Um jaleco branco pode levar consigo muitas histórias, com seus lances de emoção, amor, dúvida, alegria, vitórias, derrotas, decepções e, acima de tudo, aprendizados que se renovam a cada momento. Este sentimento se renovou nesta terça-feira, 31, com a realização de mais uma Noite do Jaleco, tradicional cerimônia de acolhimento para os calouros de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit). O evento, realizado no Teatro Tobias Barreto, marcou a entrega dos jalecos para 130 novos estudantes da turma 2026-1 de Medicina em Aracaju, representando o início de uma nova etapa acadêmica.
A cerimônia contou com a presença de professores, parentes e amigos dos calouros, além do diretor de Relações Institucionais da Unit, professor Valter Joviniano de Santana Filho, representando o reitor Jouberto Uchôa de Mendonça. Em sua saudação, Valter destacou que o jaleco, além de ser um equipamento de proteção individual, simboliza em si a importância da profissão médica para preservar a saúde da população, mas também as histórias vividas pelos próprios estudantes e por suas respectivas famílias.
“Esta também é a noite das famílias, porque ninguém chega até aqui sozinho. O jaleco branco que vocês recebem hoje não é apenas uma vestimenta. Ao longo da história da Medicina, ele passou a representar o compromisso com a ciência, com a ética e com a vida. Mas, nesta noite, ele representa também a materialização de um sonho sustentado por muitas mãos. Cada aluno que veste esse jaleco traz consigo a sua própria história, mas também traz a história de sua família: dos que esperaram, incentivaram e abriram mão de algo para que esse sonho fosse possível”, saudou o diretor, em seu pronunciamento.
São histórias como a da caloura Melissa de Goes Oliveira, que fez dois anos e meio de Nutrição na própria Unit até decidir que queria, na verdade, seguir outra carreira. “Eu peguei algumas matérias como anatomia, farmacologia, e tinha muito interesse de ir a fundo e estudar mais aquilo, mas o conhecimento que eu podia pegar era meio brando em relação ao que eu queria. E aí, fui entendendo cada vez mais, mas tinha medo de assumir e falar que eu realmente queria passar pelo processo de estudar para o vestibular”, contou Melissa. Este conflito interior foi percebido pela mãe, a empresária Margarete Goes Oliveira, e resultou no seguinte diálogo:
– Vi que você está triste, filha. O que aconteceu?
– Eu descobri que eu queria fazer Medicina, e não Nutrição.
– Você tem certeza?
– Mãe, tenho.
Depois de um ano de preparação e algumas hesitações superadas, Melissa foi aprovada no vestibular de Medicina e já começou a fazer o curso, com o apoio da mãe. “Hoje ela me disse que está muito feliz e eu também fico muito feliz em poder proporcionar esse curso e viver essa alegria junto com ela. Eu entendi que o sonho não tem preço. Confesso para você que eu me alegro a todo o tempo e esse momento do jaleco é muito especial”, disse Margarete. “Eu acho que vai ser muito bom e leve. Acho que a Unit é super acolhedora e, inclusive, eu senti que na primeira semana todo mundo recepcionou super bem, tanto os professores quanto os alunos. Foi uma experiência muito legal, que eu poderia viver milhões de vezes, e eu estou super animada pros próximos seis anos”, completou a aluna.
E também histórias de pais que abraçam prontamente os sonhos dos filhos. Como o servidor público João Nunes Costa Júnior, pai da aluna Clara Beatriz Menezes Costa. Ele estava muito feliz com a expectativa de entregar o jaleco a ela na cerimônia. “É uma profissão que acredita ser muito importante na sociedade, e é uma noite de muita alegria para a gente que é pai, ver nossa filha iniciando algo que vai ser para o resto da vida dela. Aprovei desde o primeiro momento, porque a Unit é uma instituição muito organizada, que a gente já conhece há bastante tempo no estado de Sergipe e fora de Sergipe também. Desde criança, ela sempre quis ser médica, e embarcamos junto no sonho dela”, alegra-se.
Podem ser realizações do desejo de ajudar o próximo, como o do estudante Rafael Rocha Bessa. “Foi a vontade de querer ajudar os outros. Para realmente ter uma força maior de ajudar os outros em si. Era como se fosse uma força de querer fazer isso, e que me puxou para dentro do curso de Medicina. Percebo que é uma coisa minha, trabalhar ajudando, fazer algo que todo dia eu vou acordar e dizer: ‘Pô, tô fazendo algo legal’”, afirma Rafael, dizendo-se pronto para “vivenciar o processo” de formação.
Cabem ainda superações como a de Romilda Aline Azevedo Porto, que aos 43 anos, também decidiu realizar o sonho de ser médica, após ser curada em um tratamento contra o câncer de mama. Ela já é egressa da Unit, onde fez o curso de Direito há 20 anos. “Foi uma faculdade que eu amei, mas tinha um sonho guardado. Até quando eu fui a paciente, e esse sonho veio com força total. Agora, esse jaleco vai me dar o gosto de poder ajudar outras pessoas com a medicina e com o meu conhecimento, do mesmo jeito que, quando eu tive câncer, fui ajudada e abraçada. Nunca é tarde para começar. O sonho é para ser vivido a qualquer idade que seja. Vestir este jaleco é a prova viva que eu vou salvar vidas, a começar pela minha”, define Romilda, tentando conter a emoção com o seu largo sorriso.
Acolhendo histórias
“A cada noite do jaleco, nós nos renovamos em receber 130 novos alunos com suas histórias de vida, com seus familiares e agradecer por escolherem a nossa universidade e confiarem na formação sólida que vão receber. Cada um deles vêm com sua história, com seus motivos, e a gente os acolhe. Cada um traz uma história diferente e a medicina evolui de uma forma muito grande. É isso que a gente quer mostrar para os alunos, acolhê-los, colocá-los dentro de uma universidade que tem várias potencialidades, um curso com vários diferenciais, e que possam desfrutar de todas as possibilidades que eles têm durante esses seis anos da trilha de aprendizagem”, ressaltou o professor Dalmo Correia Filho, coordenador do curso de Medicina da Unit em Aracaju.
E possibilitar a continuidade destas histórias é algo que reforça a responsabilidade da Unit como instituição formadora destes novos médicos. “É uma expectativa muito grande, porque são jovens que estão abrindo uma porta para o mundo do trabalho, dos sonhos e perspectivas de uma profissão que é valorizada no país. Nós temos um curso com bons professores, pesquisadores e médicos competentes, com expertise. Temos um campus totalmente aparelhado para esse curso, com as novidades tecnológicas que a sociedade tem produzido. E temos um curso que acompanha esses alunos de perto. Esta é a forma da Unit mostrar para os pais que a confiança que eles dedicaram a nós é reconhecida e respeitada como vem sendo na entrega dos filhos para que a gente possa prepará-los para o mundo”, completa o pró-reitor de Graduação e Extensão, professor Ronaldo Linhares.
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