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Parceria entre Polícia Federal e Unit impulsiona capacitação em inteligência artificial

Imersão no Tiradentes Innovation Center mostrou como IA pode otimizar investigações, análises de dados e rotinas administrativas

às 20h48
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A adoção acelerada da inteligência artificial nas instituições públicas impõe um desafio imediato: compreender tecnicamente essas tecnologias e incorporá-las a processos que vão da gestão administrativa à atividade investigativa. Para órgãos de segurança como a Polícia Federal, que lidam diariamente com grandes volumes de dados, documentos, imagens e informações sensíveis, acompanhar essa transformação se tornou uma demanda urgente. 

Como parte do esforço de modernização de seus processos, a Polícia Federal em Sergipe participou nesta quarta-feira, 26, de uma imersão sobre IA realizada no Tiradentes Innovation Center (TIC), iniciativa que integra o Acordo de Cooperação Técnica vigente entre a instituição e a Universidade Tiradentes (Unit).  Segundo Fábio Santos, diretor de Tecnologia do Grupo Tiradentes, o evento marca mais um capítulo de uma colaboração que vem sendo ampliada ao longo dos últimos anos. 

“A proposta surgiu a partir do interesse da superintendente em ampliar o conhecimento da corporação sobre inteligência artificial e suas aplicações práticas no trabalho policial. A iniciativa busca apresentar desde os fundamentos da tecnologia até suas possibilidades de uso pelos agentes. É uma grande honra contribuir com a formação de uma instituição tão essencial e respeitada no país” afirmou.

Parceria estratégica 

Para Fábio, iniciativas desse tipo dialogam diretamente com o DNA do Grupo Tiradentes, marcado por parcerias com grandes empresas de tecnologia e pela promoção constante de ambientes de inovação. Ele destacou que a cooperação com a PF reforça a missão institucional de contribuir com a sociedade por meio do conhecimento. “A inovação sempre foi um ponto muito forte na história do Grupo Tiradentes. Com o fortalecimento dessas iniciativas e com a expansão do Tech Park, vemos cada vez mais oportunidades de crescimento e de desenvolvimento tecnológico”, acrescentou.

De acordo com Valter Santana, diretor de Relações Institucionais da Unit, o momento reforça o papel da universidade como espaço de articulação e difusão científica. Ele destacou que receber a PF no campus simboliza a aplicação prática do saber acadêmico. “A Unit se coloca à disposição de parceiros tão importantes, oferecendo aquilo que temos de melhor: conhecimento. Esse momento representa a aplicação prática desse conhecimento em um órgão essencial para o nosso estado”, avaliou.

Fundamentos da IA e impacto direto

A programação iniciou com uma palestra de caráter introdutório apresentada pelo professor Victor Flávio Araújo, que buscou reconstruir a compreensão do público sobre o que realmente é inteligência artificial. Ele explicou que grande parte das percepções sobre IA está distorcida por informações incompletas ou equivocadas difundidas na mídia. “Quero ampliar a visão sobre as possibilidades que essas tecnologias oferecem à Polícia Federal, especialmente no campo da visão computacional. A IA não se resume a chatbots”, esclareceu.

Victor apresentou exemplos concretos de aplicações já utilizadas em ambientes policiais, como ferramentas de reconhecimento facial, modelos aplicados à área forense e projetos de reconstrução de cenas investigativas com apoio da ADA Metaverse. “O potencial da IA vai além de respostas automatizadas, envolvendo técnicas capazes de extrair dados complexos a partir de imagens, vídeos e registros periciais. A ideia é desmistificar o uso da IA e mostrar possibilidades que vão muito além de apenas conversar com o chat GPT”, completou.

Para Victor, a parceria viabiliza projetos com forte impacto social e científico. Ele destacou que o Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Tecnologia, Computação e Sociedade (GPITICS), responsável por pesquisas com dados públicos e técnicas de IA, ganha amplitude ao trabalhar com desafios reais trazidos pela Polícia Federal. “Conseguimos desenvolver soluções que contribuem diretamente com a sociedade. Para a pesquisa, considero algo extremamente valioso, e para a instituição, nem se fala”, afirmou.

IA generativa na gestão e no cotidiano

A segunda parte da programação foi conduzida pelo professor Alexandre Chagas, que abordou aplicações da IA generativa na rotina administrativa da Polícia Federal. Ele apresentou ferramentas capazes de otimizar atividades como elaboração de documentos, relatórios, despachos e atas de reunião, além de agentes autônomos capazes de realizar pesquisas estruturadas. “A intenção é apresentar as possibilidades para que cada profissional possa utilizar essas ferramentas da melhor forma possível em sua rotina”, explicou.

Alexandre destacou que um dos maiores impactos da IA generativa está na redução da sobrecarga de tarefas repetitivas, permitindo que policiais e servidores concentrem tempo e energia nas atividades que exigem análise humana, especialmente investigações. “Com o apoio da IA generativa, eles tendem a ficar menos sobrecarregados e mais concentrados, porque conseguem direcionar energia para aquilo que realmente exige análise humana”, pontuou.

O professor também ressaltou que parcerias como essa estimulam novas linhas de pesquisa dentro da universidade. Ele relatou que sua atuação acadêmica em IA generativa começou justamente a partir das demandas identificadas junto a instituições parceiras. “Essas colaborações revelam necessidades reais e despertam a importância de trazer novidades, tendências e aplicações práticas para quem está em atuação”, afirmou.

Aplicações investigativas

A terceira palestra foi conduzida pelo perito criminal e professor Jorge Barreto, que tratou do uso do processamento de linguagem natural (NLP) em atividades comuns à rotina policial. Ele explicou que a técnica permite transformar arquivos de áudio e vídeo em texto, automatizando procedimentos como degravações, oitivas e interceptações telefônicas. “A proposta é apresentar a NLP como uma ferramenta que aumenta a produtividade e torna o processo mais eficiente”, destacou.

Segundo Jorge, a tecnologia já se tornou indispensável para acelerar etapas fundamentais da investigação criminal. Ele enfatizou que a integração entre a universidade e a PF permite aprimorar ferramentas desse tipo e torná-las mais acessíveis aos agentes. “Essa troca faz parte do tripé universitário, pesquisa, ensino e extensão. Quando compartilhamos tecnologia e inovação com a sociedade, cumprimos nossa função social”, avaliou.

Para a Polícia Federal, a capacitação em IA faz parte de uma estratégia institucional de modernização. Diego Dantas, responsável pela Unidade de Gerenciamento de Edital (UGE) da PF em Sergipe, afirmou que a iniciativa prepara o efetivo para utilizar tecnologias emergentes com eficiência e segurança. “Essa parceria é essencial para modernizar e capacitar nosso time, aprimorar nossos serviços e potencializar os resultados das investigações”, declarou.

Futuro da IA na Polícia Federal

A superintendente da Polícia Federal em Sergipe, delegada Aline Marchesini, reforçou a importância da parceria iniciada em 2023 e destacou o papel da universidade na formação técnica dos agentes. “A inteligência artificial já integra parte das atividades da PF, mas o uso ainda pode ser ampliado com apoio de formações estruturadas. É fundamental que servidores e policiais federais recebam esclarecimentos sobre como utilizar essas ferramentas, não apenas nas investigações, mas também na gestão, agilizando procedimentos e otimizando nossas atividades”, afirmou.

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