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Podcast leva estudantes à etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Geografia 

Iniciativa de doutorando do PPED transformou alunos do Colégio CEA em produtores de conteúdo, unindo mídias digitais e aprendizado prático

às 18h11
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Com o objetivo de tornar o aprendizado de Geografia mais autônomo, colaborativo e conectado à realidade dos estudantes, o doutorando José Daniel Vieira Santos, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tiradentes (PPED-Unit), desenvolveu um projeto que envolveu alunos da 2ª série do Ensino Médio do Colégio CEA, em Aracaju, na produção de podcasts sobre temas geográficos e sociais. Orientado pelo professor Alexandre Chagas, José Daniel estruturou a iniciativa para estimular pesquisa, planejamento e produção de conteúdo, e o resultado se refletiu na classificação da escola para a fase presencial da Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG) 2025.

A participação do CEA na OBG não é novidade: a escola já compete há quatro anos consecutivos, mas até 2025 não havia conquistado resultados expressivos. A competição reúne estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio em todo o país, com uma fase online de três provas e uma fase presencial que seleciona uma equipe de cada segmento por estado: escolas públicas, escolas públicas com seleção e escolas privadas.

Em Sergipe, cerca de 1.786 equipes participaram, e o CEA se destacou entre instituições privadas, conquistando a classificação para Campinas, onde a fase presencial será realizada entre os dias 25/11/2025 e 28/05/2025. Segundo José Daniel, o diferencial que elevou a escola ao topo foi o projeto de podcast desenvolvido com os alunos da 2ª série. “Outras equipes da escola também foram medalhistas, porém de bronze. As equipes que participaram do podcast tiveram desempenho excepcional, mostrando que a metodologia contribuiu diretamente para o aprendizado efetivo”, destaca.

O nascimento do podcast

A ideia do podcast nasceu da experiência de José Daniel com mídias digitais na educação, especialmente durante seu mestrado, quando trabalhou com produção de vlogs para promover aprendizagem significativa crítica. “Percebi que os estudantes já estão inseridos na cibercultura e têm habilidades prévias em tecnologias digitais. Utilizar esses recursos como estratégia pedagógica se mostrou extremamente eficaz”, afirma. O podcast, como formato narrativo e dialógico, permitiu que os estudantes se tornassem produtores ativos do conhecimento, articulando conceitos geográficos com temas de política, economia e sociedade.

O projeto estruturou a turma em cinco grupos, cada um responsável por criar nome, logotipo, canal no YouTube e perfil no Instagram, garantindo a divulgação dos episódios e postagens semanais sobre os temas abordados. Cada unidade curricular gerou dois episódios: um deles consistia em entrevistas com especialistas, enquanto o outro era produzido internamente pelo grupo. “A dinâmica proporcionou variedade, aprofundamento teórico e desenvolvimento de habilidades comunicacionais, além de estimular pesquisa, planejamento e trabalho em equipe”, explica José Daniel.

O cronograma exigiu que os alunos organizassem antecipadamente os temas, identificassem conexões entre o conteúdo estudado em sala de aula e os episódios, e estudassem de forma aprofundada os conceitos geográficos. A participação ativa em todas as etapas, da roteirização à edição e gestão das plataformas digitais, desenvolveu não apenas competências acadêmicas, mas também habilidades socioemocionais, como escuta ativa, negociação e resolução de conflitos.

Gravações no CCS

As gravações foram realizadas no Complexo de Comunicação Social (CCS) da Unit, onde os estudantes tiveram contato com equipamentos profissionais e acompanhamento técnico especializado. Inicialmente, alguns alunos demonstraram timidez e desconforto, mas a preparação prévia em sala e o acolhimento da equipe do CCS transformaram a experiência. “O layout profissional e a orientação da equipe permitiram que eles explorassem a Geografia de forma diferente, criativa e autoral. Foi impressionante observar a evolução de cada grupo”, afirma José Daniel.

As gravações aconteciam uma vez por mês, de forma direta e sem cortes, exigindo domínio do conteúdo. A equipe do CCS ficava responsável pela edição final e envio do material pronto para publicação nos canais dos grupos. “O projeto não se limitou a ensinar Geografia. Ele envolveu gestão de projetos, comunicação e letramento digital, preparando os alunos para desafios do século 21”, completa o doutorando.

Impacto na Olimpíada 

O resultado do projeto se refletiu diretamente na OBG. “Todas as equipes medalhistas do CEA participaram do podcast. As que não participaram não foram medalhistas, o que evidencia que a metodologia foi o grande diferencial”, comenta José Daniel. Além do desempenho na competição, o projeto proporcionou aos estudantes desenvolvimento de autonomia intelectual, reflexão crítica, habilidades de comunicação e letramento digital.

“O podcast conecta teoria e prática, estimula a investigação e promove reflexão sobre questões sociais e políticas contemporâneas”, observa José Daniel. A experiência fortalece a postura investigativa dos alunos e contribui para formar cidadãos mais críticos e engajados.

O projeto seguirá ativo após a Olimpíada. O doutorando planeja ampliar a iniciativa para outras turmas e criar uma rede colaborativa entre diferentes séries, em que estudantes mais experientes possam orientar os iniciantes. Além disso, pretende integrar Inteligência Artificial nos processos de pesquisa e roteirização, aproveitando sua investigação de doutorado. Parte do conteúdo já está disponível no YouTube, democratizando o conhecimento produzido pelos estudantes.

José Daniel destaca ainda que os melhores episódios poderão se tornar material didático complementar, e há planos de estabelecer uma parceria mais sistemática entre o CEA e a Unit para criar uma série de podcasts educacionais abordando diferentes disciplinas. “Como pesquisador, vejo que tecnologias digitais mediadas pedagógica e teoricamente potencializam a aprendizagem significativa crítica. Como professor, é a prova de que investir na autonomia dos estudantes transforma a relação deles com o conhecimento. Ver meus alunos se desenvolverem e serem reconhecidos nacionalmente é a maior recompensa”, conclui José Daniel.

Para conferir o material produzido basta acessar esse link.

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