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Memorial de Odontologia em homenagem a João Simões dos Reis é inaugurado na Unit

Espaço reúne instrumentos originais, documentos e acervo histórico do primeiro inscrito no CRO, destacando seu legado profissional e humano em Sergipe

às 19h55
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A história da odontologia em Sergipe é marcada por profissionais que, além da excelência clínica, se destacaram não apenas pela técnica, mas pela forma de cuidar das pessoas. Entre eles, João Simões dos Reis. Cirurgião-dentista que atendia autoridades e a elite sergipana, cobrava valores compatíveis ao padrão de excelência que mantinha, mas nunca deixou de abrir as portas para amigos e pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo atendimento gratuito quando necessário. Atualizado com as técnicas mais modernas da época, que buscava em congressos nacionais e internacionais, construiu um legado que ecoa até hoje na formação de novos profissionais.

Foi esse percurso que motivou a Universidade Tiradentes (Unit) a inaugurar o Memorial de Odontologia João Simões dos Reis, instalado no Complexo de Especialidades em Saúde Professora Amélia Uchôa. A cerimônia de abertura reuniu estudantes, professores, familiares do homenageado e representantes institucionais para celebrar sua trajetória. Entre os itens expostos, estão instrumentos originais de trabalho, registros históricos e a cadeira de dentista usada por João Simões em atendimento, elementos que resgatam uma parte fundamental da memória da profissão em Sergipe.

Um legado que reencontra seu lugar

Durante a solenidade, o reitor da Universidade Tiradentes, Jouberto Uchôa, destacou que a inauguração representa mais que uma homenagem institucional, mas um gesto de reconhecimento à contribuição de João Simões para a sociedade sergipana. Segundo ele, o acervo entregue à universidade fortalece a valorização da história da odontologia local. “Estamos muito felizes e queremos dedicar à família dele o reconhecimento e o mérito que ele merece e deixou para todos nós. Espero que esse memorial permita que a família encontre ainda mais significado na trajetória que ele construiu, porque sempre foi um profissional de altíssimo nível”, disse.

A diretora do Complexo, Marília Cerqueira Uchôa, ressaltou que o espaço cumpre uma função pedagógica essencial ao aproximar alunos de referências profissionais que atuaram de forma expressiva. “O doutor João Simões foi um exemplo e deixou um legado que agora resgatamos por meio da memória, algo que sempre buscamos preservar. Esta homenagem foi preparada com muito carinho. Agradecemos imensamente à família, que nos doou todo esse material, organizado e agora disponível para visitação”, compartilha.

A professora do Curso de Odontologia, Margarite Delmondes, recordou que a criação do memorial teve início com o desejo de dona Amélia Uchôa em reconhecer o primeiro inscrito no Conselho Regional de Odontologia (CRO) e figura atuante na defesa da classe. O consultório exposto, utilizado por João Simões até seu falecimento, em 2004, já havia sido apresentado anteriormente em outro espaço, mas sem a estrutura adequada. 

“Revisitamos materiais, reorganizamos os conteúdos com caráter mais instrutivo e, junto a sete alunos, produzimos um drive com dez explicações sobre a história da odontologia, das escolas, dos instrumentos e da evolução da área, em linguagem acessível ao público. O espaço atende estudantes interessados nas ciências da saúde, profissionais, servidores e qualquer visitante que queira aprender sobre a trajetória da odontologia dos barbeiros às práticas atuais”, afirma.

Resgate histórico e formação acadêmica

A participação dos estudantes foi muito importante para essa construção. Eles puderam comparar equipamentos da década de 1930 com aqueles usados atualmente, compreendendo de maneira concreta mudanças que, muitas vezes, se limitam à teoria. A experiência, segundo Margarite, aproximou os alunos de um contexto histórico fundamental para compreender a evolução da profissão e reforçou o papel do memorial como instrumento de ensino. Entre os estudantes envolvidos no projeto está Gabriela Vigi, que descreveu a experiência como marcante desde o início. 

“Participar da construção do memorial foi uma experiência incrível. Trabalhar com a professora Margarite foi uma oportunidade única, porque, por meio dos projetos de extensão, conseguimos aprofundar nosso conhecimento sobre a odontologia desde o início do curso. Estudar a história, os marcos, os instrumentos e principalmente a trajetória de João Simões, um dos primeiros dentistas registrados no CRO, foi enriquecedor. Aprendemos muito ao longo do processo”, compartilha.

Reconhecimento familiar e impacto de vida

A proposta de recuperar a trajetória de João Simões também emocionou a família. Laura Elisa Simões, neta do homenageado, descreveu a surpresa ao receber a notícia e o quanto a iniciativa mobilizou parentes próximos e distantes. Ela contou que parte da família contribuiu com fotografias, registros pessoais e documentos utilizados na curadoria do espaço. “Meu pai recebeu o primeiro contato e ficou bastante comovido. Depois, conversamos com a professora Margarite para saber mais detalhes, e a emoção só aumentou. Ficamos muito felizes com o reconhecimento da história do meu avô, que não media esforços para oferecer cuidado gratuito a quem não podia pagar”, ressalta.

A reconstrução dessa memória também contou com a colaboração do escritor e jornalista Luiz Eduardo Costa, primo do dentista. A partir de relatos, estudos e depoimentos, foi possível reunir informações sobre a prática profissional de João Simões, sua inserção na sociedade sergipana e sua dedicação à evolução da odontologia. “Para nossa família, ver esse percurso materializado em um espaço de visitação pública reafirma a relevância de sua atuação e permite que novas gerações conheçam sua contribuição”, complementa.

Memorial de Odontologia

O Memorial de Odontologia João Simões dos Reis permanece aberto à visitação no Complexo de Especialidades em Saúde Professora Amélia Uchôa. Além de valorizar a história da profissão em Sergipe, o espaço se apresenta como um ambiente de formação, reflexão e reconhecimento àqueles que ajudaram a construir o exercício ético e comprometido da odontologia no estado. A memória permanece não apenas nos instrumentos expostos, mas na inspiração que oferece aos futuros profissionais.

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