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Aprendizado de matemática no Brasil ainda precisa de melhorias

Baixo desempenho de estudantes brasileiros em avaliações de matemática é atribuído a desigualdades, mas também a questões pontuais no ensino da matéria pelas escolas

às 20h21
A matemática deve ser compreendida como algo que vai além dos cálculos e ajuda solucionar problemas e questões do dia-a-dia. (Jeswin Thomas/Unsplash)
A matemática deve ser compreendida como algo que vai além dos cálculos e ajuda solucionar problemas e questões do dia-a-dia. (Jeswin Thomas/Unsplash)
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Um dos maiores desafios atuais da educação brasileira é o ensino e aprendizagem de matemática, que vem apresentando índices muito baixos por parte dos estudantes em avaliações nacionais e internacionais. Um exemplo disso está no resultado da chamada Avaliação de Aprendizagem em Processo, um exame feito duas vezes ao ano pelo governo do estado de São Paulo para medir o desempenho de 20 mil alunos da rede estadual de ensino. Na edição de abril deste ano os estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental alcançaram 196 pontos na avaliação de matemática, muito abaixo dos 242 pontos da edição 2019 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). No 9º ano, foram 248 pontos do exame deste ano, contra 261 de 2019. E dentre os do 3º ano do Ensino Médio, foram 255 pontos da avaliação de 2021, contra 273 do Saeb 2019. 

O resultado já considera os impactos da pandemia do novo coronavírus, que afetou fortemente as condições de ensino de boa parte dos estudantes e professores no Brasil. No entanto, o problema já vinha se desenhando desde antes, a julgar pelos resultados de edições anteriores do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). “Dados da edição de 2018 apontam que 68,1% dos estudantes brasileiros, com 15 anos de idade, não possuem nível básico de matemática, o mínimo para o exercício pleno da cidadania. Em ciências, o número chega a 55% e, em leitura, 50%”, aponta o professor César Garcia Pavão, dos cursos de Matemática, Engenharias, Arquitetura e Ciência da Computação da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe)

Para ele, o ensino de matemática em nosso país se desenvolveu de forma tardia em relação a outros países. “De uma forma geral, em termos mundiais, o Brasil está engatinhando no mundo da matemática devido ao desenvolvimento tardio do sistema de universidades e em especial dos centros de pesquisa. Avançamos a partir dos anos 1950, com a criação de agências de fomento, a criação do IMPA [Instituto de Matemática Pura e Aplicada] e a adesão do Brasil à União Matemática Internacional [IMU]”, explana César, citando que o país organizou a Olimpíada Internacional de Matemática, em 2017, e o Congresso Internacional de Matemáticos, em 2018. 

Um dos fatores que influenciam no desempenho dos estudantes é o desinteresse de parte deles pela matemática, considerada por eles como uma ciência “difícil” e composta apenas por cálculos. O professor acredita que esse é um conceito distorcido e o atribui à forma como a ciência é apresentada aos alunos. “De forma bastante sucinta, a matemática é afetada por uma revisão dos seus próprios conceitos. Assim acredito que a apresentação da matemática desligada da realidade seja o motivo desse ‘mito’”, avalia Pavão, que também atribui o baixo desempenho a um fator que vai muito além das salas de aula. “Tal fato, para mim, está ligado diretamente a desigualdade social, cultural e econômica em que vivemos. Quanto mais rico for o estudante, maiores são as oportunidades de acesso à educação de forma exclusiva, enquanto os estudantes pobres necessitam dividir o tempo dedicado aos estudos com o trabalho, por exemplo”, pontua.

Como melhorar

O caminho é fazer compreender que a matemática vai muito além dos cálculos, mas também é uma aliada importante para solucionar problemas e questões do dia-a-dia. Para o especialista, que é egresso do curso de Matemática da Unit e doutor em Geociências Aplicadas pela Universidade de Brasília (UnB), os professores e gestores na área de educação podem adotar medidas que venham a ajudar a melhorar o desempenho dos estudantes em Matemática. 

De acordo com César, além do ensino integral e do acesso igualitário à informação para todos os alunos, os professores devem “trabalhar a essência da matemática e não preparar o estudante para ser aprovado em determinado exame ou concurso”. Eles também devem incentivar e engajar a participação dos estudantes em eventos da área, como a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP), uma competição que envolve estudantes acima do 6º ano do Ensino Fundamental. E por outro lado, as instituições de ensino superior devem ser incentivadas a ofertarem conteúdos, professores e laboratórios para alunos dos ensinos Fundamental e Médio.

Asscom | Grupo Tiradentes

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