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Alta nos casos de Covid-19 é atribuída a reuniões de Carnaval

Mais medidas de suspensão de atividades foram anunciadas em Sergipe e Alagoas; professora da Unit explica que os sintomas do coronavírus podem surgir em 15 dias

às 20h22
Fechamento de serviços não-essenciais aos finais de semana visam diminuir chances de disseminação do coronavírus 

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fechamento de serviços não-essenciais aos finais de semana visam diminuir chances de disseminação do coronavírus Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Os estados passaram a aumentar ainda mais as medidas restritivas de circulação de pessoas, numa tentativa de frear o avanço dos casos da Covid-19. Nesta quinta-feira, 4, foi a vez de Sergipe, onde o governador Belivaldo Chagas anunciou um decreto que proíbe o funcionamento dos serviços considerados não-essenciais no período entre 22h e 5h do dia seguinte, durante os dias úteis. Já aos finais de semana, a proibição para funcionar começa às 18h de sexta-feira e só termina às 5h da segunda-feira seguinte. Entre os segmentos afetados, está o de bares e restaurantes, que só podem funcionar com serviço de delivery.

As novas restrições são justificadas pelo aumento acelerado dos casos de coronavírus, que somaram mais 71 mil novos casos e 1.900 novas mortes nesta quarta-feira, segundo o Ministério da Saúde. A alta é atribuída à exposição ao vírus ocorrida durante o carnaval, quando muitas pessoas driblaram o cancelamento do feriado e a suspensão dos pontos facultativos para fazer festas e reuniões em casa, com familiares e amigos. “Não teve festa, mas teve carnaval em casa”, resumiu o governador sergipano, ao anunciar as medidas. Cientificamente, esta hipótese é possível e a mais provável.

A infectologista Renata Brandão Leite, professora de Medicina da Universidade Tiradentes (unidade Alagoas), diz que a concentração de pessoas que moram em casas diferentes em um mesmo local aumenta significativamente as chances de contaminação, mesmo sendo pessoas de uma mesma família. “A questão é compartilhar um mesmo local. Se eu tenho um ambiente familiar de casa, onde todos moram juntos e se cuidam, não há risco. Mas se tenho famílias que moram em outras casas, com outros hábitos e outras formas de cuidado, existe o risco de transmissão do vírus”, disse ela.

Renata lembra que as pessoas com o coronavírus podem transmitir a doença, ainda que não apresente nenhum sintoma, antes mesmo do prazo típico de 15 dias de incubação. “Os primeiros sintomas costumam se manifestar neste período e todos esses novos casos que estão surgindo agora são fruto dessa exposição ao vírus, que aconteceu há duas semanas, o que bate com o período do Carnaval”, ressalta a médica, referindo-se à superlotação dos leitos hospitalares destinados a pacientes com Covid-19, em grande parte dos estados brasileiros. 

Alagoas e Pernambuco

Outros estados também adotaram decisões semelhantes à de Sergipe. Em Alagoas, as medidas foram anunciadas, hoje à tarde, pelo governador Renan Filho, que colocou o estado na fase amarela do Plano de Contingência, com suspensão de eventos e limite de horários para o funcionamento do comércio, shoppings, bares e restaurantes. E em Pernambuco, o governo local estendeu o toque de recolher até o dia 17, suspendendo o funcionamento das atividades não-essenciais entre 20h e 5h, incluindo clubes, praias, parques, shoppings e até o comércio de rua. 

A restrição das atividades não-essenciais e até da circulação de pessoas à noite é a medida mais recomendada pelos cientistas e especialistas da área de saúde, pois tem o objetivo de reduzir os pontos de aglomeração de pessoas e as chances de disseminação do coronavírus e de suas variantes, cujos estudos apontam que eles têm uma concentração de vírus até 10 vezes maior que a cepa mais comum. “Quanto menos gente circulando, teremos menos gente contaminada e os nossos serviços de saúde terão mais condições de dar conta dos casos que já deram entrada”, explica Renata, alertando que a população precisa colaborar mais com as medidas de prevenção. “É preciso mais do que nunca evitar as aglomerações desnecessárias”, exorta. 

Ascom | Grupo Tiradentes

 

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