Desde outubro de 2025, o implante contraceptivo passou a ser distribuído pelo Ministério da Saúde aos municípios brasileiros como parte de uma estratégia de ampliação do acesso a métodos de longa duração no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca fortalecer o planejamento familiar e ampliar a autonomia reprodutiva de mulheres e pessoas com útero, entre 14 e 49 anos, garantindo mais opções seguras e eficazes no cuidado à saúde.
Em Sergipe, a estratégia já vem sendo desenvolvida com etapas anteriores de capacitação de profissionais. Agora, a “Oficina de qualificação para implementação do implante contraceptivo”, iniciada nesta quarta-feira (15) e que segue até quinta-feira (16), marca mais uma fase desse processo, sendo realizada na Universidade Tiradentes (Unit). A ação é promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES).
O evento reúne médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde (APS) em uma programação que combina teoria e prática, abordando desde a inserção até o acompanhamento do método contraceptivo. A formação integra a estratégia nacional de ampliação e descentralização do acesso, preparando profissionais para ofertar o implante de forma qualificada nos territórios, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A escolha da universidade como sede foi determinante para viabilizar a proposta prática da capacitação. Segundo a professora e coordenadora dos laboratórios da Unit, Rosane Milet, o diferencial está na infraestrutura disponível para o treinamento. “No nosso estado, é a melhor estrutura que temos para esse tipo de capacitação. Não se trata apenas de teoria, mas de prática, que exige espaços adequados e simuladores para que médicos e enfermeiros possam treinar antes da aplicação em pacientes. A instituição disponibilizou os auditórios para as exposições dialogadas e laboratórios equipados para as atividades práticas”, explicou.
Expansão gradual
A oferta do implante contraceptivo no SUS segue uma estratégia escalonada. De acordo com Hortência Medeiros, da Coordenação-Geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde, a distribuição dos insumos começou em 2025, inicialmente para municípios com mais de 50 mil habitantes. “Agora, no segundo ciclo, estamos ampliando para municípios menores, acompanhando a chegada desses insumos e garantindo que os profissionais estejam capacitados para utilizá-los”, destacou.
A iniciativa faz parte de uma política pública voltada à ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração, com foco na Atenção Primária. Além da distribuição dos implantes, o Ministério promove oficinas em todo o país, abordando desde aspectos técnicos até temas como direitos reprodutivos e acolhimento qualificado.
Sergipe tem se destacado nesse processo. Ainda antes da estruturação nacional da capacitação, o estado já havia iniciado formações pioneiras. O enfermeiro Natanael Feitosa lembra que, em uma etapa anterior, 31 profissionais foram capacitados, habilitando o mesmo número de municípios, especialmente aqueles com maiores índices de mortalidade materna. No atual ciclo, 68 municípios participaram da oficina, somando cerca de 150 a 153 profissionais. “Hoje, a formação é voltada para médicos e, no dia seguinte, para enfermeiros. Após essa etapa, eles estarão aptos a realizar a inserção nos seus territórios”, afirmou.
Para a professora e coordenadora do curso de Enfermagem, Geisa Lima, o momento representa mais do que a introdução de um novo método. “Essa oficina é um momento muito importante, um verdadeiro marco, porque não se trata apenas da oferta de mais um método contraceptivo. Trata-se de garantir que as mulheres tenham o poder de escolha sobre quando desejam engravidar, no momento mais adequado para suas vidas. Além disso, é uma questão de direito: estamos ampliando o acesso e garantindo um atendimento qualificado para o público-alvo dessa política”, afirma.
Já o representante da Secretaria de Estado da Saúde, Lívio Marcos, ressaltou o impacto coletivo da ação. “Para nós, é uma grande satisfação receber profissionais de diversos municípios. A Secretaria de Estado da Saúde tem apoiado essas ações voltadas à saúde da mulher, fortalecendo essa pauta dentro da Atenção Primária. Esse é um momento de construção e troca de conhecimento, que amplia o acesso da população a um novo método contraceptivo de longa duração. Sabemos que existe uma grande demanda por esse tipo de método, e essa capacitação vem justamente para atender essa necessidade. Mesmo sendo um estado pequeno, queremos que Sergipe seja referência em acolhimento, acesso e garantia de direitos”, elenca Lívio.
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