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Projeto de monitoramento ambiental vence etapa estadual do Prêmio Educador Transformador

InSpectra IoT foi destaque na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação

às 20h45
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Promovido pelo Sebrae, pela Bett Brasil, a maior feira educacional do país e pelo Instituto Significare, o Prêmio Educador Transformador chega à terceira edição com a proposta de identificar, reconhecer e potencializar ideias com potencial de impacto na educação brasileira. Voltado a educadores da Educação Infantil ao Ensino Superior, o prêmio tem como foco a educação empreendedora e, diferentemente de outras iniciativas, prioriza propostas em fase de desenvolvimento, e não apenas projetos já concluídos.

A edição deste ano mobilizou professores de todo o país em torno do tema “Educação para enfrentar crises e construir futuros sustentáveis”, estimulando soluções alinhadas a desafios como mudanças climáticas, saúde mental, tecnologias digitais, equidade e aprendizagem ativa. Na categoria Inclusão e Sustentabilidade na Educação, os avaliadores observam critérios como impacto mensurável, possibilidade de replicação, protagonismo estudantil e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Foi nesse contexto que o professor dos cursos de Engenharia da Universidade Tiradentes (Unit), Silvio Leonardo Valença, conquistou o 1º lugar na etapa estadual em Sergipe. Ele participou com o projeto InSpectra IoT, desenvolvido no Centro de Excelência Governador Albano Franco (CEGAF), em Aracaju, que propõe o monitoramento inteligente do ambiente escolar com foco em inclusão e bem-estar.

De acordo com Silvio, o diferencial do prêmio está justamente no caráter formativo da jornada. “Diferentemente de outros prêmios que focam em projetos já concluídos, essa edição se concentra na ideia e na proposta. O processo de inscrição já é uma experiência de desenvolvimento profissional, porque a gente é provocado a estruturar melhor a solução, validar hipóteses e pensar em escala”, explicou.

Projeto premiado

O projeto submetido é um dispositivo de baixo custo, inferior a R$ 180 por unidade, capaz de monitorar em tempo real níveis de ruído, temperatura e umidade em salas de aula. Os dados são transmitidos por Wi-Fi ou LoRaWAN, um protocolo de rede de longa distância, para um aplicativo acessado por professores e gestores, permitindo intervenções rápidas quando os índices ultrapassam parâmetros considerados adequados.

Na prática, quando o ruído excede 65 decibéis, o sistema emite alertas visuais e notificações sonoras. Para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equipamento também conta com alerta vibratório discreto, pensado para reduzir sobrecargas sensoriais. Segundo o professor, essa adaptação foi essencial para consolidar o caráter inclusivo da proposta. “Antes da implantação, tínhamos registros de crises sensoriais em até 40% das aulas observadas. Após o uso do dispositivo, esse número caiu para cerca de 5%, o que demonstra um impacto real no cotidiano escolar”, afirmou.

O projeto também apresentou resultados quantitativos expressivos. De acordo com Silvio, houve redução média do ruído de 72 dB para 47 dB nas salas monitoradas, além de diminuição de 30% na fadiga vocal relatada por professores. “Não se trata apenas de medir dados, mas de transformar esses dados em decisões pedagógicas e em melhoria concreta das condições de ensino”, pontuou.

Outro aspecto destacado na avaliação foi a possibilidade de replicação em larga escala. Com código aberto e custo acessível, o InSpectra IoT pode ser implementado em outras escolas da rede pública, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo o alinhamento com os ODS 11 e 13, voltados a cidades sustentáveis e ação climática.

Protagonismo estudantil

A trajetória até o primeiro lugar estadual envolveu uma jornada metodológica estruturada em quatro etapas: imersão, ideação, prototipação e desenvolvimento. O processo começou com a identificação do problema no ambiente escolar e evoluiu para testes em três salas de aula, até a implementação em cinco espaços, com resultados documentados.

Os alunos do curso Técnico em Segurança do Trabalho do CEGAF tiveram participação central em todas as fases. Eles contribuíram na identificação das demandas, colaboraram na construção do protótipo, instalaram os dispositivos, em menos de cinco minutos por sala, e atuam como equipe rotativa de suporte técnico. “Eles não são apenas beneficiários; são coautores da solução. Participaram do brainstorming, da montagem e da calibração, e hoje interpretam os dados dentro das disciplinas de Física, Biologia e Segurança do Trabalho”, destacou o professor.

Silvio ressalta que essa vivência transforma o projeto em um laboratório vivo de aprendizagem ativa e empreendedorismo. “Quando o estudante percebe que aquilo que ele construiu está melhorando a qualidade de vida da própria escola, ele entende, na prática, o que é inovação com responsabilidade social”, observou.

A proposta nasceu de iniciativa do docente, mas rapidamente ganhou respaldo institucional e articulação com parceiros estratégicos, como a Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (SEED-SE), além de conexões com universidades e agências de fomento para validação científica e expansão do projeto.

Reconhecimento e impacto

Com a conquista da etapa estadual, o projeto segue para a fase nacional do prêmio. Para Silvio, o reconhecimento extrapola a dimensão individual e projeta o trabalho desenvolvido em escola pública do Nordeste para o cenário brasileiro.

“Muitas vezes a gente desenvolve práticas inovadoras em silêncio e fica se perguntando se aquilo realmente faz diferença. De repente, vem um reconhecimento nacional dizendo que a sua participação é importante e que o que está sendo feito tem relevância”, refletiu.

No ambiente institucional, a premiação abre caminhos para novos editais de financiamento, fortalecimento de parcerias e possível expansão para outras escolas da rede estadual. Para os alunos envolvidos, o impacto também é simbólico. “Quando eles veem que um projeto construído dentro da escola pública ganha visibilidade nacional, entendem que ciência e tecnologia não estão distantes da realidade deles. Isso muda perspectivas”, concluiu o professor.

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