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Do olhar curioso ao planejamento urbano: a trajetória da professora Sarah França

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Unit, a atual docente da UFS relembra como a graduação moldou sua visão crítica e sua carreira dedicada ao estudo sobre as cidades

às 18h06
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Charles-Édouard Jeanneret, o “Le Corbusier” (1887-1965), considerado o pioneiro da arquitetura moderna, definiu certa vez a sua profissão como “o jogo sábio e correto dos volumes dispostos sobre a luz”. Este jogo encantou a ainda pequena Sarah Lúcia Alves França, que via naquelas formas dispostas sobre as ruas, fotos e mapas da cidade o caminho profissional que trilharia quando adulta. Há 25 anos, ela tomou esse caminho e começou a aprender os fundamentos, práticas e segredos desta disposição de formas, através do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tiradentes (Unit). E hoje, ela se dedica a ensinar estes mesmos fundamentos a outros jovens, como professora e pesquisadora da Universidade Federal de Sergipe (UFS). 

“Desde os oito anos, eu dizia que seria arquiteta e urbanista. Não entendia os conceitos, mas já sentia um chamado: uma vontade grande de olhar para a cidade e compreender suas histórias, suas desigualdades e suas possibilidades”, conta Sarah, que teve duas grandes inspirações profissionais: a mãe, Vera Lúcia Alves França, então professora do Departamento de Geografia da UFS, e o arquiteto Walter Chou, amigo da família. “Suas maquetes, pinturas e, principalmente, a prancheta que ele usava me fascinavam. Quando fui aprovada na Unit, ele me presenteou com aquela prancheta. Foi simbólico, emocionante, e até hoje guardo esse gesto como um marco do meu início”, lembra com carinho. 

Esse ponto de partida foi o curso de Arquitetura, no qual ingressou em 2000 e se formou em 2004-2. Para ela, foram quatro anos que moldaram “de forma muito profunda” o início da sua trajetória profissional. Entre as principais lembranças que ela guarda desse tempo, além das amizades e das inquietações compartilhadas, estão a confiança de seus professores em seu potencial e os trabalhos de campo, que passou a fazer e lhe permitiram “abrir os olhos” para o território real. 

“A graduação ampliou meus horizontes e moldou meu olhar crítico, despertando em mim a compreensão da cidade como um campo de disputas, direitos e responsabilidades. Foi lá que entendi que Arquitetura e Urbanismo exigem compromisso social, ética, sensibilidade e coragem diante das desigualdades urbanas. A Unit me ofereceu uma base sólida, crítica e ética. Lá, eu aprendi a olhar para as desigualdades, a compreender a cidade como campo de disputa e a assumir esse compromisso social do urbanista”, destacou Sarah, que ainda na graduação, participou de um projeto interdisciplinar do curso de Ciência da Computação, voltado ao turismo. “Ali, tive meu primeiro contato com geoprocessamento, que mais tarde se tornaria central nas minhas pesquisas sobre expansão urbana”, acrescentou.

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que Sarah França defendeu na Unit foi um estudo sobre os condomínios horizontais fechados na Zona de Expansão Urbana de Aracaju, aqui apontados como nova modalidade de segregação. Foi o início de uma pesquisa que ela veio a aprofundar entre 2009 e 2016, no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro (RJ), considerado referência nacional em estudos urbanos e habitação.

“No mestrado, analisei a Zona de Expansão de Aracaju, observando conflitos territoriais, políticas urbanas e a lógica dos condomínios horizontais. No doutorado, ampliei o recorte para toda a cidade, investigando como Estado e mercado imobiliário moldam a expansão urbana, produzindo vetores de crescimento e conflitos socioambientais. A tese virou livro e hoje é amplamente utilizada em pesquisas sobre Aracaju, algo que me enche de orgulho e responsabilidade”, diz Sarah sobre os trabalhos na UFF, que foram orientados pela professora Vera Lúcia Rezende. “Ela me desafiou, me orientou com rigor e afeto, e ampliou minha visão sobre cidade, pesquisa e papel social. Foi um encontro que mudou meu caminho e consolidou minha identidade acadêmica”, ressaltou.

Antes de ir para o Rio, a egressa da Unit foi diretora de Gestão Urbana da Secretaria Municipal de Planejamento de Aracaju (Seplan) e fez uma especialização em Planejamento Urbano e Gestão das Cidades, em Salvador (BA), além de atuar como consultora em empresas de planejamento urbano de Sergipe, Alagoas e Bahia. 

Propagando o conhecimento

Em 2016, Sarah França voltou à Unit como professora do curso de Arquitetura e Urbanismo e pôde se dedicar mais intensamente ao ensino, às pesquisas e aos projetos de extensão. A passagem durou pouco, pois ela foi aprovada no início de 2017 em um concurso da UFS. Desde então, ela leciona no Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAU) e no Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO) da universidade pública. “Mesmo permanecendo um ano, até assumir o concurso da UFS, continuo colaborando com enorme carinho em atividades, bancas e palestras. A Unit sempre será parte da minha história. Sou profundamente grata à Unit pela formação que recebi e pela jornada que começou naquela instituição. Ela faz parte da profissional e da cidadã que me tornei”, considera.

Para além das atividades de ensino e pesquisa, a egressa da Unit dedica-se ao diálogo constante com a sociedade e com o poder público sobre as cidades, no sentido de tornar o conhecimento cada vez mais acessível a todos. Na UFS, ela lidera o Cepur (Centro de Estudos de Planejamento e Práticas Urbanas e Regionais) e criou o projeto Arquiteto na Escola, com atividades de educação urbanística e cidadania junto às crianças em escolas do Ensino Fundamental. Esse projeto foi vencedor de vários prêmios, incluindo o Selo Social dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Sarah também é fundadora e coordenadora do Núcleo Aracaju da Rede Nacional do Observatório das Metrópoles, um grupo de pesquisadores formado como Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), que se dedica a estudos sobre as metrópoles brasileiras e o desenvolvimento nacional a partir das grandes cidades brasileiras, e que conta com outros 17 núcleos regionais pelo país. 

“Acredito que a ciência precisa chegar a quem toma decisões e a quem vive a cidade todos os dias. E que produzir conhecimento é uma forma de servir à sociedade”, define a professora, ao falar sobre o propósito que vem movendo a sua carreira atualmente: transformar o pensamento sobre a cidade, democratizar o conhecimento, fortalecer políticas urbanas e formar profissionais comprometidos com o território. “É isso que me guia: saber que o meu trabalho precisa servir às pessoas e contribuir para uma sociedade mais justa. Ainda que eu seja pequena no mundo, quero fazer a minha parte: a parte que me cabe como profissional e como cidadã”, define a egressa. 

E abraçar um propósito é a principal dica que Sarah dá aos que estão começando na carreira profissional: “O caminho não é fácil. Ele exige esforço, coragem, disciplina e recomeços. Mas também é um caminho cheio de descobertas, encontros transformadores e conquistas que fazem tudo valer a pena. Agarre cada oportunidade, inclusive as que dão medo. A gente cresce nos desafios. E leve isso para toda a vida: tenha um propósito. A técnica se aprende, mas o propósito sustenta. É ele que faz a arquitetura (e nós) transformarmos o mundo”.

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