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Leitores modernos têm preferido novos autores não-ficcionais

Impulsionados pela Internet e redes sociais, novos autores têm conquistado cada vez mais leitores, tratando de temas como história e autoconhecimento

às 22h49
O jornalista Laurentino Gomes e o primeiro volume da trilogia “Escravidão”, um dos mais completos estudos sobre a escravização de pessoas no Brasil (Divulgação)
O jornalista Laurentino Gomes e o primeiro volume da trilogia “Escravidão”, um dos mais completos estudos sobre a escravização de pessoas no Brasil (Divulgação)
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Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Jorge Amado e Graciliano Ramos são alguns dos autores considerados canônicos, referências obrigatórias para a literatura de todas as gerações que os sucederam. Eles ainda continuam sendo tendências para os leitores brasileiros, principalmente quando se trata de leituras sugeridas nas escolas, durante o ensino básico ou referência para vestibulares. São os grandes escritores brasileiros. Mas, com o passar do tempo e as mudanças sociais refletidas também na escrita literária, o gosto pela leitura está mudando e, outros novos autores estão agradando a diferentes públicos. 

“Neste último decênio do século XXI, a literatura não ficcional tem conquistado muito espaço, sobretudo por conta da notoriedade de autores que são sociólogos, filósofos, jornalistas e historiadores. Eles vêm atingindo um maior alcance junto aos leitores, em virtude das redes sociais, e cito como exemplo Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Laurentino Gomes que tratam de temas relacionados à autodescoberta, filosofia, ampliação de visão de mundo, história do Brasil, etc”, diz a professora Ana Claudia de Ataide Almeida Mota, doutora em Língua Portuguesa e assessora da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe). 

Um dos autores citados, Laurentino Gomes, é um destacado jornalista com passagens por veículos como o jornal O Estado de São Paulo e a revista Veja, da qual foi editor-executivo. Entre 2007 e 2010, ele lançou a trilogia 1808, 1822 e 1889, que trazem aprofundados e detalhados estudos históricos sobre o Brasil Império e o início da República. Sucesso de público e crítica, ela rendeu alguns dos mais importantes prêmios literários do país, como o Jabuti, e se desdobrou em outra trilogia, lançada no ano passado: Escravidão, que investiga produndamente esse período histórico no Brasil, de aproximadamente 350 anos, e descreve o quanto a influência africana foi decisiva para a constituição da sociedade brasileira.

Novas tecnologias

O mundo pós-moderno e o surgimento de novas tecnologias, a partir da popularização da Internet, sobretudo no século XXI trouxe consigo novas formas de leitura marcada pelos dispositivos digitais, como a tela do computador, os celulares smartphones e leitores de e-books, que possuem amplo acesso, sejam gratuitos ou pagos. A professora acredita que “o acesso a dispositivos digitais para leitura, sem o suporte do papel, possibilitam o escopo de opções para leitores brasileiros. No mundo contemporâneo, falar de literatura nacional, é uma realidade compreendida mas que, na prática, sofre diversas influências da literatura universal”. 

Para Ana Cláudia, a internet tem permitido ampliar a visão de mundo através da leitura, na medida em que permite um acesso mais democrático ao conhecimento, do qual temos muitos frutos a colher e cita: “Para Alvin Toffler, ‘o analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender’ e a leitura tem esse poder transformador de permitir que aprendamos, desaprendemos e reaprendamos”.

Asscom | Grupo Tiradentes  

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