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Direito da Unit se destaca na maior competição de mediação e arbitragem da América Latina

Equipe da Unit conquista 6º lugar na classificação geral da CAMARB e projeta Sergipe no cenário jurídico nacional

às 20h05
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A mediação e a arbitragem empresarial têm ganhado protagonismo no cenário jurídico mundial como alternativas céleres, técnicas e colaborativas de resolução de disputas. Esse movimento acompanha o avanço do chamado sistema de justiça multiportas, que reconhece diferentes caminhos para tratar conflitos além do tradicional processo judicial. No Brasil, uma das vitrines mais relevantes para o desenvolvimento dessas habilidades é a Competição Brasileira de Arbitragem e Mediação Empresarial (CBAM), organizada pela Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial – Brasil (CAMARB), considerada a maior disputa jurídica da América Latina e uma das maiores do mundo.

A 16ª edição da CBAM reuniu 67 universidades, entre elas instituições de referência nacional, exigindo domínio de temas complexos de Direito Empresarial e Societário, técnicas de negociação de alto nível e preparo psicológico para sessões que simulam, com fidelidade, a prática profissional. Dentro desse cenário altamente competitivo, a Universidade Tiradentes (Unit) ficou posicionada entre as dez melhores do país, se posicionando em 6º lugar na classificação geral e ainda alcançou excelentes resultados em categorias individuais.

A equipe sergipana chamou atenção ao garantir o 3º lugar como Melhor Advogada (Júlia Guimarães Almico), o 4º lugar como Melhor Negociador/Orador (Jeferson de Moraes) e o 3º lugar como Mediadora (Maria Teresa Xavier), além de alcançar o 2º lugar na fase classificatória da Regional Sudeste. Foi a primeira vez que uma instituição do estado participou da competição, e já estreou entre as melhores do Brasil e como principal representante do Nordeste.

Confira a classificação geral completa do CAMARB clicando aqui.

Protagonismo do Nordeste 

Para o professor do curso de Direito e coach da equipe, Nivaldo Moscoso, o resultado alcançado sela um marco para a história moderna do Direito em Sergipe. Ele explica que essa foi a primeira vez que o estado figurou na maior competição jurídica da América Latina, e já com conquistas robustas.

“O curso de Direito da Unit, em seus 45 anos, fez história para o direito em Sergipe. Na primeira vez em que participou, a equipe conquistou o terceiro lugar nacional na mediação. Isso demonstra a qualidade do conhecimento jurídico produzido aqui”, afirma. O docente ainda destaca que a Unit foi o maior destaque entre as instituições de ensino superior do Nordeste, consolidando seu protagonismo. “Somos o melhor curso de Direito do Estado, o melhor do Nordeste e estamos entre os melhores do Brasil”, completa.

Nivaldo ressalta ainda o papel estratégico da mediação e da arbitragem no cenário contemporâneo. Segundo ele, por décadas a Justiça foi tratada como única via possível, concentrando demandas e gerando morosidade. “Precisamos desenvolver alternativas para além do Judiciário, e a mediação e a arbitragem materializam esse avanço. A arbitragem dialoga com culturas jurídicas em que a maioria das demandas já é resolvida dessa forma, fortalecendo o Brasil internacionalmente e incentivando a atuação de multinacionais”, elenca.

Integração entre teoria e prática

Os resultados são fruto de um intenso processo de formação. A preparação da equipe envolveu mais de 80 horas de estudo e prática, incluindo imersões em Direito Empresarial, técnicas de negociação, simulações e treinos externos com escritórios de advocacia e universidades de outras regiões. A rotina de preparação incluía encontros semanais com os professores-coaches, prática da negociação baseada nos princípios de Harvard, gestão das emoções e desenvolvimento de oratória.

De acordo com o professor, esse percurso reforçou a conexão entre teoria e prática no curso de Direito. “As habilidades desenvolvidas como negociação, oratória, prática jurídica desde cedo são realidade concreta no nosso curso, fortalecida também por atividades institucionais como o ABP”, contextualiza. Nivaldo também avalia que participar da competição amplia horizontes profissionais, sobretudo pelo networking. “Lá, os estudantes tiveram contato com os melhores mediadores, árbitros e advogados empresariais do Brasil. Isso demonstra que estão preparados para atuar em âmbito nacional”, pontua.

