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Alunos da Unit promovem ação social para indígenas em AL

Evento realizado no município de Porto Real do Colégio reuniu cerca de 600 famílias da Tribo Kariri Xocó

às 21h31
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Cerca de 40 alunos e professores participam da ação

Cerca de 40 alunos e professores participam da ação

Sabrina Neto

Fotos: Valéria Bonini/ Priscila Mendonça

Cerca de 3 mil índios vivem na tribo Kariri Xocó no município alagoano de Porto Real do Colégio, localizado a 182 quilômetros de Maceió. A aldeia ocupa um espaço de 620 hectares, onde mais de 600 famílias constroem suas casas, plantam e produzem o artesanato, principal fonte de renda da comunidade. No último sábado, 18 de maio, os indígenas deixaram suas atividades de lado para dispor de um momento muito especial com mais de 40 acadêmicos e professores dos cursos de Biomedicina, Enfermagem, Medicina, Odontologia, Engenharia Ambiental, Comunicação Social, Educação Física e Gastronomia da Universidade Tiradentes. A manhã social mobilizou centenas de crianças, adultos e idosos da tribo.

A atividade extensionista aconteceu na escola Estadual Indígena Pajé Francisco Queiroz Suíra. Dosagem glicêmica, atendimento pediátrico, profilaxia ondontológica, aferição de pressão arterial foram alguns dos atendimentos oferecidos à população. A moradora Maria Gleyziane Pires Correia foi uma das primeiras a chegar ao local. Acompanhada de seus filhos João Wenderson Correia, 3 anos, e Gleiziele Francine Correia, 8, ela confessa que há muito tempo não fazia uma avaliação médica por causa da dificuldade de um atendimento de saúde no município.

“Temos muitas dificuldades com equipe médica. Existe um posto, mas é carente de um pediatra, da parte odontológica. Muitas vezes temos que correr para outras cidades para ter atendimento e é muito difícil. Já tem três anos que fiz exames, ainda estava grávida do João, por isso, estou achando muito boa esta atividade”, afirma Maria Gleyziane.

Assim como ela, a jovem Ariana Campos Rodrigues aproveitou para colocar a saúde da família em dia. Enquanto ela fez a dosagem glicêmica, sua filha, a pequena Ianquia Campos Carvalho, de dois anos, participou do atendimento pediátrico. Para Ariana, um dos serviços mais importantes oferecidos pelos estudantes e professores. “Se fosse para levar minha filha a um pediatra não seria tão cedo. Para fazer consulta com ela tem que pagar, porque se for pela Funasa não tem”, desabafa Ariana.

Criança recebe orientações sobre higiene bucal

Criança recebe orientações sobre higiene bucal

Em pequenos grupos, os estudantes atendiam a comunidade que fazia filas para usufruir dos serviços. No caso de José Querino de Souza, o índio mais velho da aldeia com 105 anos, o atendimento – como aferição de pressão arterial e dosagem glicêmica – foi realizado em domicílio. O pajé da tribo, Julio Queiroz Suíra, também participou da ação e fez questão de acompanhar os demais índios na avaliação da saúde. “Isso aqui para mim e para minha comunidade é uma das maiores riquezas, porque nós precisamos muito. É uma um presente de Deus”, afirma.

Além da exposição de alguns artefatos produzidos na Tribo, os índios dançaram o Toré, conjunto de danças e cantos indígenas. Segundo o coordenador de Extensão da Unit, professor Gilton Kennedy, a atividade é um momento ímpar para o acadêmico devolver a comunidade o conhecimento adquirido na academia. “A universidade deve estar inserida em todos os espaços, fazendo a cidadania e levando seus alunos a vivenciarem este processo para terem a consciência de que podem fazer a diferença nesta sociedade”, destaca o coornadenador.

EXPERIÊNCIA

A experiência do trabalho voluntário é sempre enriquecedora na formação acadêmica, profissional e pessoal. Géssica Trindade sabe disso. Pela quarta vez, a estudante do 3º período de Odontologia participa de um trabalho voluntário. “Através dessa experiência enxergamos como é a realidade e de que forma podemos trabalhar com ela. O cenário aqui é triste e de muita carência. Para mim essas ações deveriam ser matérias obrigatórias nas universidades”, reforça a aluna. O grupo dela levou o escovódromo, orientou a comunidade sobre como deve ser feita a prevenção odontológica e distribuiu escovas de dentes e creme dental.

Quem também ficou entusiasmado com o trabalho foi o mestrando em Engenharia de Processos Pedro Campello. Junto com alunos do curso de Engenharia Ambiental, ele realizou oficina de fogão solar e compostagem. “Sempre participo de trabalhos voluntários e achei muito bacana estarmos aqui e ter esta oportunidade”, considera.

Luciano Bispo da Silva está no primeiro período de Educação Física. Para o aluno, que possui descedência indígena, a vivência é muito especial. “É gratificante, uma honra para mim, pois minha bisavó era índia”, acrescenta Luciano que realizou, junto aos demais alunos do curso, atividades recreativas com adultos e crianças da aldeia.

Se para os estudantes, o contato com a comunidade representa um pilar importante para a formação, para os oito professores que acompanharam os alunos, o momento serve para propiciar outra realidade aos acadêmicos. A professora Deyse Dias, dos cursos de Comunicação Social, acompanhou três acadêmicos e mais dois docentes na cobertura jornalística. Para ela, a experiência desse trabalho será fundamental para o desenvolvimento  da visão de mundo dos futuros profissionais. “Eu já conhecia os Kariri Xocó, porque realizei algumas matérias, mas estou impressionada como estão relegados. Esta visão é importante para que os alunos, como futuros profissionais, possam denunciar e, quem sabe, transformar esta realidade”, observa Deise. O material produzido pelos acadêmicos de Comunicação Social renderá uma exposição fotográfica e outras ações permanentes na aldeia.

INICIATIVA

A ideia para que toda esta mobilização acontecesse partiu da professora do curso de Odontologia Margarite Del Mondes Freitas e da acadêmica Roseane Santos Silva, do 4 período do curso. Ambas são índias e estudaram a possibilidade de realizar alguma atividade de extensão na comunidade. O projeto foi apresentado por Margarite em agosto do ano passado durante um fórum de desenvolvimento regional, realizado semanalmente entre os docentes na Universidade Tiradentes.

“Depois que alguns índios vieram a óbito na mata por beberem um preparado com folhas e ervas, a aluna ficou em dúvida se tinha alguma contaminação e percebeu a falta de médicos na comunidade. A partir daí, surgiu a ideia de realizarmos uma grande ação extensionista. Corre sangue indígena nas nossas veias e sinto que é nossa missão trazer esta condição de melhoria. A ideia é manter a aldeia dos Xocó como um polo de extensão”, explica Del Montes.

“Isso é um importante passo, pois nossa comunidade é carente. Queremos fazer extensão e formar muitas parcerias para ajudar nossa comunidade”, acrescenta Wesley de Souza Matos, coordenador do projeto Horizonte Circular na aldeia, que tem como um dos principais objetivos a promoção da cultura na tribo.

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