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Ponte do Imperador D Pedro II é marco arquitetônico da paisagem aracajuana

O professor doutor do curso de História da Unit, Rony Rei do Nascimento Silva, explica que a construção pode ser considerada um novo tipo de arquitetura portuária

às 22h27
Foto: Portal Infonet
Foto: Portal Infonet
Professor doutor Rony Rei Silva
Foto: Instituto Marcelo Déda
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Às margens do rio Sergipe, no centro de Aracaju, pode ser encontrado um importante marco arquitetônico do estado. A Ponte do Imperador D. Pedro II foi construída em madeira para o desembarque do Imperador D Pedro II e sua comitiva, em 1860. Considerada como um “novo tipo de arquitetura portuária”, o projeto arquitetônico do século XIX, em estilo Colonial, se tornou um dos pontos turísticos da capital.

O professor do curso de História da Universidade Tiradentes, Rony Rei do Nascimento Silva, doutor em Educação pela Unesp, explica que a construção pode ser considerada um novo tipo de arquitetura portuária, bem divergente das que tinham por finalidade operações de carga e descarga pelas catraias nas áreas de praia.

“Sendo assim, não é uma coincidência sua forma se assemelhar à das longas pontes que se proliferavam, tentando vencer o talude da margem do rio, mencionadas no item destinado ao porto. A Ponte do Imperador D Pedro II se constitui em um importante marco arquitetônico da paisagem aracajuana, sua beleza se sobressai, especialmente pelas esculturas indígenas no alto das colunas, o que garante a quem está de passagem pela cidade a sensação de estar em um “museu a céu aberto”, frisa o professor.

Tendo em vista a precocidade da visita do Imperador consoante à fundação da cidade, considerando que Aracaju foi fundada em 17 de março de 1855, o professor Dr. Rony Rei do Nascimento Silva destaca a probabilidade que, à época, o início da cidade de Aracaju, do ponto de vista formal, compreendia a região que se encontra a ponte.

“Foi através e a partir deste ancoradouro que se quis, pela força dos operadores do poder e confabulações da cultura, descortinar a paisagem. O Imperador visitou algumas localidades como Laranjeiras, Maruim, Propriá e curiosamente a Barra dos Coqueiros. Uma vez que apesar de seu apagamento histórico era justamente na margem oposta à cidade onde se realizava a atividade portuária nas primeiras décadas de Aracaju. Reservados a Aracaju ficavam procedimentos, que mesmo relacionados ao porto, como trâmites burocráticos, eram feitos por pessoas em embarcações de menor porte (catraias) paralelamente à atividade portuária propriamente dita”, relata.

Para o professor Dr. Rony Rei do Nascimento Silva, a Ponte do Imperador D. Pedro II funciona como um “abre alas” para o conjunto arquitetônico da região, como o Palácio Olímpio Campos, situado na Praça Fausto Cardoso. “Seu posicionamento estratégico confere beleza à paisagem e, através dos tempos, a ponte foi um dos pontos mais visitados da cidade de Aracaju e hoje, depois de mais algumas reformas continua a ser destaque na vida da capital e ponto obrigatório de visitação para todos aqueles que vêm conhecer a nossa bela capital”, declara. 

Ponte do Imperador

O professor do curso de História da Unit destaca que a ponte, na verdade, é um atracadouro. Diante da história, não se sabe se, de fato, o Imperador tenha chegado a usar a ponte. “A ponte – na verdade, um atracadouro – foi construída em madeira para o desembarque do imperador Dom Pedro II e sua comitiva em 1860, embora não se saiba se de fato o imperador a utilizou, na administração do engenheiro Manuel da Cunha Galvão. Em 1867, sob a presidência de José Pereira da Silva Moraes, a ponte, que se encontrava em mau estado de conservação, passou por uma reforma com o objetivo de deixá-la com acabamento em ferro”, esclarece.

Após a primeira reforma, a próxima só veio a ocorrer em 1904. O presidente do Estado, Josino Menezes, encomendou a construção da ponte metálica. Outras reformas vieram a acontecer, conforme relatado pelo professor doutor do curso de História da Unit.

“Foi encomendada a construção de uma ponte metálica através do engenheiro Heráclito de Faria Lima, por meio da Casa Henry Rogers, da Inglaterra. Em 1919, com novo pensamento urbanístico e com a preocupação de aproveitar a velha estrutura da ponte, Hugo Bozzi ganhou o concurso para construção da ponte, que tinha agora um aspecto de monumento celebrativo ao Centenário de Emancipação Política de Sergipe. Hoje chamada de Ponte do Imperador, a plataforma de desembarque passou por diversas reformas assim como por mudanças de nome que iam de acordo com o regime político de cada época”, acentua.

Tombamento

Em 2013, a Ponte do Imperador D Pedro II foi tombada a nível estadual, pelo Decreto nº 29.556/13. Para o professor Dr. Rony Silva, o tombamento em nível estadual assegura a necessidade de um cuidado especial. Mas, é preciso ir além.  “Quase sempre desejamos demolir o “velho” em detrimento do “novo”. É fácil perceber isso no “ar” degradado e desolador dos centros das grandes cidades e, no caso do município de Aracaju, essa realidade não destoa. Nesse contexto, a ponte do imperador necessita de um cuidado especial, o que inclui a iniciativa do tombamento em nível estadual”, conclui.

Apesar do valor histórico e arquitetônico, a ponte não chegou a ser tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para o professor, a política do Patrimônio Cultural Material (PPCM), do Iphan, se assenta no princípio da responsabilidade compartilhada.

“Especialmente no Capítulo I: “IV. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios proteger o patrimônio cultural material”. Nesse contexto, a Ponte do Imperador D Pedro II não está entre os monumentos e espaços públicos tombados pelo Iphan. Com isso, o tombamento apenas em nível estadual fragiliza administrativamente e politicamente as possibilidades de preservação”, enfatiza.

O caminho defendido pelo professor para a plena preservação da Ponte D Pedro II, e demais construções históricas, é a “construção coletiva de uma mentalidade preservacionista” pelos brasileiros. Essa pode ser uma via para a preservação e valorização da história e do seu patrimônio material. 

 

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