ESTUDE NA UNIT
MENU

OMS alerta para avanço do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes

Relatório aponta que 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos utilizam vape; especialista destaca riscos à saúde e influência das redes sociais

às 20h10
Ivan Mendes- médico pneumologista e professor da Universidade Tiradentes
Ivan Mendes- médico pneumologista e professor da Universidade Tiradentes
Compartilhe:

Os cigarros eletrônicos deixaram de ser vistos apenas como uma alternativa ao cigarro convencional e passaram a ocupar espaço entre tendências de consumo difundidas principalmente nas redes sociais. Com design moderno, sabores variados e forte presença em conteúdos digitais, os chamados vapes ganharam popularidade entre adolescentes e jovens, despertando preocupação de autoridades de saúde em diferentes países.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos utilizam cigarros eletrônicos no mundo. O cenário reforça o alerta sobre os impactos da exposição precoce à nicotina e outras substâncias químicas durante uma fase importante do desenvolvimento físico e neurológico. Segundo o médico pneumologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Ivan Mendes, o acesso facilitado, a divulgação nas redes sociais e a percepção equivocada de menor risco contribuíram para esse aumento. “Do ponto de vista de saúde pública, preocupa principalmente a exposição precoce à nicotina e a outras substâncias inaladas em uma fase importante do desenvolvimento físico e neurológico”, ressalta.

Público vulnerável

A influência social e o ambiente digital aparecem entre os fatores que ajudam a explicar a adesão dos adolescentes aos dispositivos eletrônicos para fumar. De acordo com Ivan Mendes, características como sabores adocicados, aparência tecnológica e menor odor favorecem a aproximação desse público. “Muitos jovens não associam o vape aos mesmos riscos do cigarro convencional. Além disso, existe uma relação crescente entre o uso desses dispositivos e a cultura de exibição nas redes sociais, onde o cigarro eletrônico costuma ser apresentado como símbolo de modernidade, pertencimento e aceitação social. Isso acaba influenciando adolescentes que ainda estão em processo de formação emocional e social”, afirma.

Entre os principais impactos à saúde, o pneumologista destaca os prejuízos ao desenvolvimento cerebral, especialmente em áreas relacionadas à atenção, memória e controle de impulsos. Também há riscos respiratórios, como inflamação das vias aéreas, tosse, chiado e redução da capacidade pulmonar. “Os líquidos utilizados nos dispositivos podem conter substâncias irritativas, metais pesados e compostos potencialmente tóxicos. Apesar de os cigarros eletrônicos serem produtos relativamente recentes, pesquisas já identificam associação entre o uso contínuo e alterações pulmonares, cardiovasculares e neurológicas”, enfatiza.

Ivan também chama atenção para o potencial de dependência causado pela nicotina presente nos dispositivos. “Em alguns aparelhos, a concentração de nicotina é elevada, o que favorece o uso frequente e o desenvolvimento da dependência, especialmente em adolescentes. O vape costuma ser utilizado de maneira contínua ao longo do dia, muitas vezes sem que o usuário perceba a quantidade consumida. O uso do cigarro eletrônico pode aumentar as chances de experimentação posterior do cigarro convencional”, orienta.

Prevenção e diálogo

Embora muitos adolescentes acreditem que o vape seja menos prejudicial, o médico reforça que isso não significa segurança. “A ideia de produto inofensivo não corresponde ao que a literatura científica vem mostrando”, destaca. Para pais e educadores, o especialista recomenda atenção a mudanças de comportamento, cheiro adocicado em roupas e mochilas, irritabilidade e presença de dispositivos eletrônicos desconhecidos. “A prevenção depende principalmente de diálogo e informação. Conversas abertas, sem abordagem agressiva, costumam ser mais eficazes. A escola também tem papel importante na orientação sobre riscos e no estímulo ao pensamento crítico em relação às informações divulgadas nas redes sociais”, completa.

Já para os jovens que utilizam cigarros eletrônicos, a recomendação é interromper o uso o quanto antes e buscar acompanhamento médico. “Muitos adolescentes acreditam que conseguem parar facilmente, mas a dependência da nicotina pode dificultar esse processo. É importante procurar avaliação médica, especialmente com um pneumologista, para identificar possíveis sintomas respiratórios, orientar sobre os riscos e auxiliar no processo de interrupção do uso. Conversar com familiares e pessoas de confiança também pode ajudar. Quanto mais cedo ocorre a interrupção, menor tende a ser a exposição aos riscos relacionados ao uso contínuo.

Leia também: Entre mágoas e silêncios: por que algumas famílias chegam ao rompimento?

Compartilhe: