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Alunos com dificuldade de aprendizagem recebem apoio integral na Unit


às 23h34
“É fundamental conhecer as causas psíquicas que dificultam o processo de aprendizagem para que se possa trabalhá-las”,  salienta a professora Nanci  Mitsumori
“É fundamental conhecer as causas psíquicas que dificultam o processo de aprendizagem para que se possa trabalhá-las”, salienta a professora Nanci Mitsumori
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O ingresso de estudantes com algum tipo de deficiência ou transtorno de aprendizagem é uma realidade no ensino superior no Brasil e ainda um desafio para muitas Instituições de Ensino Superior (IES) por exigir mudanças nas práticas acadêmicas.

Partindo do princípio de que é possível contribuir para a aprendizagem de alunos com alguma necessidade educacional específica, a Universidade Tiradentes já iniciou o trabalho de orientação do corpo docente. A professora Nanci Mitsumori, psicopedagoga e psicanalista do Núcleo de Apoio Psicossocial (NAPPS/Unit), explica que a primeira fase do trabalho é a identificação do educando que tem algum grau de dificuldade para o acompanhamento dos conteúdos. “Em contato com os profissionais que acompanham esses discentes temos as informações sobre o quadro clínico, o diagnóstico e as dificuldades. Com isso elaboramos um plano individual de trabalho que é encaminhado para as coordenações dos cursos que, estando de acordo, passam as orientações para os professores sobre o tipo de adaptações que seriam necessárias, considerando a dificuldade daquele aluno, mas sem que haja comprometimento do conteúdo”.

Um exemplo do auxílio para os que apresentam problemas na aprendizagem consiste em elaborar questões mais objetivas, sem muita contextualização. Um trabalho de adaptação construído de forma individualizada. “Se pensarmos no caso de uma dislexia, por exemplo, a gente pode pensar que é igual para todo mundo, mas não é. Precisa ser de fato uma observação muito individualizada sobre qual é o tipo, qual é a dificuldade específica desse aluno. Às vezes, a pessoa tem dislexia, por exemplo, ou transtorno de déficit de atenção, mas não precisa de uma adaptação. Com poucos recursos e com um trabalho de monitoria é possível superar a dificuldade”, revelou Mitsumori.

E, diferente do que alguns podem imaginar, não há facilitação quanto às notas atribuídas às atividades realizadas por esse grupo. Em geral, os conteúdos são os mesmos, mas as formas de tratar as disciplinas, metodologicamente, ou de avaliar, é que diferem. “Nós precisamos desmistificar essa ideia de que vai ser tudo facilitado. O objetivo não é que o acadêmico seja aprovado de qualquer forma. Muitos deles estão em provas finais e nós temos feito um trabalho de preparação para essas provas. Há casos, inclusive, de reprovações.  Tem conteúdo que é fundamental para a formação profissional”, declarou.

Especialistas dizem que é preciso estímulo para o desenvolvimento psíquico. Por isso, paralelo às ações com os professores, foi criada a Oficina Psicopedagógica de Leitura e Escrita, uma turma piloto coordenada pela professora Nanci com o objetivo de oferecer aos participantes a possibilidade de fazer uma leitura mais ampla do processo de aprendizagem. “É fundamental conhecer as causas psíquicas que dificultam o processo de aprendizagem para que se possa trabalhá-las”, falou.

Ampliando a perspectiva de suporte e inclusão do aluno que apresenta dificuldades de aprendizagem, continuamente a família participa do processo que prioriza oferecer múltiplas oportunidades de aprendizagem e independência. “Havia uma visão de que era o aluno que tinha um transtorno de aprendizagem que teria que se adaptar. Agora, a instituição, pelo paradigma da inclusão, entende que não. Todas as partes envolvidas devem fazer esse ajustamento. São diversos contextos que temos que examinar, com muito cuidado, acolhimento. Dedicar tempo e construir um trabalho de colaboração, para que as coisas sejam colocadas nos devidos lugares”, afirmou.

E com os resultados apresentados, o NAPPS pretende aumentar a rede de suporte em 2020, agregando ações entre aprendizagem, ação docente e interação. “A proposta é discutir com coordenadores e professores, os casos específicos de alunos, e suas limitações. Será uma possibilidade de construir ferramentas em prol dos discentes com deficiência ou transtornos de aprendizagem, que estão cada vez mais presentes na universidade, graças aos ventos da inclusão, que sopram há alguns anos”, concluiu.

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