Para Jéffson Menezes, coach da equipe e coordenador operacional do curso de Direito, o desempenho evidencia a excelência da formação jurídica da Unit. Ele destaca que os estudantes dominaram temas de alta complexidade. “A equipe foi desafiada com um caso de direito societário que discutia alienação de controle de companhia de capital aberto e exigência de oferta pública de aquisição. Nossos alunos dominaram governança corporativa, direito dos minoritários e precedentes da CVM”, detalha.

Técnica, neutralidade e foco no consenso

Entre os destaques da competição está Maria Teresa Xavier, 3º lugar na categoria Mediador. Ela explica que as sessões seguem dinâmica semelhante à realidade empresarial, envolvendo negociadores, advogados e o mediador, responsável por facilitar a comunicação. O procedimento inicia com uma declaração de abertura e a construção de uma agenda de tópicos; depois, as partes apresentam os fatos e avançam nas propostas de acordo.

Maria Teresa comenta que utilizou princípios de negociação da Universidade de Harvard para conduzir as sessões, incentivando soluções criativas e baseadas em critérios objetivos. Ela relembra a metáfora que adotava para inspirar as equipes: “Em um labirinto, é preciso percorrer vários caminhos antes de encontrar a saída”, relembra.

A estudante explica que os avaliadores observam a capacidade de adaptação, principalmente diante dos chamados elementos confidenciais, informações surpresa recebidas pouco antes da sessão. “Esses elementos podem mudar completamente o rumo da mediação. O desafio é manter o equilíbrio e a fluidez do processo”, conta.

Para ela, o maior aprendizado envolveu lidar com pressão e transformar erros em evolução. “Alcançamos resultados incríveis porque erramos bastante ao longo dos treinamentos. Foi um processo de resiliência”, resume. Maria Teresa reforça que a Unit tem papel determinante no avanço regional da mediação. “Somos a única universidade em Sergipe a incluir o tema na grade. Isso revela compromisso com o novo mercado jurídico”, declara.

Advocacia colaborativa 

A estudante Júlia Guimarães Almico, premiada como 3ª melhor advogada do Brasil, explica que a categoria avalia compreensão do caso, consistência da argumentação e postura colaborativa. “A fala deve ser compatível com a busca consensual. É essencial ter comunicação clara, objetiva e postura cordial”, explica.

Durante a rodada, cabe ao advogado apresentar os desdobramentos jurídicos do caso, contribuir na construção da agenda e viabilizar propostas. Júlia relata que o estudo do caso envolveu profunda análise da Lei das S.A., doutrina, precedentes e resoluções da CVM. “Nos preparamos tanto para o que levaríamos quanto para lidar com o que seria apresentado pelas outras equipes”, compartilha.

Ela destaca ainda que o suporte da Unit foi determinante. “O companheirismo e a orientação dos professores foram essenciais. Nem todas as faculdades oferecem esse nível de suporte, treinos, materiais, disponibilidade. Isso fez toda diferença”, infere. Para Júlia, a experiência antecipou vivências reais do mercado. “Pude vivenciar o que é ser advogada ainda no segundo período. Isso me torna muito mais preparada para o futuro profissional”, projeta.

Negociação de alto nível e maturidade jurídica

Premiado como 4º melhor negociador/orador do Brasil, Jeferson de Moraes explica que a categoria exige excelência verbal e não verbal, escuta ativa, postura colaborativa e precisão jurídica. Ele descreve que as sessões seguem etapas definidas: declaração de abertura, exposição das partes, construção de agenda, negociação e, eventualmente, caucus, reunião confidencial entre parte e mediador.

O estudante revela que utilizou pilares da Comunicação Não Violenta (CNV) e o método Harvard, que prioriza interesses em vez de posições. “Isso nos mantém abertos ao diálogo. Não se trata de vencer, mas de encontrar a melhor solução para ambas as partes”, pontua. Ele destaca o trabalho em dupla com Júlia Almico. “Ao meu lado, não poderia ter alguém mais preparada”, ressalta.

Segundo Jeferson, o preparo foi intenso e marcado por esforço conjunto. “Cada feedback contribuiu para nossa evolução. É fruto de trabalho coletivo,”, diz. Ele conta que foi muito elogiado pela postura confiante e colaborativa, fatores que impactaram positivamente sua avaliação.

A experiência também revelou a aderência entre competição e prática real. “Profissionais atuantes na área afirmaram que o caso trabalhado refletia situações reais de mercado. Isso mostra que o aprendizado vai muito além da competição e será utilizado em toda nossa vida profissional”, finaliza.

*Texto atualizado em 12/11/2025, às 16h35, para ajuste de informação no segundo parágrafo.

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