V E S T I B U L A R UNIT
MENU

Pesquisadores realizam estudos para tratar pacientes com infarto

Os estudos levantam questões como a ineficiência do SUS para esse tipo de tratamento e colaboram para melhorar o atendimento à população. Pesquisa foi apresentada nos EUA

às 21h22
Com o intuito de estudar as disparidades existentes nos setores público e privado para assistência e tratamento de pacientes com infarto agudo do miocárdio, um grupo de pesquisadores da Universidade Tiradentes – Unit – e Universidade Federal de Sergipe – UFS- realizou uma pesquisa que foi apresentada no último dia 18 no evento American College of Cardiology, em Washington, Estados Unidos.
A coordenadora do curso de Enfermagem da Unit Campus Itabaiana, professora Jussiely Cunha Oliveira, uma das pesquisadoras do trabalho
A coordenadora do curso de Enfermagem da Unit Campus Itabaiana, professora Jussiely Cunha Oliveira, uma das pesquisadoras do trabalho
Professores José Augusto Barreto Filho e Antônio Carlos Sobral Sousa em apresentação do estudo no American College of Cardiology, em Washington, EUA (Foto: Arquivo)
Compartilhe:

A enfermeira e coordenadora do curso de Enfermagem da Unit Campus Itabaiana, professora Jussiely Cunha Oliveira, vinculou o Estudo VICTIM como tese de doutorado. “Pretendemos ganhar força e apoio dos órgãos públicos a fim de intervir para a melhoria da assistência prestada aos pacientes com IAMCSST com a construção de um sistema de saúde mais eficiente e igualitário o que inclui a reestruturação na logística estrutural, nos processos de cuidado e, consequentemente nos resultados prognósticos dos pacientes”, pontua.

A semente do estudo surgiu em 2007, quando o professor da Unit, Luis Flávio Andrade Prado investigou, em sua dissertação de mestrado, a qualidade assistencial dos infartados usuários do SUS relatando que menos da metade dos pacientes SUS vítimas de infarto com supra conseguem tratamento adequado com a realização da angioplastia primária.

No ano de 2010, o professor da UFS Eduardo José Pereira Ferreira continuou a linha de pesquisa e, também em sua dissertação de mestrado, ampliou para disparidades entre os serviços públicos e privados e observou que no SUS a mortalidade dos pacientes vítimas de IAMCSST era o dobro quando comparados aos do serviço privado.

Em 2012, o professor da UFS José Augusto Barreto Filho, retornando do seu pós-doutorado nos Estados Unidos fez a proposta aos professores mencionados e a outros pesquisadores do estado de revisitar o tema em tela e tentar caracterizar a via crucis destes pacientes, desta vez englobando todos os hospitais especializados em cardiologia, criando o Estudo VICTIM. Na ocasião a professora Jussiely Cunha Oliveira terminava seu mestrado e foi convidada para fazer parte integral do estudo e desenvolver o doutorado nesse tema.

VICTIM

De acordo com a professora Jussiely, o estudo ou registro VICTIM significa via crucis para o tratamento do infarto do miocárdio por entender que o paciente SUS tem passado por uma verdadeira ‘via crucis’ para acessar o sistema de saúde e isso o torna uma vítima dessa ineficiência do sistema.

“Acreditamos que nossa pesquisa pode auxiliar o poder público na construção de uma linha de cuidado que não tolere tantas disparidades como as que verificamos. Esse é o dever da ciência, apresentar fatos para que a gestão pública use como lastro para a tomada de decisão. Mudanças relativamente simples no acesso poderão salvar muitas vidas que não deveriam morrer. Devemos destacar que só reportamos os resultados dos pacientes que chegam ao hospital de referência em cardiologia, se tais resultados fossem coletados em hospitais primários ou secundários, os resultados seriam ainda mais sofríveis.”, declara a coordenadora do curso de Enfermagem da Unit Campus Itabaiana, professora Jussiely Cunha Oliveira.

Ainda segundo ela, os pesquisadores estão confiantes em relação veracidade dos dados coletados e o impacto potencial deste estudo para o debate sobre a qualidade assistencial que o SUS tem prestado à população brasileira. “Conseguimos avaliar 100% dos hospitais sergipanos especializados. Esses dados refletem o melhor serviço de saúde cardiológico de Sergipe e podem estimular estudos com essa metodologia e novas políticas de saúde em outros estados”, destaca Jussiely.

Assim, é possível entender melhor a realidade da Saúde relacionada ao acesso às terapias de reperfusão para pacientes diagnosticados com IAMCSST no estado de Sergipe. “Por isso, o alerta sobre a necessidade de mudanças no atual cenário”, enfatiza a pesquisadora.

Importantes veículos de Comunicação do país, a exemplo da Folha de São Paulo, já repercutem os dados da pesquisa.

IAMCSST

De acordo com o trabalho, as Síndromes Coronarianas Agudas (SCA) são as DACs com maiores taxas de atendimento e complicações nos serviços de urgência. A SCA é dividida em duas categorias: infarto agudo do miocárdio sem elevação do seguimento ST (IAMSST) e com elevação do seguimento ST (IAMCSST), esta possui maior risco de mortalidade e necessita de intervenção percutânea rápida. Dos 378 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde – SUS – com problemas cardíacos, a pesquisa consta que 10,3% morreram. Já dos 82 da rede particular analisados, 4,9% não resistiram.

O IAMCSST é uma Doença Arterial Coronariana (DAC) e por ser o IAM com maior risco para mortalidade representa importante problema de saúde pública em todo o mundo precisa ter maior atenção e mais eficiência e equidade na cobertura assistencial aos acometidos.

Equipe técnica

O projeto é um esforço cooperativo de vários pesquisadores dedicados ao tema saúde como médicos, enfermeiros, nutricionistas, estatístico, estudantes de medicina, farmácia e enfermagem ligados às duas maiores instituições de ensino de Sergipe, a Universidade Federal de Sergipe e a Universidade Tiradentes.

A pesquisa foi possível porque todos envolvidos têm um ideal em comum: mudar o cenário do sistema de Saúde em Sergipe. “Apesar do apoio financeiro do CNPQ, podemos afirmar que ele é quase insignificante para um projeto dessa magnitude. O que nos move de fato é o desejo e a crença de que a ciência que fazemos na academia pode ser revertida de forma objetiva para o bem comum da sociedade”, conclui professora Jussiely.

Compartilhe: