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Jornalismo da Unit celebra 45 anos reunindo gerações que ajudaram a construir a comunicação sergipana

Segunda edição do Pauta Aberta promoveu reencontro entre professores, egressos e profissionais que marcaram a trajetória do primeiro curso de Jornalismo de Sergipe

às 20h41
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Muito antes das redes sociais, dos portais de notícias e da comunicação multiplataforma, o Jornalismo da Universidade Tiradentes (Unit) já ajudava a formar profissionais que viriam a ocupar espaços importantes na imprensa sergipana. Quarenta e cinco anos depois, parte dessa história foi revisitada na última terça-feira, 2, durante a segunda edição do Pauta Aberta, evento que reuniu professores, ex-coordenadores, egressos e estudantes para celebrar a trajetória do primeiro curso de Jornalismo de Sergipe. 

Segundo a coordenadora dos cursos de Comunicação Social da Unit, Talita Déda, o desafio de realizar a celebração foi assumido pelos alunos do sexto período de Jornalismo, dentro da disciplina de Laboratório de Comunicação Integrada, que ficaram responsáveis por toda a concepção e execução do evento. “Além da organização, os estudantes produziram um mini documentário que resgata a história do curso e de projetos marcantes, como o Inconfidente e o Unit Notícias. Também buscamos promover um reencontro entre diferentes gerações que passaram pela universidade. São 45 anos de história e, mesmo sem conseguir contemplar todos que fizeram parte dela, reunimos uma amostra dessa trajetória para celebrar a evolução e as conquistas do curso”, destaca. 

Para o pró-reitor de Graduação e Extensão da Unit, Ronaldo Linhares, a celebração representa o reconhecimento de uma história construída com pioneirismo e perseverança. “Estamos celebrando praticamente meio século de jornalismo, de imprensa e de formação profissional. Quando observamos a imprensa sergipana, percebemos que boa parte dos profissionais foi formada aqui. Isso demonstra a importância e a relevância desse trabalho”, destaca.

Pioneirismo e legado

Criado em 1981, o curso de Jornalismo da Unit surgiu em um período em que a formação específica na área ainda era uma realidade distante para muitos profissionais do estado. Ao longo dos anos, a graduação se consolidou como uma das principais referências na formação de jornalistas, acompanhando as mudanças do setor e contribuindo diretamente para o fortalecimento da comunicação sergipana.

Entre as pessoas que ajudaram a construir essa história está a professora Valéria Mendonça, convidada da edição. Responsável pela criação do Unit Notícias e atualmente professora em Brasília, ela destacou a importância do Complexo de Comunicação Social (CCS) para a formação de profissionais. “O CCS foi um marco para a região Norte-Nordeste à época de sua criação, e eu tenho muito orgulho de ter sido uma profissional que assumiu esse desafio. O jornalismo vive constantemente desafios de inovação e transformação. Por isso, entendo que o CCS deve seguir como referência, estabelecendo novos princípios para o jornalismo e formando profissionais comprometidos com a sociedade”, elenca.

Quem também acompanhou grande parte dessa evolução foi a professora Valéria Bonini, que há quase 27 anos atua nos cursos de Comunicação da universidade. Para ela, o crescimento da graduação pode ser medido pelas trajetórias construídas pelos ex-alunos. “Acompanhamos a formação de profissionais que hoje estão inseridos não apenas no mercado sergipano, mas em diversas regiões do país. Isso é resultado de um trabalho coletivo envolvendo instituição, coordenação, professores e alunos”, ressalta.

A professora Beatriz Colucci, ex-coordenadora do curso, lembra que chegou à Unit em um período marcado pela expansão da graduação e pelas transformações tecnológicas que começavam a modificar a forma de fazer jornalismo. “A universidade soube acompanhar esse processo com muita competência, investindo em estrutura, equipamentos e qualificação. Isso também foi um grande atrativo para professores de outras regiões, como foi o meu caso. Eu vim de Minas Gerais para assumir uma vaga aqui. Naquele período existiam poucas oportunidades para jornalistas que também atuavam na área acadêmica”, comenta.

Beatriz também recorda a experiência de ajudar na reativação do jornal-laboratório Inconfidente, projeto que acompanhou a transição do impresso para o digital e se tornou um dos símbolos da formação prática oferecida pela instituição. “Estou muito emocionada em participar desta segunda edição do Pauta Aberta. Acompanhei toda a mobilização em torno da iniciativa e fiz questão de estar presente. A Unit faz parte da minha trajetória profissional. Foi aqui que cresci como professora e pesquisadora. Ver os alunos assumindo a organização de um projeto dessa dimensão é motivo de orgulho, porque demonstra o talento, o comprometimento e a capacidade que existem dentro do curso”, completa.

