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Nutrição hospitalar acelera recuperação e melhora prognóstico de pacientes

Planejamento alimentar adequado reduz complicações, encurta tempo de internação e fortalece resposta a tratamentos clínicos e cirúrgicos

às 20h27
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Quando pensamos no tratamento de um paciente internado, a mente se volta imediatamente para medicamentos, cirurgias e a alta tecnologia de um centro médico. No entanto, um componente igualmente essencial, mas que muitas vezes opera nos bastidores, é a alimentação. Longe de ser apenas uma necessidade básica, a nutrição hospitalar se consolidou como uma intervenção clínica de alto impacto, atuando como um pilar fundamental para o sucesso terapêutico e a recuperação plena do paciente.

A atenção ao que o paciente come, e como come, não se restringe a evitar a perda de peso, mas sim a otimizar toda a resposta do organismo ao tratamento. De acordo com Carla Souza, nutricionista hospitalar e professora da Universidade Tiradentes (Unit), uma terapia nutricional bem-sucedida gera benefícios que são cruciais para o prognóstico. A especialista afirma que a adequação nutricional contribui significativamente para a manutenção ou recuperação da massa magra, o que é essencial para prevenir a sarcopenia e a perda funcional.

Além disso, a nutricionista destaca que uma dieta planejada melhora a cicatrização e a resposta imunológica, ajudando a reduzir infecções hospitalares. “Esse cuidado tem um impacto direto na logística do hospital, pois otimiza a resposta a terapias médicas e cirúrgicas, como a quimioterapia ou o pós-operatório, resultando na redução do tempo de internação e das complicações clínicas, o que melhora a sobrevida”, ressalta.

Desnutrição é realidade entre internados

Apesar de sua importância, a desnutrição é uma realidade alarmante no ambiente de saúde. Estudos nacionais e internacionais apontam que de 30% a 50% dos pacientes hospitalizados apresentam algum grau de desnutrição. O dado preocupa porque, segundo Carla, esse cenário está associado a uma série de complicações. “Entre as consequências estão maior risco de infecções, atraso na cicatrização, aumento do tempo de internação, além de maior taxa de reinternações e mortalidade. Muitas vezes, o paciente também tem perda funcional, o que compromete sua autonomia após a alta, dificultando a plena reabilitação do indivíduo”, destaca.

Do prato ao protocolo

A dieta oral, popularmente chamada de “comida de hospital”, vai além da simples reposição calórica. Carla Souza destaca que ela é parte fundamental do tratamento, pois garante o fornecimento adequado de macro e micronutrientes essenciais à recuperação e pode até evitar a necessidade de suporte enteral ou parenteral, que são mais invasivos. “Além disso, refeições saborosas e culturalmente adequadas favorecem a adesão do paciente, contribuindo para a recuperação funcional e reduzindo complicações metabólicas”, afirma.

Para que a terapia nutricional seja eficaz, a avaliação deve ser rápida e padronizada. A nutricionista salienta a importância da avaliação nutricional precoce, que precisa ser realizada nas primeiras 24 a 48 horas de internação, para identificar riscos e direcionar intervenções. “O uso de protocolos validados, como o NRS-2002 ou diretrizes ASPEN/ESPEN, garante a padronização do cuidado em toda a equipe e assegura um início mais rápido da terapia nutricional, resultando na redução da variabilidade de condutas e na melhoria dos desfechos clínicos”, elenca.

Gastronomia hospitalar e humanização do cuidado

No cenário de pacientes críticos, como aqueles internados em UTIs, o monitoramento deve ser ainda mais rigoroso e contínuo. Nesses ambientes, a especialista detalha que são considerados desde parâmetros clínicos (evolução do quadro, função gastrointestinal) até marcadores laboratoriais (eletrólitos, glicemia). São feitas reavaliações diárias para ajustes finos no volume, densidade calórica e proteína.

Além da parte técnica, há também o aspecto humano da alimentação. A chamada “gastronomia hospitalar” vem ganhando espaço justamente pela influência direta na aceitação das refeições. “Pratos mais atrativos reduzem desperdício, promovem conforto emocional e ajudam a garantir a ingestão calórico-proteica necessária. Esse cuidado humaniza a assistência e torna a experiência do paciente menos desgastante”, ressalta Carla.

O conjunto dessas estratégias, quando bem aplicadas, não só melhora a saúde do paciente como também gera impacto positivo na gestão hospitalar. “Uma boa assistência nutricional previne a desnutrição, reduz complicações, otimiza recursos e contribui para a recuperação funcional. Ou seja, é benéfica tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde”, conclui a nutricionista.

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