Alunos estrangeiros que estão em intercâmbio na Universidade Tiradentes (Unit) participaram na última sexta-feira, 15, de uma Oficina de Gastronomia Regional, promovida pelo curso de Gastronomia em parceria com a Gerência de Relações Internacionais (GRI). Ao longo da noite, os sete estudantes vindos do Peru, da Colômbia, da Espanha e dos Estados Unidos puderam aprender a preparar um menu de pratos regionais típicos de Sergipe, com o apoio de alunos do próprio curso e também dos buddies, veteranos da Unit que acompanham o dia-a-dia dos intercambistas através do Projeto Buddy. Esta foi a sexta edição da oficina, que é realizada desde 2023 no Centro Gastronômico do Campus Farolândia, marcando um momento de descontração e intensa troca de culturas e conhecimentos.
“O que a gente come diz muito sobre a cultura de um povo, e a gente acredita que os intercambistas gostam de ter essas experiências culturais, de aprenderem um pouco mais sobre Aracaju. E acreditamos que cozinhar é uma parte muito interessante disso. Por isso, pedimos o apoio do curso de Gastronomia, que organizou um cardápio bem regional, com elementos da nossa gastronomia e a gente trouxe os alunos internacionais para que aprendam a trabalhar com esses ingredientes. Geralmente, eles se divertem bastante, porque é bem fora da zona de conforto de todo mundo, e saem com mais uma bagagem cultural para levar aos seus países”, explica Júlia Gubert, assessora de relações internacionais da Unit.
O cardápio proposto aos alunos procurou refletir os principais ingredientes típicos utilizados na culinária de Sergipe e de boa parte do Nordeste brasileiro. Para a entrada, foi escolhido o pastel de aratu. O prato principal foi carne do sol com molho de rapadura, acompanhada por creme de queijo coalho, farofa d’água com amendoim cozido e vinagre de caju. A sobremesa escolhida foi a queijadinha com espuma de mangaba, tendo como drinque um frisante de umbu com calda de rapadura.
“É um momento que a gente mostra a nossa cultura de perto. Eles têm acesso aos alimentos in natura e participam do preparo dos pratos, para mostrar nossa cultura, nossa história e o pertencimento identitário da nossa alimentação. Com certeza eles já comeram boa parte desses alimentos por estarem na nossa cidade, mas servidos de um modo tradicional. Aqui a gente traz esse tradicional e dá uma incrementada na forma de preparar”, diz a professora Isabelle Brito, do curso de Gastronomia, ao afirmar que os alunos do curso também acabam aprendendo informações novas com os estrangeiros. “Os nossos alunos ficam super encantados porque também conseguem interagir com a cultura deles. Explicam se conhecem, se já comem algo parecido ou similar nos países de origem e assim promovem um momento de envolvimento através da alimentação”, acrescenta.
Trocando conhecimentos
Uma das alunas participantes da Oficina foi a peruana Kadiha Belen Lazarte Najarro, que faz o sexto ano do curso de Farmácia e Bioquímica da Universidad Católica de Santa Maria (UCSM), em Arequipa (Peru). Ela chegou a Sergipe em 27 de janeiro e ficou bastante interessada na culinária brasileira, especialmente pela tradicional queijadinha da cidade de São Cristóvão. “Nos contaram um pouco sobre a história dela, como ela surgiu em Portugal, como foi trazida de lá e como foi adaptada à cultura dos brasileiros, que substituem o queijo pelo coco. É sempre muito enriquecedor interagir com os outros estudantes, porque você acaba aprendendo muito sobre diferentes culturas, e aprende um pouco de tudo. Inclusive a cozinhar”, diverte-se Kadiha, que está em mobilidade na Unit até meados de julho.
Outro aluno participante também veio do exterior, mas não como intercambista: Samuel Farias Reed, filho de mãe brasileira e pai norte-americano. Nascido em Lakewood, no estado de Washington (noroeste dos EUA), ele mora em Aracaju há três meses com a família materna e estuda o terceiro período do curso de Ciências da Computação na Unit. “Eu me sinto bem aqui em Aracaju e adoro os pratos brasileiros. “Não consigo comer todos os pratos, porque eu tenho alergias a frutos do mar e a glúten. Mas gosto de rapadura, queijo coalho e outros pratos brasileiros que consigo. Já fiz vinagrete uma vez para oferecer, mas cortando o tomate. Estou animado e adorando interagir com os colegas daqui. Todos são muito gentis comigo e eu amo a energia que eles têm”, afirma Samuel.
O envolvimento dos alunos estrangeiros no preparo dos pratos sergipanos também contagiou os buddies, como Bernardo Luz Nascimento, do terceiro período de Direito, que acompanha todos os intercambistas em mobilidade ao longo do semestre 2026.1. “Para mim, é uma experiência muito bacana poder acompanhar e mostrar um pouco da nossa cultura para todos os intercambistas. Acompanhar uma oficina de gastronomia na Unit é uma experiência muito nova para mim, mas muito legal”, comentou Bernardo, que gosta de cozinhar nas horas vagas. “A Gastronomia sempre foi minha terceira opção, mas mostrar essa habilidade aqui é um pouco diferente, porque eles [os alunos e professores] já têm a técnica e eu só tenho a vontade”, admite, bem-humorado.
Para a estudante Giovanna Santana Muniz, do primeiro período de Gastronomia, a aula com os alunos estrangeiros e com os buddies também foi uma experiência nova e enriquecedora, inclusive com aprendizados sobre a culinária de outros países. “Eu estava conversando com um aluno peruano e ele me disse que acha o brigadeiro muito doce, porque ele não está acostumado com o açúcar que a gente tem aqui. Eu também perguntei a ele sobre as coisas que ele já experimentou aqui, o que ele mais gostou e foi bem legal. Eu sinto uma vontade bem grande de fazer intercâmbio, principalmente para conhecer as coisas de fora, porque eu acho interessante. Foi uma experiência bem legal”, considerou.
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