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Ideias inovadoras desenvolvidas na Unit são pré-classificadas no Programa Centelha

Os projetos surgiram de pesquisas científicas realizadas na instituição e podem ser transformadas em empresas e startups; eles concorrem a bolsas e subvenções concedidas pelo programa público

às 13h59
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Onze trabalhos desenvolvidos a partir de pesquisas realizadas na Universidade Tiradentes estão entre os pré-selecionados na primeira etapa do Programa Centelha 3, chamada pública que oferece financiamento e capacitação para o desenvolvimento de empresas, startups e negócios de base tecnológica, científica e de inovação. A iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com as fundações estaduais de amparo à pesquisa (incluindo a Fapitec/SE) e a Fundação Certi, envolve pesquisadores de todo o país, cujos projetos concorrem a até R$ 85,4 mil em subvenção econômica (investimento direto em empresas de inovação), além de bolsas de até R$ 45,5 mil do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). 

Segundo a Fapitec, 422 projetos de 1132 participantes em 29 municípios sergipanos se inscreveram no edital do Centelha 3. Destes, 200 foram aprovados na fase de “submissão das Ideias Inovadoras”, que terá seu resultado final confirmado no próximo dia 12 de fevereiro. Após isso, as classificadas entram na fase de “submissão dos Projetos de Fomento”, que é a demonstração detalhada dos planos de negócio e viabilidade econômica de cada startup. Eles devem ser inscritos até 19 de março e avaliados até 15 de abril, com resultado final previsto para 12 de maio. O edital da chamada prevê que até 47 projetos serão contemplados ao final do processo, dividindo R$ 3,76 milhões em recursos dos fundos Nacional (FNDCT) e Estadual (Funtec) de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 

“O Centelha é um programa de apoio ao empreendedorismo, no qual a pessoa tem uma ideia e ela pode se transformar em um negócio, principalmente quando a gente usa uma tecnologia. É um programa muito interessante porque os nossos alunos, tanto da graduação quanto da pós-graduação, têm ideias que utilizam o conhecimento para solucionar um problema da sociedade”, resume a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unit, professora Patrícia Severino. 

Os 11 projetos aprovados são de startups nas áreas de Biotecnologia e genética, Nanotecnologia, Inteligência Artificial e Machine Learning, Química e Novos Materiais, e Tecnologias Sociais. Eles envolvem alunos e egressos dos programas de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP) e em Biociências e Saúde (PBS), além dos de graduação em Ciências Biológicas, Engenharia Química, Farmácia e Biomedicina. Todos são voltados a produtos, processos e serviços inovadores, com foco em desafios estratégicos nas áreas de saúde pública, sustentabilidade, biotecnologia e engenharia de processos, alinhadas às demandas do mercado e do setor público. 

A pró-reitora considera que a presença dos alunos, egressos e pesquisadores da Unit na chamada do Programa Centelha reforça o caráter empreendedor da formação científica desenvolvida na instituição, abrindo outras oportunidades para os que passam pela pós-graduação stricto sensu. “Ter alunos nossos como participantes do edital do Centelha mostra como a nossa formação é muito completa para o aluno, permitindo que ele possa sair até depois dessa formação de graduação ou mestrado ou doutorado com sua própria empresa. Isto porque o Centelha vai dar um apoio financeiro para tirar a empresa do papel e dar uma alavancagem para a ideia da pessoa. Além disso, tem a formação da gestão, na qual o aluno, quando ele entra no Centelha, tem um preparo para o desenvolvimento do plano de negócio, de entender realmente quanto que ele vai precisar para desenvolver a ideia dele e quais passos ele vai conseguir nesse primeiro momento”, destaca Severino. 

As ideias aprovadas

Um dos projetos aprovados na primeira fase do Centelha é o BioNeem, que desenvolve um bioinseticida à base de neem, uma árvore originária do sudeste da Ásia. Ele tem potencial para ser aplicado no controle do mosquito aedes aegypti, com foco em aplicações urbanas e soluções sustentáveis para a saúde pública. Dele, fazem parte o professor Ranyere Lucena de Souza e os pesquisadores Fabiane Santos Serpa, Lorena Armando da Silveira, Izabela Ferreira de Morais e Roberto Oliveira Macêdo Júnior, sendo todos do PEP. 

