ESTUDE NA UNIT
MENU

Entenda as diferenças e garantias dos medicamentos manipulados e industrializados

Ambos seguem rigorosos padrões de qualidade exigidos pela Anvisa, mas atendem a necessidades distintas, especialista explica

às 20h59
Foto: Revista Superinteressante
Foto: Revista Superinteressante
Compartilhe:

Seja em uma cápsula industrializada ou em uma fórmula feita sob encomenda, o objetivo de qualquer medicamento é o mesmo: promover a saúde de forma eficaz e segura. Mas, diante de tantas opções nas prateleiras e farmácias de manipulação, surge a dúvida, os manipulados são tão confiáveis quanto os industrializados?

De acordo com Cinthia Meireles, farmacêutica e coordenadora do curso de Farmácia da Universidade Tiradentes (Unit), a principal diferença entre os dois está no modo de produção. “O medicamento industrializado é fabricado em larga escala pela indústria farmacêutica, seguindo rigorosamente as Boas Práticas de Fabricação (RDC nº 658/2022 da Anvisa). Já o medicamento manipulado é produzido em pequena escala, sob encomenda, conforme a prescrição médica individualizada”, explica.

Essa personalização permite que o farmacêutico ajuste a fórmula de acordo com as necessidades do paciente, seja na dosagem exata, na associação de ativos ou na forma farmacêutica (como cápsulas, cremes ou xaropes). “Enquanto os industrializados são padronizados para atender um grupo de pessoas, os manipulados são pensados para um indivíduo específico”, completa Cinthia.

Segurança e eficácia sob o mesmo rigor

Uma dúvida frequente entre os pacientes é se os medicamentos manipulados são tão seguros e eficazes quanto os industrializados. Segundo Cinthia, a resposta é sim. “Ambos precisam ser eficazes e seguros, caso contrário, não teriam autorização da Anvisa para serem comercializados”, destaca.

A farmacêutica explica que a indústria farmacêutica realiza estudos clínicos e testes de estabilidade durante o desenvolvimento do medicamento. Já as farmácias de manipulação baseiam-se em compêndios oficiais e literaturas científicas para garantir qualidade e segurança. “As farmácias seguem as resoluções nº RDC 67/07 e nº 87/08 da Anvisa, que estabelecem desde a compra de matéria-prima até o controle de qualidade do produto final, tudo sob a supervisão do farmacêutico e fiscalização da Vigilância Sanitária”, ressalta.

Essa estrutura normativa é o que garante a confiança do consumidor. Enquanto as indústrias precisam obter o certificado de Boas Práticas de Fabricação da Anvisa, as farmácias de manipulação são fiscalizadas pela Vigilância Sanitária local, que emite o alvará sanitário e o relatório de inspeção necessários para funcionamento.

Quando escolher um ou outro?

A decisão entre um medicamento manipulado e um industrializado depende, principalmente, do tipo de tratamento e da necessidade do paciente. “Os manipulados são indicados quando há necessidade de personalização da dose, associação de substâncias ou adaptação da forma farmacêutica. Já os industrializados são mais recomendados quando é preciso garantir estabilidade, validade prolongada ou quando o tratamento é de uso contínuo com opções comerciais adequadas”, explica Cinthia Meireles.

Outro fator que influencia na escolha é o custo. Em alguns casos, os industrializados, especialmente os genéricos, podem ter um preço mais acessível. No entanto, a farmacêutica alerta que preços muito discrepantes entre farmácias de manipulação podem levantar suspeitas. “O valor do medicamento manipulado é composto por vários fatores, como qualidade da matéria-prima e estrutura da farmácia. É importante desconfiar de valores muito abaixo do mercado”, orienta.

Cinthia também destaca que nem todo medicamento pode ser manipulado. “Existem classes que são restritas, como a isotretinoína, e medicamentos injetáveis, que não podem ser produzidos por farmácias de manipulação”, informa.

Confiança e orientação profissional

Apesar dos avanços na regulação e fiscalização, ainda há quem desconfie dos medicamentos manipulados. Para Cinthia, isso se deve, em parte, a casos isolados do passado e à falta de informação. “Houve um tempo em que nem todas as farmácias seguiam as normas. Hoje, a realidade é outra: o setor é altamente regulamentado e monitorado”, afirma.

A especialista reforça que o paciente tem papel fundamental na escolha segura. “É importante verificar se a farmácia está regulamentada, se o farmacêutico acompanha todo o processo e se há histórico de confiabilidade no mercado. O mesmo vale para os industrializados, procure sempre medicamentos com registro na Anvisa e, de preferência, genéricos ou similares bioequivalentes”, recomenda.

Cinthia também orienta que a melhor escolha é sempre aquela feita com orientação profissional. “Cada caso é único. Em alguns tratamentos, o medicamento manipulado será a opção ideal; em outros, o industrializado será mais adequado. Por isso, o diálogo com o prescritor e o farmacêutico é essencial para garantir segurança, eficácia e o melhor resultado terapêutico”, finaliza.

Leia também: Endocrinologista alerta os riscos da hipervitaminose e o uso indiscriminado de suplementos

Compartilhe: