de gestão para os operadores de segurança pública, como os delegados de polícia e os oficiais de investigação. Queremos capacitá-los ainda mais na atuação como gestor, para além da atuação policial. Já sabemos que a ideia e a formação na Academia de Polícia, de maneira natural, é na atuação policial, mas pouco se vê na parte de gestão. Então, a ideia é poder funcionar como impulsionador no preparo do policial para fazer gestão de pessoas, equipamentos e insumos”, disse ele.
Para o delegado João Batista Santos Júnior, diretor da Acadepol, capacitar os policiais civis que atuam em contato direto com a população e com a criminalidade é uma demanda importantíssima para otimizar e aperfeiçoar o trabalho cotidiano da corporação. E isso passa pela lida com as equipes policiais, o público atendido, o material usado no trabalho (como viaturas, armas e computadores) e a tecnologia. “A gente tem que ter em mente que nós não somos apenas investigadores ou operadores de direito. Nós somos também gestores públicos, independentemente da função que você exerce. Se você está dentro de uma delegacia, você já tem que fazer gestão. Esse simpósio que fizemos está dentro desse escopo da pós-graduação e é com muita honra que nós temos a parceria da Unit”, disse.
Seguindo o dinheiro
A mesa-redonda dedicada ao tema do combate à lavagem de dinheiro busca propor um debate qualificado sobre o papel estratégico da tecnologia na produção de provas e no fortalecimento das investigações contra crimes financeiros, além de discutir como dados brutos podem ser transformados em evidências técnicas robustas, capazes de sustentar processos investigativos e judiciais.
Entre os palestrantes convidados, esteve o perito criminal César Medeiros Cupertino, atual secretário-geral adjunto de Apoio à Investigação no Ministério Público Militar (MPM). Ele tem mais de 30 anos de experiência em perícia criminal financeira, pesquisa acadêmica e docência superior, além de ter atuado em investigações nacionais de grande repercussão, como a falência do Banco Nacional (1995), o Escândalo do Banestado (2003-2004) e a Operação Lava-Jato (2014-2018). Também participaram o consultor de segurança Wesley Cristian Santos Almeida e a delegada Thaís Oliveira Lemos, diretora do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), da Polícia Civil.
“A ideia foi trazer especialistas para fomentar essa discussão no âmbito até da própria pós-graduação, uma vez que no Brasil, já há alguns anos, tem se proposto e criado laboratórios de tecnologia contra lavagem de dinheiro e redes de combate à corrupção”, explica o coordenador, citando exemplos como a Rede Recupera e a Rede Lab (Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro), que integra o Ministério da Justiça e Segurança Pública a dezenas de unidades especializadas na Receita Federal, na Polícia Federal e nas polícias civis e ministérios públicos dos Estados.
Ainda de acordo com ele, o principal ponto é como fomentar a gestão destas unidades e garantir que elas tenham o que há de melhor e mais avançado em termos de tecnologia e capacitação de pessoal. “A Universidade Tiradentes é uma ‘gigante pela própria natureza’, como diz o nosso Hino Nacional. As grandes discussões acontecem no âmbito da universidade, que é o berço do conhecimento, da capacitação e do intelecto. É importante trazer esses temas aqui para a Unit, porque ela tem esse respaldo, tem estrutura, professores, tecnologia e o que há de melhor para que possa nos ajudar a capacitar os nossos operadores”, disse Fábio.
Ampliação do curso
O curso de Pós-Graduação em Gestão na Segurança Pública para Polícia Judiciária já está com 200 horas realizadas e a previsão é que ele seja concluído com os outros módulos até o final do ano. O diretor João Batista Júnior confirmou que a Acadepol, a SSP e a Unit estão discutindo a ampliação da parceria e a futura abertura de novas turmas do curso para outros oficiais e delegados de Polícia Civil.
“A gente quer que, todo ano, a gente possa proporcionar esse curso de pós-graduação para que todos os cerca de 1.500 policiais possam ter oportunidade de fazê-lo”, afirma ele, destacando a segurança e a credibilidade da Unit. “Os alunos e policiais civis estão aqui, mesmo com uma carga de trabalho exaustiva e deixando suas famílias numa sexta e num sábado para vir fazer o curso, porque confia na instituição e que esse certificado vai fazer com que eles tenham uma ascensão na carreira e tenham uma condição de melhorar, aumentar o seu currículo geral”, afirmou o diretor da Acadepol.
Um dos atuais alunos é o oficial-investigador João Gabriel Souza Teixeira, lotado nas delegacias de São Domingos e Macambira, no interior sergipano, que é egresso do curso de Direito da Unit, onde se formou em 2017. “É uma experiência muito interessante, até porque eu retornei depois de quase uma década fora da Casa. O curso está cada vez melhor, com a Unit se especializando no ensino. Está sendo uma experiência incrível pra mim. Até pela atividade que eu exerço, como oficial-investigador, a gente busca aperfeiçoar técnicas para investigação, entender como é que os criminosos estão estão agindo com esse tipo de crime que a lavagem de dinheiro. É um tema muito atual, e qualquer conhecimento que venha agregar é útil para a nossa função”, elogia.
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