Formação e mercado

Laboratórios, projetos experimentais e parcerias com veículos de comunicação permitiram que diversas gerações chegassem ao mercado com experiência acumulada ainda durante a graduação. Para o diretor do Sistema Atalaia de Comunicação, Eduardo do Valle, essa vivência continua sendo um diferencial importante para quem ingressa na profissão. “Eu acredito que eles estão no caminho correto. Claro que o jornalismo de alta demanda, seja na televisão, no rádio ou nos portais de notícia, exige evolução constante e profissionais cada vez mais preparados. Mas vejo que eles chegam ao mercado com uma base muito sólida”, avalia Eduardo.

Um dos exemplos dessa aproximação entre a universidade e o mercado de trabalho é o jornalista Vinicius Mecenas. Formado pela Unit e hoje repórter da TV Atalaia, ele construiu sua trajetória profissional a partir da vivência em projetos laboratoriais e atividades práticas oferecidas pelo curso. Com interesse pelo telejornalismo desde os tempos de estudante, Vinícius aproveitou os espaços de aprendizagem para desenvolver habilidades, ganhar experiência e se preparar para a profissão que exerce hoje. 

“Passei pela monitoria, pela Agência Prática Experimental e pelo Unit Notícias. Nessas experiências, pude absorver o máximo de conhecimento possível e aplicar tudo aquilo na prática. Eu já sabia qual área queria seguir, que era o telejornalismo. Então aproveitei ao máximo tudo o que o Unit Notícias me proporcionou para poder colocar a mão na massa e me preparar para a área em que atuo hoje, exercendo meu papel como repórter da TV Atalaia e, em alguns momentos, também como apresentador”, compartilha Vinicius. 

Novos desafios

Se a essência do jornalismo permanece ligada ao compromisso com a informação, as ferramentas e as formas de produzir conteúdo mudaram profundamente ao longo das últimas décadas. Essa transformação também marcou a trajetória dos profissionais que participaram do evento. Egresso da Unit e atual presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, Guilherme Fraga lembra que, quando concluiu a graduação, a internet ainda dava os primeiros passos dentro das redações.

“Quando saí da universidade, em 2004, a internet ainda estava começando a ganhar espaço no jornalismo. Existiam poucos sites e tudo ainda era muito inicial. Inclusive, a professora Jaqueline ministrava a disciplina de Jornalismo Online, que era uma novidade na época. Hoje vivemos uma realidade completamente diferente. Temos uma enxurrada de sites, blogs, redes sociais e novas plataformas. Sem dúvida, a principal mudança do jornalismo entre 2004 e 2026 foi a transformação digital”, pontua.

Para ele, o profissional contemporâneo precisa estar preparado para atuar em diferentes formatos e compreender as constantes mudanças do mercado. “Para quem está entrando no mercado hoje, acredito que a palavra-chave é proatividade. Antigamente bastava saber escrever bem. Hoje é necessário dominar diferentes ferramentas, saber produzir conteúdo para múltiplas plataformas, compreender as tecnologias e acompanhar as mudanças constantes do mercado. Além da boa comunicação, da educação e da postura profissional, é preciso ser versátil”, complementa.

Protagonismo estudantil

Se o evento celebrou a história construída ao longo de 45 anos, também serviu para evidenciar o papel dos estudantes na construção do futuro da profissão. Para o professor Mário Eugênio, a participação dos alunos em todas as etapas do Pauta Aberta ampliou as experiências formativas e demonstrou a importância do protagonismo acadêmico. “Quando eles assumem a organização de um evento como este, não apenas vivenciam uma experiência prática, mas também ampliam suas possibilidades de atuação profissional. Quando oferecemos aos alunos a oportunidade de desenvolver essas competências, estamos contribuindo para uma formação mais completa”, elenca.

Entre os responsáveis pela realização da segunda edição do evento esteve a estudante Vitória Barreto, que destacou a produção do documentário como um dos maiores desafios da equipe. “Participar da organização da segunda edição do Pauta Aberta foi uma experiência muito especial.  Além de toda a organização do evento, também ficamos responsáveis por produzir esse material audiovisual, então foi praticamente um desafio duplo. Mas ao mesmo tempo me sinto privilegiada por poder mostrar tudo o que conseguimos realizar. O documentário aborda a trajetória do jornalismo em Sergipe e a história do curso de Jornalismo da Universidade Tiradentes, desde sua fundação até os dias atuais. É um resgate histórico muito importante e que representa bem o propósito desta edição do evento. Estou muito feliz por tudo o que conseguimos construir e apresentar”, conta.

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