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Bactérias multirresistentes

Bactérias multirresistentes: um problema de saúde pública

às 21h01
A Organização Mundial da Saúde – OMS – lançou recentemente um documento alertando a comunidade cientifica, sociedade civil e governantes para a relação das bactérias mais resistentes aos melhores medicamentos antimicrobianos existentes no mercado. Segundo a instituição, estes microrganismos são particularmente perigosos em hospitais, casas de repouso e entre os pacientes que necessitam do uso de ventiladores e cateteres intravenosos.
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A publicação desse documento é, segundo a OMS, um apelo aos governos para que implementem políticas de incentivo à ciência básica e à P&D avançada, tanto por meio de agências financiadas pelo setor público quanto pelo setor privado. A intenção é que mais recursos sejam investidos na descoberta de novas medicações.

Embora essencial, a pesquisa de novos remédios não basta para combater os microrganismos resistentes. De acordo com a OMS, outras medidas são fundamentais, a exemplo da prevenção de infecções e o uso adequado de antibióticos já existentes, tanto entre humanos, como nos animais, assim como o consumo racional de novos medicamentos que venham a ser produzidos.

“Hoje esse problema da resistência bacteriana já não é mais um problema pontual, é um problema mundial. Essa resistência foi sendo adquirida ao longo dos anos por conta do uso indiscriminado dos antimicrobianos, com isso as bactérias aprenderam a se defender dos antimicrobianos criados pelo homem. Podemos dizer que essa resistência microbiana é um problema de saúde pública”, enfatiza a professora da Universidade Tiradentes, Isamar Dantas, biomédica e mestre em Microbiologia e Imunologia.

Ainda segundo a especialista, essas bactérias que estão na lista divulgada pela OMS não respondem mais aos antibióticos que tinham no mercado e há muitos anos os grupos de pesquisas não descobrem nenhum antibiótico de ordem natural.

“Essas 12 bactérias são mais preocupantes porque chegou ao ápice em relação à resistência, o problema está critico. O que tem sido feito são manipulações de ordem farmacêutica e que muda apenas a constituição química, mas produto natural a qual a bactéria nunca tenha entrado em contato, já faz muitos anos que não se descobre, enquanto isso elas estão criando diversos tipos de enzimas que destroem os antibióticos que já existem no mercado”, alerta.

Desde 2010 que a venda de antibióticos nas farmácias e drogarias só é permitida através da prescrição médica, mas segundo Isamar, muitos médicos continuam prescrevendo indiscriminadamente o uso de antimicrobianos sem fazer o exame de cultura bacteriana para identificar o tipo do microrganismo. Para ela falta a conscientização desses profissionais que ainda não entenderam a dimensão do problema.

“Os infectologistas como convivem com o mundo da microbiologia tem essa noção, mas os outros grupos de médicos não. A cultura é um exame simples e acessível, é feita através da coleta do material no local da infecção e o resultado leva de 24 a 72 horas para ser liberado. Sem esse exame você não tem como conhecer o perfil de sensibilidade da bactéria e o paciente pode está fazendo uso de um antimicrobiano do qual a bactéria já é multirresistente e às vezes teriam outras opções terapêuticas mais eficazes e até pontualmente um pouco menos agressiva”, ressalta.

Contaminação

As bactérias resistentes não costumam colonizar pessoas da comunidade que estejam saudáveis, mas as pessoas que convivem em ambientes hospitalares frequentemente acabam se colonizando. De acordo com Isamar, são essas pessoas que acabam transmitindo essas bactérias para a sociedade e até mesmo para os pacientes que estão nos hospitais.

“Mesmo para quem está saudável existe consequência porque essas bactérias resistentes trocam informações genéticas com as que já temos em nosso organismo, deixando uma quantidade maior de bactéria que a gente tem resistentes também. Mas, o grande problema acontece com aquelas pessoas que estão com outro tipo de doença de base ou com a própria infecção precisando fazer tratamento com esses antimicrobianos, quando você não tem a resposta terapêutica devida e não pode aumentar a concentração porque vai ter sempre lesões renais e hepáticas no paciente”, explica.

A melhor forma de evitar essas infecções é através de medidas profiláticas simples, porém a especialista conta que infelizmente as pessoas não estão tendo a devida consciência. “A correta lavagem das mãos, antes e após qualquer procedimento, e o uso adequado e quando realmente for necessário do antimicrobiano são as medidas que devem ser adotadas. Toda vez que a gente usa um antimicrobiano estamos fazendo pressão seletiva para que as bactérias aprendam a se defender e a produzir enzimas que anulam o efeito do antimicrobiano, por isso esse tipo de medicação deve ser utilizada com muito critério”, orienta.

Especialização

A Universidade Tiradentes está com inscrições abertas para o curso de Pós-graduação Latu Senso presencial em Análises Clínicas, área que tem grande interesse pelo estudo da Microbiologia. As matrículas efetuadas este mês recebem descontos.

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