A iniciação na pesquisa científica pode pavimentar o caminho para o intercâmbio no exterior. Foi o que aconteceu com a pesquisadora Rayssa Costa Araújo, egressa do curso de Biomedicina da Universidade Tiradentes (Unit). Em seu último ano de curso, no semestre 2024-1, ela fez mobilidade acadêmica na Universidade de Évora, em Portugal. O modelo de intercâmbio permite que algumas disciplinas da grade curricular do curso na universidade de origem sejam cursadas na instituição parceira.
Rayssa já estava engajada em um projeto de iniciação científica, associado ao a uma dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação de Biotecnologia Industrial (PBI). Ela conta que, na ocasião, foi incentivada por sua professora e orientadora, Patrícia Severino, a participar do processo seletivo para o Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional (ProMAI), promovido pela Gerência de Relações Internacionais (GRI). “Me preparei para a experiência reunindo os documentos necessários e conversando bastante com minha família, amigos, o pessoal da internacionalização e a professora, para poder escolher a universidade, para trocar dicas e para me ajustar às mudanças que teria comigo fora do país”, lembra.
Após ser aprovada, a próxima etapa foi a escolha da universidade e os preparativos para a temporada de estudos. Essa escolha recaiu sobre a Universidade de Évora, instituição fundada em 1559 pela Igreja Católica, fechada em 1759 e reaberta em 1973 como universidade pública. Atualmente, ela está conceituada entre as 15 melhores instituições de ensino superior de Portugal. O curso equivalente ao de Biomedicina foi o de Ciências Biomédicas e da Saúde, vinculado à Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano (ESDH) da instituição lusa.
“Eu a escolhi porque era em Portugal, o país de escolha por conta da língua, e pelas matérias que poderia pegar. A universidade ofereceu oportunidades diferentes do que eu teria aqui, como as matérias com experimentos novos para mim. Na formação acadêmica, ela me permitiu realizar aulas práticas diferentes do que eu já tinha feito, além de poder ter contato com professores incríveis que agregaram conhecimento na área da saúde”, resume Rayssa.
Ao todo, a aluna passou quatro meses e 16 dias em Évora, que é uma das cidades mais antigas do país. Fundada por volta de 1166, ela é chamada de “Cidade-Museu” e possui vestígios de ocupação desde a pré-história, tendo vivido sua época de ouro no século XV, quando serviu de residência aos antigos reis portugueses. Hoje, é a principal cidade da região do Alentejo (sudoeste do país) e tem mais de 53 mil habitantes.
“A cidade, apesar de ser universitária, era tranquila e aconchegante. A minha relação com o país foi tranquila e surpreendente. O mais complicado foi o sotaque e as palavras diferentes, e isso dificultava a comunicação com professores e colegas”, conta ela, referindo-se às diferenças entre expressões e significados das palavras faladas em Portugal e no Brasil. Alguns exemplos: rotunda (rotatória), telemóvel (celular), autocarro (ônibus), comboio (trem), casa de banho (banheiro), bicha (fila), prego (bife no pão) e fixe (legal).
Aprendizados
Para a egressa, o maior aprendizado que ela teve durante o intercâmbio foi como lidar com mudanças, com pessoas diversas e com línguas diferentes. “Claro que no começo é difícil se acostumar com todas as mudanças (clima, fuso horário, comida, rotina, pessoas…), mas com o passar do tempo fiz amizades, viajei bastante, conheci pessoas de outros lugares, experimentei comidas novas e ainda pude treinar meu inglês”, afirmou, destacando a importância do apoio prestado pela equipe da GRI. “A equipe da internacionalização nos orientou e deu suporte do início da seleção ao fim do intercâmbio. Sempre muito gentis e à disposição para tirar as dúvidas”, elogiou.
Na Unit, Rayssa concluiu a graduação em Biomedicina no semestre 2025-1 e, em agosto deste ano, começou a fazer o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Biociências e Saúde, onde pretende também cursar o doutorado e atuar em mais pesquisas científicas, especialmente nas áreas de saúde, tratamentos e diagnósticos moleculares de câncer. Uma delas, sobre o desenvolvimento de membranas layer-by layer incorporadas com azul de metileno como terapia fotodinâmica para lesões de pele infectadas, é uma continuidade dos estudos que começou na iniciação científica.
A egressa destaca a importância da contribuição dada pela Unit na construção de sua carreira acadêmica, através das participações em palestras, programas, minicursos e eventos como as jornadas Farmacêutica e de Biomedicina (ambas da Unit) e o Desafio Unicamp, promovido nacionalmente pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp/SP). E entre os elementos mais importantes desta contribuição, ela considera a mobilidade acadêmica. “O ProMAI permite que os alunos tenham uma experiência diferente e que não é tão fácil de se ter. Ele me permitiu viver um intercâmbio incrível, que rendeu bons amigos e lembranças maravilhosas”, concluiu Rayssa.
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