O cuidado oncológico exige uma compreensão ampla e sensível do paciente, especialmente quando se trata das neoplasias hematológicas, grupo de doenças que demandam diagnóstico preciso, monitoramento constante e atuação integrada entre diferentes profissionais da saúde. À medida que novos tratamentos e tecnologias surgem, cresce também a necessidade de formar estudantes capazes de compreender o paciente em sua totalidade, conectando bases científicas, experiência prática e trabalho em equipe.
Foi a partir dessa perspectiva que a Liga Acadêmica de Hematologia (LIAH), do curso de Biomedicina da Universidade Tiradentes (Unit), promoveu o evento “Cuidado Oncológico”, uma aula aberta que reuniu médicos, farmacêuticos e biomédicos para discutir, sob diferentes olhares, o atendimento ao paciente oncológico. A atividade foi organizada pelos professores orientadores da liga, Isana Leal e Igor Ventura, com participação especial dos convidados Dr. Clauber Trindade, Dra. Fabiana Silva e Dr. Danilo Silva, profissionais atuantes diretamente em ambientes hospitalares.
Cuidado oncológico
A proposta da aula aberta surgiu do próprio percurso temático da LIAH no semestre, dedicado ao estudo das neoplasias hematológicas. Segundo a professora Isana Leal, a ideia foi ampliar a abordagem tradicional e apresentar aos estudantes um panorama que ultrapassa o diagnóstico laboratorial. Ela explica que compreender o paciente oncológico implica observar desde os mecanismos da doença até os impactos do tratamento. “Nosso objetivo foi integrar esse cuidado de forma multidisciplinar, permitindo que alunos de diferentes cursos da saúde percebam que o processo de ‘cuidar’ é necessariamente conjunto e envolve várias etapas clínicas”, afirma.
A docente destaca que, ao vivenciar esse diálogo entre áreas, os estudantes visualizam como biomédicos, médicos e farmacêuticos se conectam no processo assistencial. “Na prática, eles entendem quais informações do laboratório de hematologia são decisivas para o médico, seja na confirmação diagnóstica, no estadiamento da doença ou na avaliação de prognóstico. Essa noção de complementaridade é essencial para seu futuro profissional”, explica Isana.
A seleção dos palestrantes também reforçou essa proposta. Todos atuam diretamente no cuidado oncológico e foram convidados para apresentar como cada área contribui na rotina hospitalar. “Isso possibilitou que os alunos observassem o percurso do paciente em diferentes etapas e percebessem que cada profissional agrega uma peça importante dentro do tratamento”, acrescenta a professora.
Visões práticas e atuação multiprofissional
Para o professor Igor Ventura, coorientador da LIAH, discutir oncologia exige reconhecer que cada caso é complexo e demanda múltiplos olhares. Ele ressalta que quanto mais especializada e diversa for a equipe, maior a segurança e o suporte oferecido ao paciente. “A mesa-redonda permitiu que os alunos enxergassem além da interpretação laboratorial. Eles compreenderam o quanto a Biomedicina é fundamental no diagnóstico, no monitoramento e até na perspectiva de cura desses pacientes”, pontua.
O docente lembra que a curadoria dos palestrantes priorizou profissionais que são referência na área e que passaram pela própria Universidade Tiradentes. “Convidamos egressos que hoje têm trajetórias consolidadas no ambiente hospitalar e que atuam diretamente com oncologia. Isso aproxima o estudante da realidade do mercado e cria uma identificação imediata”, comenta.
Além do conteúdo técnico, Igor reforça o impacto motivacional que o contato com esses especialistas proporciona. “O brilho nos olhos dos alunos que já têm afinidade com a área, e até daqueles que ainda procuram uma habilitação, mostra o quanto esse tipo de encontro é transformador. A vivência prática é um diferencial para quem está construindo sua trajetória”, complementa.
Experiência universitária alinhada ao mercado
A coordenadora do curso de Biomedicina da Unit, Patrícia Almeida, destaca que iniciativas como o “Cuidado Oncológico” fortalecem a formação dos estudantes ao conectar teoria, prática e realidade de mercado. Para ela, esses momentos ampliam a compreensão sobre o papel do biomédico no cuidado ao paciente. “Eventos como esse permitem que os alunos visualizem de maneira mais concreta como se dá o dia a dia de atuação, oferecendo contato real com desafios, demandas e práticas clínicas”, observa.
Patrícia explica que a universidade apoia as ligas acadêmicas justamente por reconhecer que elas ampliam a experiência dos estudantes. “A Unit oferece suporte institucional, orientações e estrutura para que essas atividades aconteçam. Incentivamos as ligas porque elas complementam a formação e estimulam o protagonismo estudantil, algo essencial para quem busca se destacar na área da saúde”, afirma.
A coordenadora reforça que, além de enriquecer competências técnicas, esses eventos aproximam os alunos das tendências profissionais. “Os convidados externos trazem experiências atuais, novas tecnologias, práticas laboratoriais e protocolos clínicos que estão sendo implementados. Isso contribui diretamente para uma preparação mais sólida e alinhada às necessidades do mercado”, acrescenta.
Perspectivas para a LIAH
Com o fortalecimento da abordagem multidisciplinar, a LIAH segue expandindo sua atuação e preparando novas ações para os próximos semestres. De acordo com Igor Ventura, a liga continuará explorando temas essenciais da hematologia e ampliando parcerias com outras áreas da saúde. “Há sempre novidades científicas, como terapias avançadas e novas estratégias de tratamento. Nada melhor que uma liga acadêmica para discutir essas atualizações e ajudar o aluno a acompanhar a evolução da área”, explica.
Isana Leal complementa que a liga cumpre um papel importante ao aproximar teoria e prática, permitindo que o estudante vivencie situações reais e desenvolva competências fundamentais para a atuação profissional. “A LIAH possibilita que os alunos ampliem seu olhar, interajam com diferentes profissionais e compreendam a complexidade do cuidado ao paciente hematológico. Isso fortalece nossa formação e prepara nossos futuros biomédicos para os desafios da profissão”, finaliza.
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