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Egresso da Unit participa do documentário “Sertão como se fala”

Leandro Lopes, formado em Jornalismo pela Universidade Tiradentes, viaja por sete Estados em busca do abcedário sertanejo

às 17h41
Leandro Lopes, egresso Unit
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Leandro Lopes, egresso Unit

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Um documentário, oito seres, várias perguntas. Dezessete cidades, 8 mil quilômetros, 34 dias. Um alfabeto, 26 letras e 35 fonemas. Mais do que números, o filme ‘Sertão como se fala’ quer soletrar narrativas daqueles que aprenderam a falar as primeiras letras por meio do abecedário sertanejo.

A partir do dia 6 de outubro, jornalistas, documentaristas e produtores audiovisuais que vivem em Belo Horizonte deixam os limites do cerrado mineiro e avançam no mapa do sertão do Brasil para registrar histórias de um povo que lê o mundo com nove fonemas diferentes do abc convencional. São eles: ê – fê – guê – jí – lê – mê – nê – rê – sí, correspondentes às letras E – F – G – J – L – M – N – R e S. A peculiaridade foi retratada na canção ‘ABC do Sertão’, composta por Luiz Gonzaga e regravada por músicos como Geraldo Azevedo e Zé Ramalho.

De cunho cultural e tendo em vista a falta de material de pesquisa acessível sobre o tema, o documentário vai investigar as raízes deste alfabeto e da sua difusão. O filme também vai examinar reflexos desta expressão cultural nas formas de sociabilidade e vai levantar questões relacionadas às heranças culturais e identitárias do sertanejo.

Para isto, a equipe de produção vai conversar com educadores, professores, alunos, estudiosos e artistas que tiveram em sua formação o jeito sertanejo de falar e buscará compreender, por meio das memórias relatadas, como o modo foneticamente diferente de se comunicar interferiu na formação pessoal de cada um.

A equipe de produção percorrerá, de carro, sete estados cortados pelo sertão: Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Alagoas. Municípios como Feira de Santana, Euclides da Cunha, Canudos, Canindé do São Francisco, Salgueiro, Juazeiro do Norte, Patos, Picos e Petrolina fazem parte do roteiro, estrategicamente planejado conforme a localização dos entrevistados. Serrinha, cidade natal do diretor do filme, o jornalista Leandro Lopes, também compõe a rota: “O Sertão é um lugar expulsivo, duro, que exige coragem de se viver. Mas quando quero contar sobre esse mesmo lugar, quero contar sobre um Sertão de fortes homens e mulheres. Falar da beleza do grandioso, da secura como elemento estético”, reflete no blog que vai abrigar diários de bordo de toda a equipe ao longo do trajeto.

Depois da viagem e com o material audiovisual em processo de mapeamento, a equipe se empenhará na segunda etapa de produção do documentário e vai entrevistar personalidades nordestinas que foram alfabetizadas com o abcedário sertanejo. As conversas vão ser gravadas por telefone, gerando uma sensação de distância e lembranças deste tempo vivido na escola. Nesta etapa, pessoas como Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Wagner Moura, Tom Cavalcante, Ivete Sangalo, Lenine, Tom Zé e Bráulio Tavares vão ser convidadas a compor a narrativa do filme.

O documentário vai ser realizado de maneira independente, pois ainda não possui patrocínio. Para tentar arrecadar uma ajuda de custos, a equipe está promovendo uma campanha de financiamento colaborativo no site Catarse. Qualquer pessoa pode apoiar. O valor pedido pela equipe de produção é R$ 62.625, relativos a gastos com hospedagem, alimentação e combustível. As colaborações começam na faixa de R$ 10 e, a cada aumento do valor doado, incluem o que o Catarse nomeia como ‘recompensas’: durante o trajeto, a equipe vai produzir cartões postais que serão enviados pelo correio aos ‘caroneiros’, por exemplo. Bolsas, camisetas, adesivos, marcadores de livros e cadernos de caligrafia, produzidos especialmente para o filme, também fazem parte da lista de ‘recompensas’, que prevê ainda ingressos para a sessão de pré-estreia do documentário.

Após exibições em festivais, o longa-metragem vai ser disponibilizado na íntegra na internet e para a veiculação em canais públicos de circulação nacional, fomentando o acesso à nossa cultura e a busca por novos olhares em relação à história do Brasil e do brasileiro.

Foto: Marcos Becho

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