A Oficina dos Saberes e Fazeres, organizada pelo Programa de Assistência Integral à Melhor Idade (PAIMI), ganhou mais uma edição especial e, desta vez, chegou a um novo espaço dentro da Universidade Tiradentes (Unit). Tradicionalmente realizada no Mini Shopping, a feira passou a ocupar o Complexo de Especialidades em Saúde Professora Amélia Uchôa, em uma iniciativa que buscou aproximar o público das produções artesanais e ampliar o diálogo com estudantes, pacientes e visitantes.
A mudança surgiu a partir de uma sugestão da professora Maria Jane Aquino, que apresentou a ideia à coordenadora do PAIMI, Zulnara Mota, destacando o potencial do Complexo como novo cenário para a exposição. A partir daí, Zulnara levou a proposta ao núcleo de Serviço Social da Unit, que passou a articular a ação e apoiou todo o processo de divulgação. Em conjunto com o Complexo de Saúde, a equipe construiu uma edição inédita que proporcionou maior visibilidade às peças produzidas pelas idosas.
Novo espaço, novas possibilidades
A coordenadora do PAIMI, Zulnara Mota, explica que a escolha pelo Complexo de Saúde nasceu do desejo de testar novos ambientes para a feira. Segundo ela, o perfil do público foi um fator decisivo para experimentar o espaço. “A gente pensou em modificar um pouco a questão do local da exposição. Como aqui é o Complexo de Saúde, a clientela é diferente do Mini Shopping, então viemos testar. E a gente só sabe se funciona testando, né?”, afirmou.
O retorno foi imediato e positivo. Zulnara relata que as idosas se sentiram acolhidas e perceberam maior identificação dos visitantes com as peças produzidas. “As participantes gostaram muito, foram super bem recebidas, e o espaço foi maravilhoso. Aqui não é só estudante passando e olhando; são pessoas mais maduras, muitas vezes idosas, que se identificam com os trabalhos expostos. A comercialização também foi bem melhor, então atingimos nossos objetivos”, explicou.
Com base nessa experiência, a coordenação já estuda aumentar a frequência da feira. “Já conversamos com a assistente social, Jacqueline Xavier, sobre a possibilidade de realizar essa exposição três vezes por ano… Assim, teríamos mais ênfase e ampliaríamos a clientela”, destacou. Para ela, a feira cumpre uma função essencial. “Nosso propósito é mostrar que o idoso tem potencial para realizar esses trabalhos e, ao mesmo tempo, ajudar na renda familiar. Serve como passatempo, terapia ocupacional e ainda gera um dinheiro extra”, complementa.
Trabalho conjunto do Serviço Social
A assistente social Jacqueline Xavier, que acompanhou a construção da edição, lembra que a iniciativa chegou ao núcleo por meio da coordenadora do PAIMI. “A coordenadora Zulnara foi quem entrou em contato com o núcleo de serviço social e apresentou a ideia de aproveitar o espaço do Complexo de Saúde. A partir daí, a equipe passou a organizar a execução. O núcleo aprimorou a ideia, fez as articulações e trabalhou com a divulgação”, explicou.
Composto por Jacqueline, Luciara Menezes e Eliangela Soares, o núcleo atuou de forma integrada com a coordenação do PAIMI. Para Jacqueline, esse movimento conjunto foi determinante para o sucesso da feira. Ela considera a ação mais do que uma exposição de artesanato. “Enxergo essa iniciativa como uma ação de relevância social e um importante incentivo ao empreendedorismo social”, compartilha.
A assistente social também ressalta o impacto emocional e simbólico da atividade. “Ao permitir que as idosas não apenas exponham, mas também comercializem as peças que produzem, a ação gera um profundo sentimento de valorização pessoal e autonomia financeira”, destacou. Para ela, o tema Oficina dos Saberes e Fazeres reforça esse reconhecimento. “É um olhar acolhedor para as habilidades e o trabalho manual de cada idosa. A iniciativa transcende o incentivo financeiro; ela inspira reflexão e protagonismo para os pacientes e frequentadores do Complexo”, pontua.
Apoio da comunidade acadêmica
A professora Maria Jane Aquino, responsável pela sugestão que deu origem à mudança de local, acompanhou a feira e considerou o resultado extremamente positivo. “Temos pacientes e acompanhantes que podem prestigiar o trabalho belíssimo das idosas. Esse foi um dos fatores que tornaram a edição tão bem-sucedida. Elas gostaram, venderam bastante, inclusive para funcionários e para as pessoas que passaram por aqui”, contou.
Entre as artesãs, o entusiasmo também foi evidente. Maria de Lourdes levou peças variadas e comemorou o resultado. “Trouxe bonecas, garrafas decoradas, bastante crochê, porta-pano de prato, quadros, árvore de Natal… muita coisa. Já vendi bastante. Sobre fazer aqui nesse novo espaço, achei maravilhoso. Foi muito bom, estou muito satisfeita”, contou.
A artesã Jessi Santos, que trabalha com palha de ouricurí, explicou um pouco do processo criativo. “A gente aproveita tudo: o talo, a orelha, a palha. Dá para fazer muita coisa”, disse. Ela destacou o tempo de produção. “Um trabalho pequeno eu faço em um dia, é mais ou menos umas três horas de trabalho, dependendo do tempo que tenho disponível”, diz.
Já Solange Mendes reforça que o artesanato é parte essencial de sua rotina. “Para essa exposição eu trouxe várias peças… tudo feito por mim. Não acho trabalhoso; para mim é uma terapia. Ficar sem fazer isso me deixa triste”, afirmou. Assim como as demais, ela aprovou o novo local. “Achei bem melhor do que no Mini Shopping”, destacou.
Leia também: Pauta Aberta aproxima estudantes da realidade do jornalismo e marca os 44 anos do curso da Unit