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Os professores do amanhã

Formados para atuar em sala de aula, professores vislumbram mudanças significativas no exercício da profissão

às 23h01
Isabella Freire, sob o crédito de Rafael Dorea
Isabella Freire, sob o crédito de Rafael Dorea
Fonte: Enade 2015 e Censo Escolar 2016
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O site novaescola.org.br publica matéria intitulada Os professores do amanhã,  assinada por Pedro Annunciato. O jornalista faz uma reflexão sobre as novas metodologias educacionais a partir da postura e do entendimento de acadêmicos de Pedagogia.  A contextualização do tema contém a participação de Isabella Freire, 22 anos, estudante de pedagogia do polo da Unit na cidade baiana de Vitória da Conquista. Confira!

 

A geração que mudou de vida pela Educação checou à Pedagogia para transformar a história de outras pessoas

O professor é querido pelos brasileiros. Basta perguntar na rua quem são os profissionais mais importantes para um país e você, certamente, constatará que a maioria das pessoas vê o professor e a Educação como fundamentais. Ao mesmo tempo, e você sabe bem disso, o sentimento mais frequente entre os educadores é o de desvalorização. Os salários são baixos, quando comparados aos de outras carreiras, a rotina é puxada e as condições de trabalho nem sempre são adequadas.

Apesar dessas contradições, a Educação continua sendo uma carreira muito buscada pelos jovens, especialmente por um tipo específico: aqueles que tiveram a vida transformada por professores. São, sobretudo, pobres, mulheres e negros, pessoas que chegaram ao Ensino Superior na última década graças a investimentos feitos por quase 30 anos. E eles são muitos.

Dados de 2012 mostram que 25% dos que concluíram a graduação cursaram Pedagogia e licenciaturas. O país tem, proporcionamente, muito mais estudantes de Educação do que outras nações desenvolvidas. Em 2015, só a Pedagogia respondia por 16,2% do total de matrículas no Ensino Superior. Muitos fatores explicam essa preferência, como a grande oferta de cursos e o baixo preço da mensalidade.

Porém, o cinismo não é um aliado para explicar esses números. No questionário do Enade de 2015, a alternativa que melhor define o motivo da escolha por Pedagogia ou licenciatura é “vocação”. Os futuros profissionais querem ajudar os alunos a conquistar ainda mais do que conseguiram. Eles vêm do mesmo mundo que muitos dos seus alunos e conhecem suas necessidades. São também pragmáticos e reclamam da distância entre a formação e a realidade da escola. Nesta reportagem, NOVA ESCOLA mostra quem são, o que pensam e o que desejam as pessoas que escolheram a docência num momento de grande transformação do país – e da Educação.

Quem são

Quem são eles? Dados oficiais revelam o perfil médio dos futuros profissionais do Brasil.

Se fosse simbolizado por uma única pessoa, o estudante de Educação seria uma mulher negra. Possivelmente, a primeira da família a chegar à universidade. Seria alguém apaixonado por Educação e que, em algum momento, teve um professor que marcou sua vida.

Esse é o desenho traçado pelos primeiros estudos sobre o assunto realizados no Brasil. A pesquisadora Gabriela Honorato, doutora em Sociologia pela UFRJ, escreveu um artigo com Caroline Zucarelli, da UFF, chamado Desigualdades Institucionais e Sociais nos Cursos de Educação no Brasil. Elas investigam as características dos profissionais do futuro com base nos números fornecidos pelo Enade 2015 e pelo Inep. “Há indicativos de queda no perfil socioeconômico desses alunos em relação aos profissionais que atuam há 20 ou 30 anos”, diz Gabriela. Um dos aspectos que reforçam essa avaliação é que eles enfrentam desafios para conseguirem se manter na faculdade. Pelo estudo, cerca de 60% dos graduandos de Educação cursam o período notuno e 40% trabalham, além de cumprir as horas de estágio obrigatórias, com baixa remuneração (ou, às vezes, sem nenhum).

A hipótese de que essa geração é a primeira da família a alcançar o Ensino Superior fica clara quando se nota a baixa escolaridade das mães dos alunos. Segundo o levantamento, 72,6% delas têm apenas o Ensino Fundamental ou menos.

Em relação ao gênero, os números mostram que pouco mudou também no perfil de quem quer ensinar: 93% dos graduandos de Pedagogia são mulheres, taxa muito próxima da obtida pelo Censo 2007 (95% dos profissionais de Educação Infantil e Ensino Fundamental eram do sexo feminino). No que diz respeito à raça, a comparação é difícil de ser realizada porque a maior parte dos docentes não se autodeclaram em 2017. Mas o Enade, desde 2012, aponta que metade dos estudantes de Pedagogia se considera negro.

Há mais um elemento que integra a formação dos estudantes de baixa renda e os motiva a escolherem a carreira docente: a visão superpositiva da figura do professor, uma referência de vida para eles. Em certas regiões do país, o docente é um líder da comunidade e uma referência fundamental na vida de crianças e jovens.

O que pensam

Em um primeiro momento, nem todos os futuros professores veem a área de Educação como a opção número 1 de carreira. É comum que alunos
de Pedagogia e licenciatura tenham prestado o vestibular pensando em outro curso. Por variadas razões, eles mudaram de ideia e acabaram se apaixonando pela área. Isso reforça a ideia da docência como vocação – e também como profissão.

Nas universidades, eles questionam o que aprendem à luz das mudanças que estão acontecendo no país. Afinal, o Brasil está implantando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que vai impactar o planejamento docente e a forma de ensinar. E essa mudança, que poderia ser assustadora (e muitas vezes é), dialoga com alguns anseios dessa turma. Sobre ensinar e aprender, os graduandos querem mudar a escola. Eles têm uma visão mais nítida do papel de autor do professor, responsável por construir o conhecimento.

Aliado ao pensamento de que a preocupação de disciplinar já não tem o mesmo espaço, os universitários revelam forte preocupação com temas sociais que, segundo eles, precisam constar no currículo da graduação e da Educação Básica.

Quem trabalha com formação inicial nota, ainda, que a inserção no mundo digital já influencia os futuros educadores.

A Educação no Brasil pode ser mudada a partir de argumentos e posicionamentos consolidados sugere entre outros acadêmicos a aluna do 5º semestre de Pedagogia da Unit em Vitória da Conquista (BA).

“Sonho com uma escola que não existe, mas é possível: um espaço público de construção do conhecimento, em que respeito e ética sejam evidentes”, diz a aluna que atualmente faz estágio e vivencia experiências que vai carregar sempre consigo.

“Não sou remunerada pelo estágio e, como tenho de pagar minhas contas, trabalho como assistente comercial em uma escola de inglês. Sei que progredir na carreira docente não é fácil, é preciso trabalhar muito e encontrar tempo para estudar. Mesmo assim, quero terminar a graduação, fazer mestrado e doutorado. Acredito que quanto mais rico o histórico de vida profissional, maiores as possibilidades do desempenho de uma prática significativa. A BNCC representa uma expectativa de mudança na formação inicial dos professores e a entrada da tecnologia na sala de aula vai transformar a forma com que as escolas se relacionam com os estudantes”, reconhece a acadêmica.

Veja matéria na íntegra, inclusive com depoimentos de outras IES brasileiras. Acesse o site !

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