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Egressa da Unit integra lista Under 30 da Forbes e alcança reconhecimento global

Seleção internacional valoriza trajetória criativa baseada em pesquisa estética e referências brasileiras

às 21h14
Foto: Victória Araújo @vickviena
Foto: Mavi @maviretrata
Poltrona Oricuri - foto Jhon Macário
Cama Balanço Navega para Casa de Marimbondo - foto Victória Araújo
Poltrona Proteção - foto Bruna Noveli
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Estar na lista Under 30 da Forbes é um reconhecimento destinado a jovens que já demonstram relevância em suas áreas de atuação. Publicado anualmente, o ranking reúne nomes promissores de diferentes setores e é visto no mercado como um indicativo de projeção internacional e expansão de oportunidades. Na edição de 2025, entre os selecionados está a arquiteta e designer de mobiliário Giovanna Arruda, que passou a atrair atenção nacional após integrar a lista.

Ao longo dos anos, a curadoria tem antecipado trajetórias que mais tarde ganham protagonismo global, incluindo profissionais que depois aparecem em capas e listas de influência da própria revista, como Elon Musk, Oprah Winfrey e Jeff Bezos. Estar nesse grupo coloca seu trabalho dentro de um circuito internacional atento a criadores capazes de impactar tendências e dialogar com diferentes mercados.

Giovanna conta que a notícia chegou de forma inesperada. “Recebi com muita surpresa e alegria, porque é um reconhecimento que a gente não espera em tão pouco tempo atuando especificamente na área do design”, afirmou. Segundo ela, a inclusão na lista representa a validação de um caminho que já vinha sendo construído com pesquisa, consistência estética e dedicação autoral.

A designer acredita que não houve um único fator responsável pela conquista, mas sim um conjunto de elementos. “Acredito que tenha sido a consistência do trabalho autoral, o diálogo com a identidade brasileira principalmente nordestina e o modo como os projetos conectam design, cultura e memória”, explicou. Para Giovanna, esse tripé conceitual sempre orientou sua produção e ajudou a consolidar uma linguagem própria.

Ela reforça que seu trabalho busca ultrapassar a dimensão funcional do objeto. “Meu trabalho sempre buscou ir além do objeto e contar histórias”, declarou, destacando que a narrativa cultural presente nas peças foi decisiva para chamar atenção fora do país e posicioná-la entre jovens criadores de destaque.

Raízes criativas

A visibilidade que contribuiu para sua projeção começou a se intensificar quando suas primeiras peças passaram a circular em veículos especializados. Desenvolvidas inicialmente durante sua atuação na Casa de Marimbondo, elas deram origem à Coleção Pacatuba e conquistaram espaço em publicações como Casa Vogue, Casa e Jardim, Revista Habitat e Revista Amarelo. “Todas as peças dialogam com artesanato brasileiro e memória afetiva, e por isso tiveram boa repercussão”, relatou.

Depois dessa fase, Giovanna passou a trabalhar de forma independente e começou a receber convites para exposições e mostras. Segundo ela, essa expansão aconteceu de maneira orgânica, impulsionada pelo reconhecimento do público e do próprio mercado de design, interessado na fusão entre contemporaneidade e tradição presente em seus projetos.

O interesse pelo mobiliário surgiu ainda na infância, quando teve contato com uma poltrona criada por Percival Lafer, designer e arquiteto brasileiro que faz parte da coleção ETEL, conhecido por seu trabalho inovador no design de móveis desde a década de 1960. “Hoje percebo que não era apenas uma disputa entre primos para ver quem sentava nela, eu observava e tentava entender como a estrutura funcionava. Anos depois, pude contar essa história pessoalmente a ele”, relembra.

A decisão de seguir na área veio após a graduação, durante a pandemia, quando começou a estudar design de mobiliário por iniciativa própria. O convite para desenvolver peças com comunidades tradicionais consolidou o caminho. “Meu papel era criar a partir dos fazeres e saberes das artesãs e isso definiu minha trajetória”, contou.

Formação e método

Formada pela Universidade Tiradentes (Unit), Giovanna atribui à formação acadêmica parte essencial de sua construção profissional. “Foi fundamental para desenvolver pensamento crítico e repertório. As bases de partido e conceito arquitetônico que aprendi servem hoje para qualquer processo criativo que exija método e reflexão”, explicou.

Ela destaca que experiências práticas durante a graduação ajudaram a despertar sua vertente artística. “Algumas atividades nas semanas de arquitetura contribuíram para desenvolver essa veia mais experimental, que hoje faz parte do meu processo”, afirmou, relacionando diretamente vivências acadêmicas à identidade estética atual.

O método criativo que utiliza parte da observação direta. “Entender os modos de vida das artesãs, os objetos que utilizam e os materiais que dominam torna cada projeto único”, disse. Para a designer, essa escuta ativa é o que garante autenticidade às peças e impede que o design se torne apenas reprodução de tendências.

Essa lógica também orienta decisões técnicas. “Os processos de fabricação em Sergipe são mais limitados que nos grandes polos, então as escolhas projetuais precisam ser viáveis dentro dessa realidade”, explicou. Na visão dela, um projeto bem-resolvido é aquele em que estética, função e inovação dialogam naturalmente.

Reconhecimento e futuro

Após entrar para a Under 30, Giovanna percebeu mudanças imediatas na carreira. “O reconhecimento ampliou a visibilidade e abriu portas, mas principalmente trouxe responsabilidade”, afirmou. Segundo ela, o prêmio a fez compreender que sua produção representa não apenas uma trajetória individual, mas uma narrativa mais ampla sobre design brasileiro e nordestino.

No campo pessoal, a conquista também teve impacto. “Trouxe mais confiança no caminho que escolhi e clareza de que é possível construir uma carreira autoral”, declarou. A designer acrescenta que o reconhecimento reforçou sua vontade de continuar pesquisando e produzindo com propósito.

Hoje, ela define sua identidade profissional como um encontro entre contemporaneidade e tradição. “Quero criar peças que tenham alma, que carreguem história e pertencimento, e que também tragam visibilidade para o Nordeste, seus artistas e artesãos”, disse, ressaltando o compromisso com a valorização cultural regional.

Entre os próximos objetivos estão consolidar sua linguagem própria e ampliar presença dentro e fora do país. “Quero desenvolver projetos que dialoguem com a cultura brasileira, especialmente nordestina, e com saberes tradicionais”, concluiu indicando que o reconhecimento internacional é apenas um capítulo inicial de uma trajetória em expansão.

Para acessar o perfil de Giovanna na Forbes basta acessar este link.

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