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Da Espanha a Sergipe: estudantes de Direito vivenciam realidade indígena em programa da Unit

Participação no Programa Laboratório Social inclui visitas à comunidade Xokó e contribui para pesquisas em direitos humanos

às 20h57
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Visitas à comunidade indígena, participação em atividades de investigação e contato direto com diferentes realidades sociais fizeram parte da rotina dos estudantes de Direito Hector Ramón Soto e Brunna Lays Silva, da Universidade de Valladolid, na Espanha, que estiveram na Universidade Tiradentes (Unit) por meio do Programa Laboratório Social. Ao longo de quinze dias, eles participaram de ações que incluíram idas à comunidade Xokó, em Porto da Folha, onde coletaram informações que agora embasam os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvidos em parceria entre as instituições.

Para os estudantes, o que mais chamou atenção foi justamente a forma como o conhecimento ultrapassa os limites da teoria. Hector destaca que a experiência foi enriquecedora em diferentes aspectos. “Tivemos a oportunidade de conhecer uma realidade educativa diferente, sair da nossa zona de conforto e aprender diretamente através da experiência. O que mais nos chamou a atenção foi a proximidade entre universidade e comunidade, especialmente através do Programa Laboratório Social, que promove uma aprendizagem muito mais prática e comprometida com a realidade social”, explica.

Brunna reforça essa percepção ao lembrar da intensidade da programação durante a estadia. “Durante os quinze dias, tivemos a oportunidade de integrar atividades de investigação, conhecer o funcionamento da instituição e participar em propostas inovadoras. O que mais chamou a atenção foi a forte conexão entre teoria e prática, especialmente através das atividades de campo”, relata. Segundo ela, o contato direto com diferentes contextos sociais tornou a experiência mais significativa. “A possibilidade de sair do ambiente tradicional da sala de aula e ter contato direto com realidades sociais concretas tornou a experiência muito mais significativa e transformadora”, completa.

Diferenças acadêmicas

Ao comparar os ambientes acadêmicos, os estudantes perceberam diferenças entre as duas instituições. Hector aponta que, enquanto na universidade espanhola a formação tende a ser mais teórica, na Unit há uma valorização maior da prática. “Além disso, a relação entre professores e alunos pareceu-nos mais próxima e dinâmica”, afirma. Brunna também destaca essa mudança de perspectiva no processo de ensino. “Isso contribui para uma formação mais dinâmica e interdisciplinar”, explica.

Um dos momentos mais marcantes da mobilidade foi o primeiro contato com a comunidade Xokó. A recepção e o aprendizado construído a partir dessa vivência deixaram impressões nos estudantes. “Desde o início fomos recebidos com muita abertura e respeito, o que facilitou a nossa integração. O que mais nos impactou foi conhecer a sua realidade, as suas tradições e, ao mesmo tempo, os desafios que enfrentam no que diz respeito aos seus direitos”, conta Hector. Brunna destaca, sobretudo, a força cultural da comunidade. “O que mais me marcou foi a preservação das suas tradições, a forte identidade cultural e a relação com o território. Essa vivência proporcionou um contacto direto com uma realidade muitas vezes distante do contexto europeu”, relata.

Impacto na pesquisa

A experiência prática teve impacto direto na construção dos trabalhos de conclusão de curso dos estudantes, ambos voltados para a temática dos direitos humanos. Hector explica que o contato com a comunidade ajudou a redefinir o olhar sobre a pesquisa. “O contato direto com membros da comunidade, ouvindo as suas experiências e preocupações, fez-nos repensar o enfoque do trabalho, tornando-o mais realista e centrado nas necessidades concretas”, afirma.

O tema do TCC desenvolvido por ele aborda a análise dos direitos humanos da comunidade Xokó sob uma perspectiva jurídica e social. Já Brunna foca no direito à educação dos povos indígenas. “A experiência no Brasil permitiu estabelecer uma ligação direta entre a teoria estudada e a realidade observada, tornando a pesquisa mais concreta e contextualizada”, explica.

Além disso, ambos ressaltam que a vivência ampliou a compreensão sobre os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais. “Permitiu-nos perceber que, embora existam leis que reconhecem os direitos dos povos indígenas, na prática ainda existem muitas dificuldades para garantir o seu cumprimento”, pontua Hector. Brunna complementa ao destacar a importância de políticas públicas eficazes e sensíveis às especificidades culturais.

Se fosse preciso resumir a experiência em uma palavra, Hector não hesita: “transformadora”. Para ele, a vivência não apenas ampliou conhecimentos acadêmicos, mas também mudou a forma de enxergar a realidade e o papel profissional no futuro. Brunna, por sua vez, resume de forma mais pessoal: “Essa oportunidade tinha que ser minha”. A estudante ainda deixa um conselho para quem deseja participar de programas de mobilidade acadêmica. “É uma oportunidade única de crescimento pessoal e académico, que permite desenvolver uma visão mais ampla e crítica do mundo. Mesmo em períodos curtos, é possível adquirir aprendizagens significativas e sair da zona de conforto”, afirma.

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