Outros três são ligados a egressos do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial (PBI), que foi fusionado no ano passado ao de Saúde e Ambiente (PSA) para a criação do PBS. O primeiro, dos pesquisadores Fabiano Ricardo Fontes Santos, Robert de Andrade Prata e Josefa Patrícia Jesus dos Santos, além dos estudantes Willamys Souza Corrêa e Giulliana Amado Vieira, é o AfroCare, startup que busca desenvolver dermocosméticos e produtos de cuidado pessoal para pessoas de pele negra. 

O segundo é a Nanounique, que busca oferecer uma bioembalagem para a proteção de alimentos, com a startup formada pelos pesquisadores Bruno Manoel Cavalcante Farias, Pedro Ellison Santos do Nascimento, Rayssa Costa Araujo, Matheus Goulart de Jesus Seabra e Dryelle Karoline de Almeida Silveira. E o terceiro, de Fagne Alves Dos Santos e Wagner Carlos de Alcântara Carvalho, busca a criação de produtos de higiene e cosmética acessíveis para animais (pet friendly), a partir de extratos naturais obtidos a alta pressão. Os pets também motivaram o pesquisador Gabriel da Silva Lima a fazer um projeto sobre dermocosméticos naturais para pets com moringa oleifera (acácia-branca). 

As outras propostas de startups classificadas na primeira etapa do Centelha são ligadas ao PBS. A equipe de Thigna de Carvalho Batista, Christean Santos de Oliveira e Robertta Jussara Rodrigues Santana buscou desenvolver um protetor solar multifuncional com base no extrato da árvore Symphonia globulifera, conhecida também como “guanandi”. A pesquisadora Ingrid Borges Siqueira apresentou a ideia de uma máscara biofuncional com extrato de mangaba. 

Com a proposta de “uma nova forma de colorir os cabelos”, a startup GenColor também foi aprovada na fase preliminar do Centelha, sendo capitaneada pelos pesquisadores Adilson Allef Moraes Santana e Andréa Vasconcelos Machado, egressos do PSA. A lista é completada por três startups com ideias na área de tecnologia: a iBus: Mobilidade Urbana Unificada, de Daniel Ferreira Bispo; a InCita, um sistema integrado de análise citológica assistida por IA, de Vitória de Jesus Reis Freitas; e a Vital Link, de Luiz Gabriel Cerqueira Passos Carmo, que propõe como “o elo inteligente entre o socorro e a vida”.   

Uma ajuda importante

Criado nacionalmente em 2018, o Centelha foi realizado pela primeira vez em Sergipe no ano seguinte, com 579 ideias inovadoras submetidas e 23 projetos inicialmente aprovados e contemplados com R$ 1,2 milhão em investimentos. Desse total, 22 projetos permaneceram em atividade. Já na segunda edição, em 2022,  212 ideias foram submetidas e avaliadas em três fases, as quais resultaram na aprovação e financiamento de 34 projetos. 

Patrícia Severino explica que o processo de escolha das empresas, projetos e startups a serem apoiadas pelo Programa Centelha leva em conta diversos critérios que são rigorosamente analisados por uma comissão de avaliadores recrutados e capacitados em estados diferentes. “É a formação da pessoa, se o produto da startup é escalonável, o quanto ela vai impactar a sociedade, qual o tipo de tecnologia que ela usa, e quanto que isso vai ser rentável, porque às vezes eu posso ter uma ideia excelente, mas talvez não seja o que realmente o público quer adquirir”, detalha.

Ela explica ainda que o programa é o edital de entrada para financiamentos dentro da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública ligada ao MCTI, que concede vários financiamentos e projetos na área de ciência e inovação. Uma das modalidades é a subvenção econômica, um recurso não reembolsável (fundo perdido) concedido para fomentar projetos de inovação, pesquisa e tecnologia, em busca de aumentar a competitividade nacional. 

“Essas bolsas vão ajudar as pessoas que estão iniciando um negócio a partir da pesquisa científica. Porque quando você começa uma empresa, você precisa se dedicar e ainda não tem fonte de renda. Elas fazem com que a pessoa consiga se dedicar na íntegra a execução do projeto por um período. O programa é muito importante para captar esses pesquisadores e incentivá-los a construir o empreendedorismo científico”, conclui Patrícia. 

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