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Molde da queijadinha de São Cristóvão é reconstruído com apoio do TIC

Uso de tecnologia garante preservação de tradição centenária e mantém viva produção artesanal passada entre gerações

às 20h46
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Produzida de forma artesanal, a queijadinha de São Cristóvão é reconhecida como patrimônio imaterial e reúne séculos de história, tradição e identidade cultural. A receita atravessa gerações, preservando uma herança que remonta ao período colonial. Entre os nomes que mantêm essa tradição viva está Dona Marieta, da Casa da Queijada, referência no município. Mas o que torna a queijadinha tão simbólica é todo o processo de produção, que inclui o uso de um molde específico, transmitido de geração em geração dentro da mesma família.

Até recentemente, existia apenas uma única peça desse tipo, já desgastada pelo uso contínuo e pelo passar dos anos, o que colocava em risco a continuidade dessa tradição. Mas, foi durante uma visita à Casa da Queijada, em São Cristóvão, que a equipe do Tiradentes Innovation Center (TIC), localizada na Universidade Tiradentes (Unit), identificou o desgaste do molde utilizado na produção do doce. A visita fazia parte de uma agenda de aproximação com a Prefeitura, iniciada após o encontro com representantes do município. 

A partir desse encontro, surgiu a ideia de digitalizar e reconstruir a peça, garantindo a continuidade da tradição. O novo molde foi entregue nesta sexta-feira, 17. Segundo o presidente do TIC, Domingos Machado, a solução encontrada foi o uso do chamado “gêmeo digital”, tecnologia que permite criar uma versão virtual de um objeto físico para reprodução fiel. A partir disso, o molde foi reconstruído em laboratório, respeitando suas características originais e seu valor simbólico.

“Trouxemos o molde para o laboratório, desenvolvemos todo o processo de digitalização e reconstruímos, de forma fiel, aquela peça tão carregada de valor sentimental. Se aquele molde original se perder, parte dessa história também se perde. São pequenos elementos que vão desaparecendo ao longo do tempo. O nosso objetivo não é substituir o tradicional com a tecnologia, mas, sim, potencializá-lo”, explica Domingos.

Tradição preservada com apoio da academia 

A reconstrução do molde exigiu um processo técnico detalhado. Sem o uso inicial de scanner, a equipe precisou começar do zero, como explica o técnico de inovação Jerônimo Oliveira. “Pegamos o molde original e começamos a fazer medições manuais, registrando tudo em forma de rascunho, diâmetro, proporções e detalhes. A partir disso, iniciamos o processo de modelagem digital. O modelo foi evoluindo aos poucos. Fazíamos uma parte e comparávamos com o objeto original para verificar se estava fiel. Fizemos testes com papel e cortadora a laser para validar as proporções. Depois seguimos para a impressora 3D. A primeira impressão não ficou perfeita, mas a segunda já ficou muito próxima. Na terceira, conseguimos um resultado totalmente fiel”, explica.

Para o diretor de Relações Institucionais, Valter Santana, o projeto é um exemplo concreto de como inovação e tradição podem caminhar juntas.  “A academia tem um papel essencial nesse processo. Sabemos o quanto o município vem, ao longo dos anos, investindo na aproximação com as instituições de ensino. A universidade é um espaço de construção do futuro, sempre consolidando o passado. Além disso, a Unit está de portas abertas, não apenas para o desenvolvimento da inovação, mas também para a formação das próximas gerações, respeitando a cultura e promovendo avanços”, elenca Valter.

O fato de São Cristóvão ser a primeira capital do estado e considerada a cidade-mãe de Sergipe reforça a responsabilidade do município em preservar e valorizar suas tradições. Para o prefeito Júlio Nascimento, esse protagonismo histórico também se reflete na abertura para iniciativas que unem cultura e inovação. “São Cristóvão é uma cidade rica, e o que nos diferencia é justamente essa riqueza histórica, cultural, arquitetônica, além da nossa economia e dos nossos artistas. O que precisamos é associar a inovação a esse patrimônio, entendendo como ela pode potencializar ainda mais o que já temos. É um prazer muito grande ver São Cristóvão novamente ocupando esse lugar de protagonismo. Ao longo do tempo, fomos pioneiros em muitas coisas, mas isso acabou se perdendo”, destaca o prefeito.

Um legado que continua

Para Dona Marieta, o novo molde representa muito mais do que uma ferramenta de trabalho, é a continuidade de uma história familiar. “Isso é muito importante para mim, porque não é só um molde, é uma história que vem de muito tempo, lá da minha bisavó, que foi quem começou com essa tradição da queijada na nossa família. A gente vai passando de geração em geração, sempre do jeitinho que aprendeu, com muito cuidado e muito amor. E esse molde faz parte dessa história toda. Ver ele sendo reconstruído assim é uma alegria muito grande. Agora eu tenho mais segurança de continuar fazendo meu trabalho e de passar isso adiante. É uma forma de manter viva a história da minha família, das minhas raízes”, compartilha.

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