Uma roda de conversa realizada nesta terça-feira, 11, no Bloco G do Campus Farolândia, marcou o início das discussões sobre a reformulação da matriz curricular do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes (Unit). O evento, chamado Café com Arquitetura, reuniu egressos do curso e profissionais do mercado para uma apresentação sobre as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso, homologadas em julho pelo Ministério da Educação (MEC) e que devem ser seguidas a partir de agora por todos os cursos superiores da carreira em todo o Brasil.
O Café com Arquitetura foi elaborado pela coordenação do curso, a partir de uma reunião do Núcleo Docente Estruturante (NDE), que reúne os professores e delibera em questões como a definição do projeto pedagógico. Daqui, surgiu a ideia de fazer o encontro em parceria com o Unit Carreiras, núcleo de empregabilidade da instituição, como ponto inicial da reformulação do plano pedagógico e da grade de disciplinas do curso.
“Estamos pensando em novas disciplinas e em como podemos trazer os nossos alunos realmente para o mercado. E aí isso surgiu, decidimos chamar o pessoal do mercado. Convidamos quem já trabalha na área, construtoras, profissionais autônomos ou sem empresa, para poder compreender o que é que eles desejam dos nossos alunos para poder isso refletir na nossa matriz curricular. Queremos saber quais são as necessidades, o que é que eles querem dos nossos alunos, quais são as competências que eles querem e quais são as fragilidades existentes”, explica a professora Ingrid Carvalho, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unit.
De acordo com ela, as novas DCNs fixam regras a serem seguidas e trabalhadas em cada universidade ou faculdade com cursos de Arquitetura e Urbanismo. Elas incluem questões como quantidade mínima de horas-aula, percentual de atividades práticas, disciplinas obrigatórias, temas e técnicas que devem ser ensinadas nas aulas, tanto teóricas quanto práticas. “Com base nestas mudanças, a gente está fazendo uma revisão dessas disciplinas, pensando no que é que os alunos precisam teoricamente aprender; o que eles precisam também aprender na prática, a partir da concepção de arquitetura e urbanismo; e o que eles precisam utilizar quando eles se formam, mas não vêem atualmente aqui”, acrescenta Ingrid.
Para a gerente do Unit Carreiras, Janaína Machado, a interação do curso de Arquitetura com profissionais do mercado consolida o compromisso da Unit com o aperfeiçoamento constante da qualidade de seus cursos, em conjunto com os profissionais e empresas que já atuam no mercado. “São vários arquitetos representando grandes empresas e construtoras que a gente recebe aqui. Isso é muito importante, porque é o mercado avaliando, analisando, pensando em conjunto com a matriz de curso. É a universidade realmente pensando na empregabilidade, vendo quais são as novas necessidades do mercado para que a gente possa contemplá-las dentro de casa”, diz Janaína, ressaltando que o mercado atual de Arquitetura e Urbanismo precisa de profissionais com um olhar mais alinhado às questões de sustentabilidade e meio ambiente.
Demandas e necessidades
Um dos convidados foi Herval Santa Rosa, arquiteto e urbanista com 45 anos de carreira. Ele apontou algumas áreas de atuação que ainda representam dificuldades para os estagiários e profissionais recém-formados, principalmente nas áreas de construção e edificações. Ele ressaltou a importância de uma universidade próxima e alinhada com a realidade do mercado. “A Unit é referência não só aqui no estado, mas acho que também no Nordeste e até nacionalmente. É uma escola bem estruturada, tem uma direção com pessoas notáveis e que querem sempre melhorar. Então, eu acho fundamental que ela se preocupe com isso e venha aperfeiçoar a grade para focar nesses temas. Isso ajuda muito na formação do arquiteto, dá mais equilíbrio para ele executar os projetos”, afirmou Herval.
Esta também é a expectativa da arquiteta Marilda Honorato, egressa da Unit e formada na turma de 2023. “Desde a nossa época, a gente já sentia a falta de algumas coisas que o curso poderia ter mudado, de tecnologias de arquitetura que estão em alta e a gente não viu, essa parte histórica, caminhar junto com outros cursos… É interessante estar aqui, participar e poder dar opinião, sabendo que ela”, disse Marilda, que defendeu uma interação maior da Arquitetura com outras áreas de conhecimento, principalmente Engenharia e Tecnologia da Informação.
O processo de discussão sobre a reformulação da matriz do curso vem sendo acompanhado de perto pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Sergipe (CAU/SE), que tem uma Comissão de Ensino e Formação, responsável por acompanhar a formação técnica dos profissionais e o ensino de forma geral. “A gente acompanha todas as universidades que ensinam arquitetura e, nesse momento em que houve uma mudança das diretrizes da formação do arquiteto, a Unit nos convidou para debater. E agora vai ter muitas mudanças, incluindo a preocupação com o clima e com atividades de arquitetura social, por exemplo. Nós somos um parceiro representante da sociedade, e estamos aqui para colaborar de alguma forma, buscando sempre o melhor para a formação do arquiteto”, destacou o vice-presidente da autarquia, Edílio José Soares Lima.
Próximos passos
A roda de conversa teve ainda a participação da gerente Janaína Machado, que falou sobre o Unit carreiras, e da professora Ana Cláudia de Ataíde Mota, assessora pedagógica da Pró-Reitoria de Graduação e Extensão, que falou sobre as metodologias de ensino que vem sendo implementadas na Unit, a exemplo da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP).
Além do Café com Arquitetura, outros dois momentos serão promovidos pela coordenação do curso de Arquitetura e Urbanismo, dentro do processo de reformulação. “A segunda vertente é o encontro com egressos do curso para saber quais foram as dificuldades deles quando eles se formaram. E a terceira é com os alunos que estão aqui atualmente, a partir do quinto período, para poder identificar esses gaps durante as disciplinas do curso”, detalha Ingrid Carvalho, acrescentando que a nova matriz vai se basear nos resultados dos três momentos de discussões, aliados às avaliações técnicas dos próprios professores e obedecendo às novas DCNs determinadas pelo MEC. A previsão é de que todo o processo seja concluído ainda em 2026.
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