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Estudantes de Educação Física vivenciam inclusão e cuidado no projeto Incluir Praiaju

Iniciativa da Prefeitura de Aracaju leva pessoas com deficiência à praia e proporciona aos alunos experiências práticas de empatia, adaptação e formação humana

às 20h55
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A formação em Educação Física vai muito além do domínio técnico. Envolve compreender pessoas, contextos e realidades distintas, e é justamente essa vivência que os estudantes da Universidade Tiradentes (Unit) têm experimentado por meio do Incluir Praiaju, projeto da Prefeitura de Aracaju que promove o acesso de pessoas com deficiência à praia e ao banho de mar. A iniciativa, incorporada ao calendário oficial da cidade desde agosto, é coordenada pela Secretaria Municipal de Turismo, em parceria com as Secretarias de Assistência Social e da Juventude e Esporte, além do projeto Estrelas do Mar e da colaboração direta da universidade.

O projeto acontece todas as sextas-feiras na Cinelândia, e cada edição é voltada a um grupo diferente, como o Instituto do Ser, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) Infantil, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC), o abrigo infantil da Semfas e grupos de idosos, entre outras instituições. O objetivo é proporcionar momentos de lazer, bem-estar e inclusão, além de oferecer aos estudantes a oportunidade de interagir com públicos diversos e lidar com situações que exigem sensibilidade, adaptação e empatia.

Vivência que une teoria, prática e empatia

Para a professora Izabella Cristina da Silva, que acompanha a participação dos alunos da Unit no projeto, a experiência se tornou uma extensão do aprendizado em sala de aula. “O Incluir Praiaju surgiu como um desdobramento do Estrelas do Mar, que já atendia pessoas com deficiência. A ideia foi levar essa proposta para a praia, permitindo que qualquer pessoa, com ou sem deficiência, possa aproveitar o mar com segurança. Nossos alunos participam desde o acolhimento até o banho assistido, além de conduzirem atividades físicas e recreativas adaptadas ao perfil de cada grupo”, explica.

De acordo com Izabella, a presença dos estudantes na iniciativa tem papel central tanto na dinâmica das atividades quanto no processo formativo. “Eles aprendem a adaptar as práticas conforme o ambiente, a respeitar os limites e potencialidades de cada pessoa e a desenvolver empatia no contato direto com o público. É uma vivência que amplia o olhar profissional e fortalece a formação humana”, afirma.

Parceria que transforma o aprendizado 

O Incluir Praiaju representa também uma integração entre poder público e instituições de ensino, em um modelo de cooperação que beneficia todos os envolvidos. Para Talita Raquel, coordenadora do projeto Incluir Aju e integrante da Secretaria Municipal de Turismo, a participação dos alunos da Unit é essencial para o sucesso das atividades.

“Essa parceria é muito rica porque alia conhecimento acadêmico à prática social. Os estudantes participam ativamente das ações e se tornam agentes de transformação. É uma troca constante: enquanto o projeto ganha em dinamismo e envolvimento, os futuros profissionais vivenciam, na prática, o significado da inclusão”, avalia.

As edições do projeto têm recebido públicos diversos, com histórias e necessidades particulares. Segundo Ana Elisa Alves, assistente social do GACC, essa aproximação com a natureza e com outras pessoas representa uma experiência terapêutica. “Muitas crianças que atendemos passam longos períodos em tratamento e, às vezes, adquirem limitações físicas durante o processo. Estar ao ar livre, sentindo o sol e o mar, é um momento de liberdade e alegria. E os estudantes contribuem muito para tornar isso possível, trazendo energia, cuidado e novas ideias”, comenta.

Formação que prepara 

Para os alunos da Unit, a participação no Incluir Praiaju representa uma oportunidade única de aprendizado. Mais do que um estágio, o projeto funciona como um laboratório social e humano, onde teoria e prática se encontram em situações reais de inclusão e cuidado. A estudante Luísa Lopes, do sexto período de Educação Física, conta que a experiência tem sido decisiva na construção de sua identidade profissional. 

“Cada sexta-feira é uma nova lição. Trabalhamos com públicos muito diferentes, crianças, idosos, pessoas com deficiência e isso exige que a gente aprenda a se adaptar, a ouvir e a entender o ritmo de cada um. É um aprendizado que vai além da técnica; é sobre respeito, empatia e humanidade”, relata.

Ela destaca que o projeto também a fez repensar o papel social da profissão. “Antes, eu via a Educação Física muito ligada ao esporte ou à estética. Agora, percebo que ela é, acima de tudo, uma ferramenta de inclusão e transformação. A cada atividade, a gente entende o quanto o movimento pode gerar autoestima, alegria e pertencimento. Isso é o que me faz ter certeza de que escolhi a profissão certa”, compartilha.

O estudante Allan Adisson, que cursa o oitavo período, compartilha uma visão semelhante, mas sob a perspectiva de quem já se aproxima do final da graduação. “Estar no projeto é lidar com situações inesperadas, com pessoas que têm histórias muito diferentes e desafios próprios. Isso nos obriga a pensar rápido, a criar estratégias e a agir com responsabilidade. Essas vivências nos preparam de verdade para o mercado de trabalho”, afirma.

Para Allan, a troca entre os alunos também é parte essencial da experiência. “Como estou nos períodos mais avançados, tento ajudar os colegas mais novos, orientar e compartilhar o que aprendi. É uma construção coletiva. No fim, a gente percebe que o Incluir Praiaju não transforma só os participantes, transforma também quem está ali para ajudar”, conclui.

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