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Carranca: símbolo da identidade cultural de Propriá

Para o professor da Unit, historiador Rony Rei do Nascimento Silva, essas esculturas povoam o imaginário popular, como um dos símbolos da identidade cultural local

às 22h29
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Tradição, muitas histórias e lendas permeiam as chamadas Carrancas. Os primeiros registros dessa expressão são de 1888 em uma publicação dos autores Antônio Alves Câmara e Durval Vieira de Aguiar, como uma manifestação artística coletiva. A crença é que essas figuras mitológicas que ficam na proa dos barcos atraem o Caboclo D´água e espantam os diversos espíritos que habitam as águas do Rio São Francisco. Assim, as carrancas protegem as embarcações do Velho Chico durante as viagens.  

“Como imagem representativa e articulada simbolicamente com os mitos e lendas do São Francisco, as Carrancas aparecem em diversos empreendimentos, individuais e coletivos, públicos e privados, que recorrem ao uso delas em versões tradicionais ou estilizadas em suas identidades visuais”, comenta o professor doutor do curso de História da Universidade Tiradentes, Rony Rei do Nascimento Silva. 

“Assim, veicula em propagandas e peças publicitárias com o intuito de estabelecer uma imagem institucional positiva perante seus públicos, ao evocar um sentimento de pertencimento à região, por meio da valorização da cultura local”, acrescenta. 

Segundo o especialista, as Carrancas integram a paisagem ribeirinha do São Francisco. “É o resultado da interação entre a cultura popular, a comunicação, o mercado do artesanato e o turismo da região, de modo que é comum a presença dessas esculturas em tamanhos variados, ou mesmo das imagens reconvertidas (material e economicamente), tanto em ambientes externos, a exemplo de praças e ruas, quanto internos, como estabelecimentos comerciais e de serviços, repartições públicas e empresas privadas, sejam hotéis, restaurantes e agências de turismo”, destaca. 

Atualmente, a produção das Carrancas em madeira, e, em menor quantidade, em barro e pedra, é uma atividade ligada aos mercados das artes e do artesanato de Propriá.  

“Essas esculturas povoam o imaginário popular, como um dos símbolos da identidade cultural local, há mais de 100 anos. A cidade de Propriá em Sergipe encontra-se inserida na bacia hidrográfica do São Francisco. Observa-se na localidade, e em diversas cidades da região, o comércio das esculturas e o uso da imagem refuncionalizada, ressignificada e reconvertida, como expressão da cultura ribeirinha e da arte regional”, finaliza o professor da Unit. 

 

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