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Seminário reúne pesquisadores para avaliar qualidade e rumos da pós-graduação

Encontro discute critérios da Capes, organização dos programas e estratégias para manter excelência acadêmica

às 21h03
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Medicamentos que ampliaram a expectativa e a qualidade de vida da população, pesquisas que contribuíram para o aprimoramento de tratamentos contra o câncer e estudos que se transformaram em políticas públicas e garantias de direitos: todos esses avanços têm algo em comum: foram viabilizados por investigações científicas desenvolvidas ao longo de anos, muitas delas dentro de programas de pós-graduação.

É nesse ambiente que o conhecimento deixa de ser apenas teórico para se tornar uma ferramenta concreta de transformação social. Com esse foco, a Universidade Tiradentes (Unit) realizou o Seminário de Autoavaliação dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu, reunindo docentes, coordenadores e estudantes para discutir caminhos mais eficazes para a ciência produzida na instituição.

O encontro contou com a participação de Walner Mamede Júnior, analista em Ciência e Tecnologia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). De acordo com a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Patrícia Severino, o momento foi pensado como uma oportunidade de aprimorar as dinâmicas internas e orientar melhor os resultados obtidos.

“A partir desse direcionamento, conseguimos analisar e identificar quais caminhos devemos seguir para que a ciência desenvolvida dentro da universidade alcance, de fato, a sociedade. As pós-graduações têm se empenhado nisso por meio de projetos em parceria com empresas, voltados à solução de problemas reais, e de iniciativas junto às comunidades, onde o conhecimento científico é aplicado para melhorar a qualidade de vida da população”, explica.

Outro avanço apontado por Patrícia é a curricularização da extensão nos programas de pós-graduação, que tem incentivado os estudantes a refletirem sobre o impacto social de suas pesquisas desde o início da formação. “Com isso, a produção científica passa a ser orientada não apenas por critérios acadêmicos, mas também por sua aplicabilidade”, completa.

Organização e diretrizes

Durante o seminário, Walner Mamede contextualizou o papel da CAPES no acompanhamento dos programas de pós-graduação e destacou como a organização influencia diretamente nos resultados. Ele explicou que essa dinâmica ocorre em ciclos e envolve todos os cursos do país, o que exige clareza de metas e definição de prioridades. “Atualmente, temos cerca de 4.650 programas, e todos passam por essa avaliação quadrienal, em que analisamos os quatro anos anteriores e já iniciamos um novo ciclo”, explica.

Segundo o analista, esse acompanhamento é guiado por parâmetros que combinam orientações gerais e critérios específicos de cada área, o que demanda dos programas uma visão mais estruturada e de longo prazo. A proposta é integrar ensino, investigação e impacto de forma mais consistente. “Existem diretrizes transversais, que todos os programas precisam cumprir, e diretrizes específicas, que variam de acordo com cada área. A partir delas, são definidos critérios e indicadores que orientam a avaliação”, enfatiza.

Ele também destaca que essa análise é construída de forma colaborativa, envolvendo diferentes atores da comunidade acadêmica. Essa dinâmica permite decisões mais alinhadas à realidade dos programas e contribui para o fortalecimento da pós-graduação no país. “Os coordenadores de área, que são professores eleitos entre os pares, trabalham junto ao Conselho Técnico-Científico, responsável pela avaliação. Eles coletam informações com os coordenadores dos programas, que, por sua vez, dialogam com seus docentes. É um trabalho coletivo”, detalha.

Formação e resultados

Para o coordenador da pós-graduação em Engenharia de Processos (PEP), Raniery Lucena, a consolidação dos programas e a manutenção da qualidade acadêmica passam, necessariamente, por uma atuação bem estruturada. Com mais de duas décadas de trajetória na universidade, ele avalia que essa experiência contribui para uma leitura mais precisa dos desafios da pós-graduação, especialmente diante da necessidade de sustentar conquistas já alcançadas, como o conceito máximo obtido na avaliação da CAPES.

“No caso do nosso programa, temos um grande desafio, pois alcançamos o conceito 7 na avaliação da CAPES, o mais alto nível. Agora, precisamos nos organizar para manter essa excelência, potencializando nossos pontos fortes e enfrentando nossas limitações. Esse movimento também impacta diretamente a formação dos alunos, que desenvolvem essa mentalidade desde o início, ao organizar experimentos e estruturar suas pesquisas, refletindo não apenas na vida acadêmica, mas também na atuação profissional fora da universidade”, pontua.

A doutoranda do programa em Biociências e Saúde (PBS), Robertta Santana, exemplifica como esse direcionamento se concretiza na prática. Sua trajetória começou ainda na graduação, com participação em projetos de iniciação científica, e evoluiu para estudos com potencial de aplicação tanto no mercado quanto na saúde pública.

“Desenvolvi um projeto que envolvia o uso de extrato de romã como creme anti-idade. No entanto, percebemos que ele tinha um potencial ainda maior como conservante. A partir disso, submetemos o projeto ao Programa Centelha e fomos contemplados na edição de 2023. Durante cerca de um ano e meio, desenvolvemos o estudo e comprovamos o potencial antioxidante do extrato, com apoio do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), o que foi essencial para a realização dos experimentos. No final do mestrado, surgiu a oportunidade de migração direta para o doutorado, com bolsa”, conta.

Atualmente, sua investigação analisa a contaminação de ambientes aquáticos e os impactos na saúde humana, especialmente relacionados a microplásticos. O trabalho demonstra como a ciência pode antecipar riscos e propor soluções em diferentes áreas. Ao alinhar os projetos aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e incentivar a transformação das pesquisas em soluções práticas, a pós-graduação reforça seu papel na sociedade. “A ideia é produzir conhecimento que seja aplicável, acessível e que possa chegar à sociedade de forma mais rápida, contribuindo efetivamente para a melhoria da qualidade de vida”, finaliza Robertta.

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