Ao completar 25 anos de construção e fundação, a Biblioteca Central Jacinto Uchôa se firma diariamente como um dos principais espaços de estudo, preservação e divulgação do conhecimento em Aracaju. Mantida pela Universidade Tiradentes (Unit), ela funciona desde 9 de abril de 2001 em um amplo prédio no Campus Farolândia, com quatro andares, 7.492 m² de área construída e um acervo com cerca de 250 mil exemplares físicos e virtuais. Além de abrigar esse acervo, a Biblioteca dispõe de uma ampla estrutura de salas de estudo e de acervo, galerias, sala de multimeios e áreas para a realização de eventos. E também é a unidade-sede do Sistema Integrado de Bibliotecas do Grupo Tiradentes (SIB).
Uma ampla programação está sendo preparada ao longo dos próximos meses para marcar os 25 anos de inauguração da Jacinto Uchôa. Eles deverão incluir a celebração de uma missa em ação de graças, a realização de lançamentos de livros publicados por pesquisadores da Unit e a criação de uma exposição permanente sobre a história da própria Biblioteca, desde a sua criação até o momento atual, passando por todo o processo de construção do Campus Farolândia. As datas dos eventos ainda serão confirmadas.
“O surgimento da Biblioteca está atrelado ao surgimento do Campus. Quando a estrutura dele começou a ser construída, surgiram juntamente a Capela, os blocos e o prédio da Biblioteca, com essa estrutura que ele tem hoje. Mesmo tendo passado tanto tempo, ela ainda é a atual e a gente vem sempre pensando nas questões relacionadas à modernidade e à modernização da Biblioteca, diz a bibliotecária Gislene Maria da Silva Dias, coordenadora da Jacinto Uchôa, ao destacar que o prédio atual é o segundo maior do Campus Farolândia, perdendo apenas para o da Reitoria.
“A Biblioteca é um enorme espaço de convivência e de aconchego, onde os alunos ficam a gente atende a comunidade.Temos essa ligação, por sermos o início de tudo. Todas as tribos, idéias e pessoas passam por aqui, além do espaço cultural servir como local para a realização de eventos, lançamentos e congressos. Nós pretendemos e vamos destacar tudo isso, mostrando o fato de a Biblioteca ser viva”, afirma Gislene, sobre os planos para a exposição permanente. Também serão apresentadas fotografias antigas e entrevistas com antigos e atuais colaboradores que passaram no espaço.
A tranquilidade e o conforto da biblioteca como espaço de estudos atraem muitos estudantes da Unit, que frequentam o local diariamente para se aprofundar nos conteúdos aprendidos ou realizar as tarefas acadêmicas. É o caso do pesquisador Anderson Ezequiel Silva, que está concluindo o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PSA). “Foi a primeira vez que eu vim, para fazer uma reunião, e eu achei fantástica, com uma área muito boa. Conheço muitas bibliotecas, mas essa daqui realmente supera todas em qualidade, condições, salas individuais muito boas, área muito ampla. Dá realmente para fazer qualquer tipo de trabalho aqui”, elogia Anderson.
Ele estava acompanhado na Biblioteca por Breno Oliveira Martins Segundo, aluno do sexto período de Engenharia Mecânica e participante da iniciação científica. “Eu acho que ela dá muitas opções para quem quer vir aqui. Às vezes a pessoa não gosta de ar-condicionado, ela fica presa, não tem como ir, tem problemas respiratórios … Mas a biblioteca tem uma área livre para esse tipo de pessoa, ou às vezes a pessoa só quer pegar um vento natural mesmo. Os espaços das cabines eu acho interessantíssimo, porque a pessoa quer estudar com mais tranquilidade ainda. Ela tem essa opção, acho excelente e gosto muito de vir aqui, venho muito quando o laboratório tá cheio, que é o ambiente que eu que eu fico”, completa Breno.
A estrutura atual
Hoje, a Biblioteca Central Jacinto Uchôa atende a um público estimado em mais de 50 mil pessoas por ano. Em seu térreo, além do acervo principal de livros, enciclopédias e dicionários, ela conta com um espaço para achados e perdidos; um Foyer (vão livre) com jardim e fonte luminosa no qual são realizadas exposições artísticas, lançamentos de livros, e outras apresentações culturais; e uma recepção que faz o controle de empréstimos e devoluções de livros e das chaves de seus 268 guarda-volumes. O pavimento conta ainda com o Espaço do Professor, dotado de recursos técnico-pedagógicos e disponível para os professores desenvolverem suas pesquisas e atenderem aos alunos.
