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LGPD Day 2025 debate impacto da inteligência artificial na proteção de dados pessoais

Evento reuniu especialistas em segurança digital, direito e privacidade, com palestras, painéis e a entrega do Prêmio Profissional do Ano

às 18h15
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Desde que entrou em vigor, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) vem transformando a forma como empresas e instituições brasileiras lidam com informações pessoais. A legislação não só ampliou a responsabilidade sobre o tratamento de dados, como também trouxe mais segurança jurídica e transparência para a sociedade. Com o avanço da inteligência artificial (IA), o tema ganha ainda mais relevância: afinal, se por um lado a tecnologia oferece ganhos em produtividade e inovação, por outro exige atenção redobrada para garantir privacidade e proteção.

Pensando na urgência e na complexidade que o tema exige, a Universidade Tiradentes (Unit) realizou o LGPD Day 2025, no Tiradentes Innovation Center (TIC). O evento, que já se tornou tradição anual, contou com um dia inteiro de palestras, painéis e atividades práticas, reunindo especialistas renomados da área de segurança da informação, direito digital e privacidade de dados. A edição deste ano teve como eixo central a aplicação da inteligência artificial no tratamento de dados pessoais.

A gerente de proteção de dados e processos do Grupo Tiradentes, Suzan Kelly Oliveira, ressaltou que compreender como a IA consome dados é essencial para que seu uso seja benéfico. “A IA ‘bebe’ diretamente da fonte de dados, e a questão central está em como esse processo ocorre e como os dados são tratados. Para quem atua com proteção e privacidade, é claro que a IA será indispensável daqui para frente, mas precisa ser usada de forma ética, com transparência e segurança. Atualmente, o compartilhamento de dados pessoais com inteligências artificiais ainda é visto como um risco, mas em breve será rotina, e será necessário definir formas seguras e responsáveis para esse tratamento”, explica.

IA como aliada da segurança digital

Na abertura do evento, Ricardo Makino, arquiteto de soluções da AWS, apresentou iniciativas da empresa voltadas para tornar o uso da inteligência artificial mais seguro e transparente. Na sequência, Robson de Santana Borges, engenheiro de sistemas da Fortinet, destacou os riscos envolvidos e a necessidade de equilibrar forças no combate às ameaças digitais.

“Não adianta querer combater um tanque de guerra com um estilingue. Se do outro lado os criminosos estão usando IA, também precisamos recorrer a essa tecnologia para identificar os ataques com eficiência e neutralizá-los rapidamente, como já temos feito”, afirmou Robson. Ele reforçou ainda a responsabilidade dos usuários ao interagir com esses sistemas, alertando que dados inseridos de forma descuidada podem se tornar públicos e comprometer a privacidade. Nesse sentido, a tecnologia deve atuar como uma camada extra de proteção, prevenindo falhas humanas e reduzindo impactos na segurança das informações.

Estratégia e a IA como Ferramenta

O consultor de segurança do Grupo ADX, SEFAZ-SE e ProvideIT, Adriano Lima, ressaltou que a adoção da inteligência artificial nas empresas e na sociedade precisa estar alinhada a uma estratégia bem definida. Para ele, o principal desafio está na falta de clareza sobre quais problemas a tecnologia pode, de fato, resolver e não no uso da IA apenas por ser uma tendência. “É preciso garantir que todo investimento traga retornos concretos para a empresa”, afirmou.

Adriano também alertou para o risco da dependência excessiva, que pode levar à perda da capacidade de análise crítica. “A IA deve ser encarada como uma ferramenta. Quando aplicada corretamente, oferece vantagens significativas para pessoas e organizações. O essencial é ter clareza dos objetivos, definir onde se quer chegar e medir constantemente os resultados, para saber se estamos obtendo retorno real ou apenas acompanhando uma onda passageira. Com o uso da inteligência artificial, conseguimos aumentar a produtividade, fortalecer a segurança e desenvolver novas capacidades antes inimagináveis”, completou.

Programação diversificada

No período da tarde, a programação seguiu com a participação de especialistas de diferentes áreas do direito e da cibersegurança. Entre eles, o advogado Dr. Afonso Oliva, presidente da Comissão de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Sergipe, que trouxe reflexões sobre as intersecções entre proteção de dados e as carreiras jurídicas.

A agenda também contou com debates e painéis com nomes como a advogada Dra. Laura Lisbôa, o especialista em cibersegurança Fernando Souza, o head de segurança da informação Lucas Fontes, a gerente de proteção de dados Suzan Kelly Oliveira, o advogado Dr. Andress Amadeus P. Santos e a diretora da ANPD, Dra. Miriam Wimmer. Cada um contribuiu com perspectivas sobre desafios atuais, a atuação do DPO, inovação, regulação e os impactos das novas tecnologias no cenário da proteção de dados.

Espaço de aprendizado e integração

O evento também contou com grande participação de alunos da Unit, especialmente dos cursos de Direito, Tecnologia da Informação e Gestão, que puderam trocar experiências diretamente com referências nacionais. Para Gabriel Douglas Santos Melo, estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, a vivência foi transformadora. “Significa aprender com especialistas que aplicam a LGPD no dia a dia, compreender os impactos da inteligência artificial sobre a privacidade e refletir sobre como as empresas podem se adaptar para garantir não apenas conformidade, mas também confiança e inovação responsável”, afirmou.

Entre as atividades, a palestra “IA Responsável: da teoria à prática” foi a que mais chamou sua atenção, por unir dois pontos que ele considera estratégicos: inteligência artificial e proteção de dados. “Com a crescente adoção da IA em diversos setores, discutir responsabilidade, ética e segurança é extremamente atual e urgente. Essa palestra se destacou justamente por mostrar como transformar teoria em ações práticas que respeitem a privacidade e gerem benefícios reais para empresas e para a sociedade”, completou.

Reconhecimento aos profissionais da área

O encerramento do encontro foi marcado pela entrega do Prêmio LGPD Day 2025-Profissional do Ano, iniciativa da Universidade Tiradentes e do Grupo Tiradentes que busca valorizar especialistas que se destacam no campo da privacidade, segurança e direito digital.

O reconhecimento é inédito em Sergipe e simboliza o amadurecimento do tema no estado. Os vencedores deste ano foram: Lucas Fontes (Head de Segurança da Informação e Projetos da Lumi), na categoria Segurança da Informação; Dra. Laura Lisbôa (advogada e DPO da Lumi), na categoria Direito Digital; e Suzan Kelly Oliveira dos Santos (Gerente de Proteção de Dados e Processos do Grupo Tiradentes), na categoria Privacidade e Proteção de Dados.

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