O uso do metaverso como ferramenta de educação é o tema de uma pesquisa de iniciação científica que está em andamento na Universidade Tiradentes (Unit). O estudo sobre a Ada Labs, plataforma de educação imersiva desenvolvida pela startup Ada Metaverse, é realizado pela estudante Erika Vitória Oliveira Aragão, aluna do oitavo período de Enfermagem, com orientação da professora Alana Danielly Vasconcelos, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPED). O objetivo é desenvolver laboratórios virtuais de metaverso para treinamento e capacitação para estudantes da saúde, além de destacar os impactos das ferramentas e tecnologias educacionais no processo de ensino e aprendizagem.
Erika conta que o interesse em estudar essa plataforma surgiu através de uma palestra que foi apresentada na Semana da Enfermagem em 2024, abordando e explicando o que era o Metaverso. E que escolheu estudar o tema “por acreditar que a educação de qualidade pode mudar o mundo e também na mudança positiva que esse projeto acrescenta na nossa sociedade”.
Segundo a autora, a Ada Labs é um laboratório de anatomia virtual e imersivo, que surgiu através do interesse de ajudar na formação de profissionais da área da saúde para o mercado de trabalho. “Dentro desse laboratório temos um corpo humano (como um atlas) e nele podemos revisar de maneira mais rápida, em um ambiente seguro e controlado, reduzindo custos. Com ele, revisamos qualquer parte do corpo, pois é só clicar na peça e já aparece toda a descrição dela. É o que facilita na hora de revisar/ estudar, pois quando você vai pra o laboratório comum tem que levar livros e como ele é extenso, acaba demorando muito pra estudar, tendo um rendimento às vezes diminuído). Essa plataforma veio para complementar o ensino tradicional, sendo uma aliada na formação” complementa a estudante.
A Ada Metaverse surgiu a partir de uma série de pesquisas desenvolvidas pelas biomédicas Tamara Magalhães Nunes e Tássia Magalhães Nunes, egressas do curso de Biomedicina da Unit. Desde a sua constituição como startup, ela está incubada no Tiradentes Innovation Center (TIC) e desenvolve plataformas e soluções para a criação de espaços virtuais de treinamento baseados em tecnologias de realidade estendida, neuroengenharia e inteligência artificial.
Uma delas é justamente a Ada Labs, criada em parceria com a Unit e com a participação de pesquisadores das áreas da saúde e ciência da computação. A proposta é de uma abordagem interdisciplinar voltada à produção de modelos tridimensionais anatômicos com possibilidades de aplicação na educação. Além das tecnologias de IA e realidade estendida, através de um ambiente de simulação seguro e controlado para treinamento; a plataforma conta ainda com metodologia de aprendizagem ativa baseada em neurociência, análise de dados para progresso de desempenho e performance, e o Sistema LMS, um ecossistema completo de gestão de aprendizagem para formação profissional.
“Por ser um laboratório imersivo, ele usa muito do princípio da gamificação ‘aprende brincando’. Apesar de não ser uma brincadeira, o cérebro consegue associar mais rápido quando você pratica aquilo que está estudando. Ele ajuda na memorização das peças e auxilia no maior aprendizado em um tempo menor. Afinal, já tem a descrição junto com a peça, sendo um facilitador na hora de revisar as matérias”, detalha Érika.
Os dados definitivos da pesquisa devem ser apresentados após a finalização do projeto de Iniciação Científica, prevista para o final deste ano. Ela inclui ainda uma etapa de validação com usuários e a necessidade de um aperfeiçoamento contínuo da atualização de dados e informações, da metodologia e da verificação de aprendizagem e desempenho. No entanto, a autora já prevê que as plataformas de metaverso vão contribuir com a “formação de profissionais mais qualificados para a área de trabalho e mais seguros do conhecimento que carregam, além de andar junto com as evoluções do nosso tempo”.
Interesse despertado
Érika Vitória também foi vice-presidente da Liga Acadêmica de Enfermagem Perioperatória (Laepe), durante o período 2024.2 Ela participa do projeto da Ada Labs através do Programa Voluntário de Iniciação Científica da Unit (Provic). Além desta experiência, ela auxilia o treinamento de professores e estudantes para o uso da plataforma e representa a equipe em congressos, eventos, jornadas pedagógicas e feiras científicas, sendo coautora de artigos em fase de submissão. Em paralelo, demonstra interesse acadêmico nas áreas de neurociência, nanotecnologia aplicada à enfermagem, tecnologias emergentes em saúde, simulação realística e inovação educacional.
Um interesse que foi despertado ao longo de seus estudos no curso, e que veio com ainda mais força a partir da sua participação na Iniciação Científica. “Ela me ensinou a sair da zona de conforto, acreditar e aplicar o que um dia fez parte apenas do meu pensamento em querer fazer algo bom para a sociedade.de alguma maneira isso sempre fará parte dos meus próximos passos. A Unit contribuiu tendo uma estrutura que me auxiliou a procurar e aplicar meu conhecimento, tendo excelentes profissionais (professores, doutores, etc) que me ajudaram e me deram oportunidade de crescer como pessoa e me auxiliaram na futura profissional que está em construção”, considerou a aluna.
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