A busca por aprender sobre a fauna brasileira e as pesquisas científicas que se fazem a respeito dela foi o caminho que trouxe mais uma estudante estrangeira para a Universidade Tiradentes (Unit): a italiana Aurora Gilli, que faz o último ano de especialização em Biologia na Università degli Studi di Ferrara (Unife), em Ferrara (Itália). Desde o último dia 4 de novembro, ela está em Aracaju para fazer três meses de intercâmbio voluntário no Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde (PBS) e no Laboratório de Biologia Tropical (ITP), que pertence ao Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP).
Neste tempo, ela vem acompanhando todas as atividades da equipe do laboratório, incluindo as visitas de campo em praias e áreas de mata e manguezal em regiões da Grande Aracaju e do litoral sergipano, como Pirambu, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Nestes trabalhos, Aurora participa das estratégias de coleta de campo e manipulação de animais recolhidos para os estudos. O intercâmbio prevê ainda uma série de visitas e atividades junto ao Projeto Tamar, do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), que atua na preservação e proteção das tartarugas-marinhas no litoral brasileiro.
A italiana conta que o objetivo da vinda ao Brasil é aprender o máximo possível sobre os animais e a fauna tropical do Brasil e os estudos realizados no ITP, em comparação com os estudos desenvolvidos na Itália. “Sempre tive algum interesse por essa parte da biologia. Na Itália, não temos a mesma coisa, mas sempre quero ir para outro país fazer isso e, quando tenho essa oportunidade, vou para lá. Estou começando a estudar animais em campo, muitas coisas de veterinária, como animais de laboratório e parasitologia. Tem muitas coisas diferentes, porque aqui no Brasil há tantas oportunidades de vida selvagem que na Itália não temos”, disse Aurora.
A vinda da estudante de Biologia ao Brasil foi intermediada através de um primo dela, Douglas Arn, que mora em Aracaju há mais de 20 anos é doutorando do PBS e já tem o mestrado pelo mesmo programa. Segundo ele, Aurora já estava interessada em conhecer o Brasil e todo o seu ambiente de pesquisa e ciência nas áreas de biologia e ecologia. “Ela quis mudar um pouco do cenário europeu para um cenário mais tropical. Com a possibilidade dessa vinda dela, a gente acertou com os coordenadores do laboratório que ela realizasse um estágio voluntário aqui. E teve um impacto positivo na questão das diferenças entre o ensino de lá e o aqui, principalmente porque lá não existem campi como a gente tem aqui, mais estruturados e com acessos a outras coisas além da sala de aula. É algo que ela vai levar para lá”, relatou.
A italiana confirmou a boa impressão que teve do cenário científico brasileiro em sua área de atuação. “A principal diferença que notei foi o investimento em pesquisa na minha área, porque na Itália não se investe tanto dinheiro em pesquisa ou na instrumentação do laboratório. E há muito mais experiência de campo, o que não é possível na Itália devido à natureza que temos”, considerou ela, que também gostou das estruturas e dos ambientes da Unit e do ITP. “Cada universidade que visitei é tão diferente. Há muitos instrumentos que eu nunca vi antes”, acrescenta Gilli.
Por dentro das pesquisas
Uma das pesquisas que vem sendo acompanhada por Aurora em seu estágio é sobre a “Relação espaço-ambiente na identificação de potencial área de expansão de Trypanosoma cruzi na Caatinga”. Este projeto tem financiamento do CNPq e é executado pelo grupo de pesquisa Patologia das Doenças Tropicais, integrado pelo professor Rubens Riscala Madi, que coordena o LBT, e pelas professoras Cláudia Moura de Melo e Verônica Sierpe Jertaldo, ambas também ligadas ao PBS/Unit e ao ITP.
“A gente procura integrar a Aurora nas rotinas aqui do laboratório. Ela está acompanhando mais de perto ao Douglas, mas quando tem tem alguma outra atividade de campo, de outro orientado de doutorado, ela acompanha também, para ela ter essa essa noção de distribuição de tarefas e de outras vertentes de trabalhos que a gente faz. Como este é um laboratório que trabalha com a biologia tropical associada às doenças negligenciadas, então tem essas várias frentes que a gente vai buscando, trabalhando as doenças endêmicas principais aqui de Sergipe, que são as doenças hematógenas e a doença de Chagas”, define Madi.
O coordenador explica também que esta é a primeira vez que o LBT recebe a visita e o intercâmbio de uma estudante estrangeira, o que abre mais possibilidades de integração e parcerias com outras universidades e centros de pesquisa no exterior. “A gente não tem parceria lá com a universidade da Aurora, mas como ela se interessou em vir para cá e teve essa oportunidade, nós abrimos as portas do laboratório para ela poder fazer esse tipo de intercâmbio. No final, ela vai levar para lá o trabalho que a gente faz aqui e vai levar o conhecimento sobre o que foi feito aqui para as pessoas com quem ela vai trabalhar lá. Provavelmente, se houver interesse deles lá na região e vir trabalhar aqui conosco, a gente pode fazer esse intercâmbio sem problema nenhum. As portas aqui estão sempre abertas para isso”, assegura Rubens
Outros aprendizados
Aurora vem sendo acompanhada pelos outros alunos e pesquisadores do PBS, cuja interação atende a outro objetivo importante do intercâmbio: a imersão linguística, incentivando o estudo do inglês e do italiano pelos alunos e auxiliando na prática da fala do português com a prática da conversação e apresentação de seminário. A comunicação dos brasileiros foi algo que chamou a atenção da estudante. “As pessoas na Itália são mais reservadas. Aqui elas são mais abertas, expansivas, e todo mundo tenta falar comigo. Eles não falam inglês, mas com muita dificuldade conseguimos conversar um pouco de italiano, um pouco de português brasileiro, um pouco de inglês”, conta Aurora, que também se interessou pela culinária e pelas altas temperaturas. “Aqui faz entre 25 e 30 graus nessa época, mas eu adoro calor. Está bom”, aprova.
A estudante deve voltar em 28 de janeiro para Ferrara, cidade histórica que fica no centro-norte da Itália, a 430 quilômetros da capital, Roma. Até lá, ela pretende conhecer museus e memoriais de Aracaju, como o Memorial de Sergipe Professor Jouberto Uchôa e o Museu da Gente Sergipana. E nas férias de Natal e Ano-Novo, pretende conhecer outras capitais brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro. “Estou interessada em várias coisas, como sons de animais que eu não ouvi e não vi, e para conhecer outras culturas. Eu acho que, com uma experiência como essa, eu volto para a Itália com mais oportunidade porque muitas coisas que vemos aqui a gente não tem lá, como a experiência de campo e toda a experiência da vida selvagem. Eu tento aprender o máximo possível com essa experiência”, conclui a italiana.
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