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Como uma comunidade supera desafios através do samba

Trabalho de doutorado de egressa do PSA/Unit mostra a vida, a luta e a cultura das mulheres de Tijuaçu, a maior comunidade quilombola do interior da Bahia

às 17h54
Documentário mostra a vida no quilombo de Tijuaçu, conhecida pelo samba de lata criado pelas mulheres da comunidade
Documentário mostra a vida no quilombo de Tijuaçu, conhecida pelo samba de lata criado pelas mulheres da comunidade
A autora do documentário, Maria Aparecida Nunes, egressa do PSA/Unit
Aspecto da comunidade Tijuaçu, em Senhor do Bonfim (BA)
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Será exibido neste sábado, 29, de forma on-line, o documentário Tijuaçu: samba, superação e empoderamento, de autoria da professora Maria Aparecida Conceição Nunes, egressa do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente (PSA), da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe). Ele é um dos trabalhos escolhidos para o Festival Balaiano, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura da Bahia, que acontece virtualmente e divulga 55 obras artísticas de todas as regiões do estado da Bahia, entre performances, shows musicais, curtas, fotografias e artesanato.

O filme conta a história da comunidade quilombola Tijuaçu, situada em Senhor do Bonfim (BA), que tem cerca de 5 mil habitantes quilombolas e foi reconhecida oficialmente em 2014 pela Fundação Cultural Palmares. O trabalho sobre o maior quilombo populacional do estado partiu de uma tese de doutorado desenvolvida desde 2018 e apresentada neste ano, juntamente com a gravação, edição e finalização do documentário. 

De acordo com a pesquisadora, ele faz parte de uma série de pesquisas sobre a vida em comunidades tradicionais quilombolas e indígenas que foram afetadas pela construção da barragem de Sobradinho, na Bahia, e surgiu ainda no mestrado, a partir de contatos mais próximos com lideranças locais. São as chamadas “comunidades de fundo de pasto”, conhecidas pela posse e uso comunitário da terra. Aparecida participou ainda de outras pesquisas relacionadas a comunidades quilombolas, a exemplo da Maloca, situada em Aracaju e reconhecida oficialmente como quilombo urbano.

Cida Nunes destaca a importância de Tijuaçu, também conhecido pelo samba de lata, criado no próprio quilombo a partir dos cantos de trabalho das mulheres da comunidade e das influências musicais africanas. Ele acabou adotado como símbolo de identidade e resistência da comunidade. “A proposta de construir um documentário partiu da premissa de que essas comunidades, com essa ferramenta, terão mais visibilidade. Eles mesmos apresentam suas dificuldades, a sua identidade com o território, a luta da resistência e a superação. Isso é pautado numa questão muito importante na comunidade que é o símbolo de fortalecimento por meio do samba de lata. Ele surgiu a partir de um dos grandes desafios que eles passaram, que foi a fome dos anos 1930, e que eles superaram a partir da luta coletiva. O samba foi um dos elos importantes para essa superação”, afirmou ela. 

Entre as principais dificuldades, abordadas tanto no filme quanto no trabalho de doutorado, está a falta de terras suficientes para a produção agrícola. “Como é uma população muito grande, as terras ficam diminutas quando são distribuídas. A média é de três hectares por família, chegando até a ser muito menos. Esse é um dos grandes problemas da comunidade: a falta de regularização fundiária. Claro, isso seguido da falta de incentivo financeiro. Por não ter titulação da terra, não tem como conseguir recursos nos bancos oficiais”, ressaltou Cida, acrescentando que as comunidades do quilombo são assistidas por projetos de ONGs e dos governos federal e estadual, e desenvolvem atividades produtivas de plantio e criação de pequenos animais. 

O documentário tem como um dos focos principais o papel exercido pelas mulheres na vida, na organização e no fortalecimento da comunidade de Tijuaçu. E é nelas que se encontra a conexão da comunidade com o samba, a superação dos problemas cotidianos e o empoderamento. “Essas mulheres são fortes, estão presentes nas decisões das associações, do coletivo, da comunidade. Na pesquisa foi observado que elas são líderes nas suas famílias e 90% são lideranças nas próprias comunidades. O documentário faz essa conexão, da narrativa dessas mulheres com o seu cotidiano, seu modo de vida, sua identidade e seu pertencimento no território quilombola. E o samba de lata é uma ferramenta de empoderamento dessas mulheres. Foi um imenso prazer trabalhar com mulheres tão corajosas, decididas e empoderadas, como as do quilombo Tijuaçu”, ressaltou a professora. 

O documentário Tijuaçu: samba, superação e empoderamento já pode ser assistido através do site do Festival Balaiano, e disponível através do YouTube. A exibição na grade oficial  será no dia 29, às 19h, no canal do festival no YouTube, juntamente com performances e apresentações musicais de artistas das cidades baianas de Paulo Afonso, Feira de Santana, Juazeiro, Ichu e Conceição do Coité.

Asscom | Grupo Tiradentes

 

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