Já no primeiro piso, destaca-se um amplo espaço para estudos em grupo, com 71 mesas redondas e 24 retangulares, 428 cadeiras e vista para um jardim suspenso amplamente harmonizado. Também estão presentes o Setor de Monografias, que preserva os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) apresentados pelos alunos de graduação desde a criação de cada curso; o Núcleo de Estudo de Direito composto por 819 títulos; e a Mapoteca, formada por uma variedade de mapas geográficos, históricos, econômicos e culturais do Brasil, de Sergipe, dos estados e regiões de todo o globo terrestre.
O pavimento sedia a Galeria de Arte Félix Mendes, com telas e esculturas de artistas sergipanos; parte do acervo pessoal do reitor Jouberto Uchôa de Mendonça e todo o acervo doado pela família do jornalista sergipano Joel Silveira (1918-2007). Soma-se ainda o Laboratório de Imagens Lineu Lins, que reúne mais de 25 mil imagens do acervo fotográfico de Lineu Lins (1938-2022) e de outros artistas sergipanos. Entre elas, muitos registros da cidade de Aracaju entre as décadas de 1960 e 1980.
O segundo piso é onde funciona o Núcleo de Apoio Pedagógico e Psicossocial (Napps), que presta atendimento e acolhimento a estudantes, professores e colaboradores. Também funciona a Biblioteca Inclusiva, com equipamentos e softwares para atender a demanda de pessoas com surdez, cegueira ou baixa visão, além do acervo da Dorinateca, biblioteca virtual da Fundação Dorina Nowill para Cegos, que disponibiliza livros nos formatos Braille, Falado e Digital. O pavimento oferece ainda o Espaço do Silêncio, com 84 cabines individuais para estudos; e o Setor de Multimeios, que oferece computadores e chromebooks com acesso à internet à disposição dos alunos, além de um acervo de materiais não convencionais, em mídias (DVD e CD) de cunho científico.
O último piso do prédio da Jacinto Uchôa é um terraço, dedicado a eventos da instituição e de outros parceiros, como convenções, confraternizações empresariais e acadêmicas, palestras, cursos, workshop e reuniões. Ele tem ainda uma bela vista panorâmica, contemplando todo o jardim e área arborizada do Campus Farolândia. No momento o espaço passa por uma reforma para modernização e construção de dois amplos auditórios.
O espaço de Tobias
Além do acervo pessoal de Joel Silveira, homenageado com uma exposição permanente instalada em 2018, nos 100 anos de seu nascimento, a Biblioteca Jacinto Uchôa sedia ainda o Instituto Tobias Barreto de Educação e Cultura (ITBEC), criado para preservar e divulgar os acervos culturais pertencentes a dois grandes nomes da intelectualidade sergipana: o filósofo e jurista Tobias Barreto de Menezes (1839-1889) e o jornalista e historiador Luiz Antônio Barreto (1944-2012). Juntos, eles reúnem mais de 30 mil itens, entre livros, trabalhos acadêmicos e pesquisas, fotografias, arquivos digitais e audiovisuais.
O ITBEC passou a funcionar no segundo piso da Jacinto Uchôa desde novembro de 2011, quando todo o seu acervo foi incorporado à Unit. Para a bibliotecária Alda Teresa Nunes de Freitas, responsável pelo ITBEC, a presença desse acervo reforça a biblioteca como um dos principais espaços de preservação da memória e da cultura sergipana. “A importância dele está justamente nessas fontes de informação para o pesquisador, que pode ser tanto o acadêmico quanto o que vem tratar da pesquisa científica. Também na característica desse acervo, que tem o doutor Luiz Antônio como o grande mentor da cultura, da educação e da história local”, diz Alda.
O acervo atrai principalmente pesquisadores e estudiosos interessados na obra e na vida de Tobias Barreto, que foi um dos principais pensadores brasileiros do século XIX e esteve entre os fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL). “Muitos pesquisadores externos vêm para cá por meses seguidos, em busca de livros, escritos e outros itens que falam sobre Tobias Barreto, que é o patrono do instituto e foi um grande jurista. Mas aqui temos um acervo misto com muitos documentários, muitas falas de personalidades sergipanas”, detalha Alda, acrescentando que boa parte desses materiais ainda passa por processos de tratamento, restauração e catalogação.
Serviço
A Biblioteca Central Jacinto Uchôa funciona de segunda à sexta, das 7h às 22h, e aos sábados, das 7h às 16h. Para outras informações, pode-se entrar em contato através do e-mail ou dos telefones (79) 3218-2207 e 3218-2176.
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