Das salas e corredores do Campus Farolândia para o ensino e a liderança de projetos e equipes na área de inovação e tecnologia. Assim pode ser resumida a trajetória do sergipano Fabrinio Andes Santana Lemos, que fez a graduação em Sistemas de Informação na Universidade Tiradentes (Unit) e hoje é professor-assistente dos cursos de Tecnologia da Informação (TI), além de diretor-geral de Tecnologia em uma companhia multinacional da área de varejo, na qual vive o ponto alto dos seus 18 anos de carreira.
Essa trajetória começou em 2002, quando ele decidiu fazer Sistemas de Informação e prestou o vestibular daquele ano para entrar na Unit. Ele conta que o interesse pela área de tecnologia vem de casa: o pai já trabalhava no ramo e tinha empresas especializadas em Salvador, o que colocou o pequeno Fabrínio desde cedo em contato com computadores, teclados, disquetes e monitores.
“A Unit não criou esse interesse, mas foi fundamental para potencializá-lo, ampliar meu horizonte e transformar essa base inicial em formação técnica e visão profissional. “Na época, a Unit era uma das poucas universidades com estrutura adequada e um modelo de curso realmente moderno. Além disso, contava com professores experientes, atuantes no mercado e amplamente reconhecidos profissionalmente, o que fazia a formação ser muito mais prática e alinhada com a realidade”, diz o egresso, que viveu uma rotina de superação e sacrifícios, especialmente nos dois primeiros anos do curso: teve que trabalhar de manhã e de tarde, além de estudar a noite, todos os dias.
Entre as principais lembranças que Fabrínio guardou do curso, estão os professores do corpo docente, a estrutura da Unit, os laboratórios e os trabalhos práticos. “O que mais me marcou foram os desafios reais, principalmente os projetos práticos de Banco de Dados e Programação. Chegamos a passar cerca de quatro meses desenvolvendo um projeto de banco de dados, com o desafio de operar a mesma solução tanto em bancos padrão de mercado quanto em bancos de dados mais modernos, o que trouxe uma visão muito próxima da realidade profissional”, lembrou Fabrínio.
Um exemplo vivenciado por ele foi na disciplina Engenharia de Software, onde executou projetos práticos que lhe permitiram fazer um trabalho de campo junto a uma companhia aérea em Aracaju. “Um desses projetos resultou em um sistema offline de emissão de tickets e controle de embarque, que chegou a ser utilizado temporariamente pela empresa em situações de queda dos sistemas online, evitando atrasos e problemas na saída dos voos. A solução organizava assentos e permitia a etiquetagem de bagagens, algo que na época não era possível. O projeto nasceu como iniciativa do grupo e acabou sendo usado em Aracaju e replicado em outros aeroportos da companhia, até ser substituído por uma solução corporativa oficial”, descreve Lemos.
Galgando postos
O curso de graduação foi concluído em 2007, e logo em seguida veio uma especialização em Banco de Dados e um MBA em Liderança, Inovação e Gestão 4.0, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). “Minha primeira especialização veio logo após a saída da Unit, a partir da monografia e do trabalho de conclusão de curso. Fiquei tão envolvido com a área de Banco de Dados que segui direto para a especialização, e isso acabou abrindo muitos caminhos na minha carreira ao longo dos anos”, disse Fabrínio, sobre o seu interesse na área de Dados.
O primeiro estágio também veio na época da faculdade, no Banco do Estado de Sergipe (Banese). Em seguida, começou a atuar em uma grande rede varejista de Aracaju, onde passou a atuar na administração do banco de dados e chegou a prestar consultoria em outra empresa. Voltou para a rede em 2012, quando ela já estava incorporada a um grupo multinacional, assumiu a operação dos serviços de tecnologia e foi galgando posições de liderança e de gerência nas esferas regional e nacional. Até que em 2023, a empresa escolheu Fabrínio para ser seu CTO (Chief Technology Officer) Corporativo, ou seja, liderar e dirigir toda a estratégia corporativa de tecnologia da companhia, estando no Brasil e impactando outros seis países da América do Sul, nos quais ela está presente.
