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Os alunos que saíram da graduação para o doutorado na Renorbio

Egressos de Biomedicina se destacaram por pesquisas de iniciação científica e se basearam nessas experiências para emplacar suas teses no programa regional, que tem a participação da Unit

às 22h08
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Alunos do curso de Biomedicina da Universidade Tiradentes (Unit) vêm se destacando em seus projetos e atividades de pesquisa, a ponto de, inclusive, se qualificarem diretamente para o doutorado na área. Este caminho foi possível para dois estudantes da graduação que concluíram o curso no primeiro semestre de 2025. Pedro Henrique da Silva Rodrigues e Carine Serafim da Cunha Silva ingressaram recentemente no Doutorado em Biotecnologia, oferecido pela Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio), formada por instituições de ensino e pesquisa de todos os estados da Região Nordeste e do estado do Espírito Santo, incluindo a Unit. 

O programa foi credenciado em 2006 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que atribuiu a ele a Nota 6, considerando-o como referência nacional e internacional. Ele é composto por mais de 200 pesquisadores das instituições participantes e composto por quatro áreas de concentração: Agropecuária, Saúde, Industrial e Recursos Naturais. Cada estado componente possui uma ou duas instituições nucleadoras, que são responsáveis pela emissão dos diplomas dos alunos daquele estado. Em Sergipe, a Unit é uma das nucleadoras da rede desde 2015 e desenvolve suas atividades em conjunto com a Universidade Federal de Sergipe (UFS). 

Experiência na IC

O doutorado na Renorbio era o objetivo de Pedro Henrique desde a sua passagem pela iniciação científica, entre 2023 e 2025, quando atuou no Laboratório de Biologia Molecular (LBM), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), e participou de dois projetos de pesquisa que resultaram em duas patentes depositadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), além de apresentação de trabalhos e publicações de artigos. 

“Desde a primeira iniciação científica, quando consegui depositar minha primeira patente, já tinha em mente a possibilidade de seguir direto para o doutorado. Esses resultados possibilitaram que eu alcançasse uma pontuação adequada para participar do processo seletivo”, lembra Pedro, destacando ainda a experiência na graduação como fator determinante para a sua chegada ao doutorado. “O tempo que passei no LBM foi essencial para aprimorar meus conhecimentos e práticas laboratoriais. A excelente orientação da professora Maria Lucila Hernandez Macedo e o apoio dos colegas de laboratório, que sempre confiaram no meu potencial, foi fundamental para meu crescimento”, disse ele.

Na Renorbio, Pedro desenvolve uma tese sobre o uso de resíduos agroindustriais como substrato para a degradação de embalagens de pesticidas. A proposta, segundo ele, é utilizar resíduos abundantes no Brasil como indutores para a produção de enzimas fúngicas capazes de degradar essas embalagens, reduzindo a contaminação ambiental e os riscos à saúde humana. “O objetivo é mitigar os impactos ambientais tanto dos resíduos agroindustriais quanto das embalagens de pesticidas, que representam um problema significativo para o setor agrícola. Além de gerar ganhos econômicos, visto que as enzimas produzidas apresentam ampla aplicabilidade em diferentes setores industriais. Ao valorizar resíduos agroindustriais abundantes no país, a pesquisa promove economia circular e simbiose industrial”, destaca o doutorando.

Choque positivo

Carine Serafim, por sua vez, conseguiu ser aprovada tanto no processo seletivo da Renorbio quanto no do mestrado em Biociências e Saúde, na Unit, que aconteceram praticamente ao mesmo tempo. A escolha foi por ir direto ao doutorado. “Quando surgiu a chance do doutorado direto, vi isso como uma oportunidade de aprofundar minha formação e me dedicar ainda mais à pesquisa. Eu já sabia que estava concorrendo com pessoas muito qualificadas, então só de participar da seleção já estava feliz. Ser aprovada direto no doutorado foi um choque positivo, porque me fez perceber que tudo o que construí na graduação realmente teve muito valor. Mais do que surpresa, foi também uma confirmação de que eu estava preparada para dar esse passo”, disse ela, destacando o apoio que recebeu dos colegas de curso e do Laboratório de Nanotecnologia e Nanomedicina (LNMed), no ITP.

Foi neste laboratório, com a orientação e incentivo da professora Patrícia Severino, Carine fez a iniciação científica, participou de ligas acadêmicas e de projetos fora da iniciação, além de fazer, em 2024,  um intercâmbio na Universidad Católica de Santa María, em Arequipa (Peru), através do Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional (ProMAI). “Estar inserida em um ambiente com mestrandos, doutorandos e pesquisadores mais experientes todos os dias me ajudou a aprender muito na prática e me deu a confiança de que eu também tinha condições de seguir nesse caminho para o doutorado”, acrescenta. 

A tese que ela desenvolve no Renorbio é voltada para a área de engenharia de tecidos, com foco no uso de hidrogéis fotopolimerizáveis. É uma continuidade da pesquisa que fez na iniciação científica, que tinha como objetivo a reconstituição de tecidos cardíacos. Só que agora, essa reconstrução seria voltada para a medula espinal. O objetivo é aplicar esses hidrogeis diretamente na medula, avaliando a capacidade de favorecer a regeneração tecidual e a recuperação funcional. “Acredito que esse projeto abre novas perspectivas para o tratamento de lesões na medula espinal, que hoje têm opções muito limitadas. Esse é um passo inicial, ainda em fase experimental, e não é algo que possa ser aplicado em humanos no momento. Mesmo não sendo uma solução imediata, é um avanço importante no caminho para novas abordagens”, acredita Serafim. 

O encaixe que deu certo

Este caminho percorrido por Pedro e Carine foi antecedido por outra biomédica formada pela Unit: Helena de Almeida Cerqueira Kodel, que concluiu o curso em 2024 e está hoje no terceiro semestre do doutorado. Colega de Pedro no LBM/ITP, ela desejava fazer pesquisas conjuntas com universidades de fora do Brasil, através do doutorado-sanduíche, e começou a se preparar para a pós-graduação quando estava no último período do curso, analisando editais e programas disponíveis no Nordeste. 

“Foi através dessa pesquisa que identifiquei que além de ter a pontuação de currículo suficiente para cobrir editais de mestrado, eu tinha também quatro vezes a nota de corte da pontuação de editais de doutorado”, conta Helena, que optou por tentar a Renorbio e foi igualmente surpreendida pelo resultado. “Especialmente porque sempre tive, como todo estudante de pós-graduação costuma ter, o receio de sequer conseguir entrar para o mestrado. Felizmente, foi uma oportunidade que acabou encaixando muito certo”, lembra. 

Helena trabalha agora no estudo de plantas da Caatinga para identificar e desenvolver compostos bioativos capazes de superar a resistência quimioterápica em células tumorais, aperfeiçoando o tratamento de pacientes com câncer. “Muitos quimioterápicos hoje têm sua eficácia diminuída devido a diversos mecanismos celulares, e incorporando uma flora (a caatinga) que ainda é escassa em estudos, existe a esperança de se descobrir compostos, extratos que possuam capacidade de superar essas dificuldades. A proposta trata diretamente com o objetivo do programa de transformar a biodiversidade regional em inovação científica e tecnológica, explorando o potencial de espécies da Caatinga para o desenvolvimento de soluções terapêuticas”, ressalta.

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