“Um profissional de tecnologia precisa ir muito além da operação do dia a dia. Ele deve ter a capacidade de visualizar o futuro tecnológico, provocar mudanças e preparar as corporações para habilitar novas tecnologias antes que elas se tornem padrão de mercado. Isso envolve antecipar movimentos, como a evolução das inteligências artificiais modernas e das IAs conversacionais, entender o impacto dessas transformações e preparar pessoas, processos e arquitetura para absorvê-las. Para isso, é fundamental estudar continuamente, ler muito e se apoiar em instituições globais que analisam tendências e direcionam o mercado, como o Gartner e a Forrester, transformando visão em decisões práticas e estratégicas”, explica o egresso.
Em dezembro do ano passado, Fabrínio foi um dos homenageados no prêmio TOP 50 Executivos de Destaque em Inovação e Tecnologia, sendo indicado na categoria Inovação. Para ele, a indicação foi uma surpresa e veio de pessoas que passaram por ele ao longo da carreira, como colegas ou como clientes. A concessão do prêmio passou por duas etapas de curadoria, sendo uma avaliação do perfil e um questionário detalhado sobre a trajetória profissional, que foram seguidas por uma votação pública.
Para o egresso da Unit, sua indicação ao TOP 50 foi gratificante, mas abre espaço para uma reflexão: “Esse momento reforçou para mim a importância de ter um propósito claro e seguir firme nele. O meu é muito simples e muito forte: entregar à minha família oportunidades que eu não tive por limitações da época e, todos os dias, sair de casa tentando ser melhor do que fui ontem, deixando um rastro de orgulho, principalmente para meus filhos, que se espelham nos pais para construir seus próprios caminhos. As coisas acontecem quando a gente menos espera, e acontecem independentemente de onde você está”, disse ele.
Voltando para casa
Em paralelo à sua trajetória como profissional e executivo de TI, Fabrínio Lemos também abraçou o ensino acadêmico, como forma de partilhar seus conhecimentos e sua experiência com outros jovens que pretendem seguir carreira na área. Em 2011, foi aprovado em concurso para ser professor substituto da Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde ficou por um ano e seis meses e foi o primeiro substituto a ser homenageado por uma turma. E lecionou ainda em outras duas faculdades particulares de Aracaju. Até que, em meados de 2025, surgiu o convite para retornar à Unit, mesma instituição que o formou, como professor-assistente dos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS). O momento desta volta é definido por ele como “muito especial e difícil de descrever”.
“Existe um impacto emocional grande em entrar em uma sala de aula onde, um dia, eu estive sentado sendo orientado por grandes professores, ao lado de colegas que fizeram parte da minha formação. Voltar agora, com outra responsabilidade, fecha um ciclo muito importante da minha vida profissional e pessoal”, descreve Fabrínio, que define o ato de ensinar é uma dádiva. “Ele permite compartilhar aquilo que aprendemos e, ao mesmo tempo, continuar aprendendo com os próprios alunos. Fazer isso na Unit, com toda a estrutura, suporte e seriedade da instituição, é algo que realmente valorizo e que me enche de orgulho”, diz ele.
O professor ressalta que a Unit teve um papel fundamental na sua trajetória profissional e pessoal, tanto pela formação como pela evolução consistente que construiu ao longo dos anos no mercado educacional, passando por uma transformação institucional reconhecida em níveis nacional e internacional. E acrescenta um outro motivo especial para a sua emoção: a partir do semestre 2026-1, um de seus alunos na Unit será o próprio filho mais velho, que é calouro do mesmo curso de Sistemas de Informação e já está matriculado. “É onde estou depositando o futuro dele, que prontamente será mais um colega de profissão formado pela Unit. Poder compartilhar conhecimento no mesmo ambiente que me formou, unindo gerações e histórias, é algo que traz um sentimento profundo de gratidão, orgulho e propósito”, considerou.
Leia mais:
Pesquisa brasileira sobre educação sexual nas escolas ganha continuidade no Reino Unido