V E S T I B U L A R UNIT
MENU

Sequelas da Covid-19 atingem cerca de 20% dos pacientes

Mesmo após superar a Covid, quem sofre com as sequelas da doença precisa de acompanhamento médico e tratamento multidisciplinar

às 19h44
Cientistas e pesquisadores já começaram a identificar as sequelas mais comuns da Covid-19, que atinge principalmente os pulmões (Ingrid Anne/Semsa-Prefeitura de Manaus)
Cientistas e pesquisadores já começaram a identificar as sequelas mais comuns da Covid-19, que atinge principalmente os pulmões (Ingrid Anne/Semsa-Prefeitura de Manaus)
O médico pneumologista Saulo Maia d’Avila Melo, professor titular do curso de Medicina da Unit Sergipe
Compartilhe:

A Covid-19 é provocada por um vírus sistêmico, ou seja, um vírus com capacidade de afetar todos os órgãos do corpo humano, embora tenha preferência pelos pulmões. De acordo com o Painel Coronavírus, o Brasil teve quase 22 milhões de pacientes recuperados até o dia 12 de dezembro, mas muitos deles ainda estão convivendo com as sequelas da doença. Chamada de Síndrome de Pós-covid-19 ou de Sequelas Agudas do Pós-covid, os sintomas costumam persistir mesmo após 90 dias da alta. De acordo com pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz  (Fiocruz), cerca de 80% dos infectados acabam convivendo com algum sintoma persistente da doença.

Com diversos relatos e sintomas para uma doença relativamente nova, os cientistas e pesquisadores já começaram a identificar as sequelas mais comuns. Para o pneumologista Saulo Maia d’Avila Melo, professor titular do curso de Medicina da Universidade Tiradentes (Unit Sergipe), os sintomas persistentes que mais aparecem são alterações no olfato e paladar, irritação da garganta com pigarro e tosse seca. “O mais prevalente e que mais incomoda o doente é a fadiga, ou astenia, doença que acomete os músculos e dá fraqueza no corpo e indisposição. É comum o paciente não ter coragem para fazer suas atividades do dia a dia e físicas, a isso chamamos fadiga crônica”, destaca.

De acordo com a Academia Nacional de Medicina (ANM), cerca de 20% dos pacientes que tiveram Covid-19 e passaram semanas internados, desenvolvem alguma sequela persistente. “Do ponto de vista pulmonar, as principais sequelas podem ser cicatrizes no pulmão causadas pela fibrose, que é o endurecimento do pulmão; e doenças tromboembólicas, popularmente chamadas de embolia pulmonar, que provocam a formação de coágulos no sangue que seguem para os pulmões e obstruem os vasos. Da sintomatologia, a principal sequela é a falta de ar aos pequenos e médios esforços e até, muitos deles, com falta de ar em repouso. A ventilação mecânica também é outro fator que pode agravar a esses pacientes”, comenta Saulo, que é especialista em pneumologia, terapia intensiva e clínica médica pela Associação Médica Brasileira (AMB). 

O tratamento que exige mais atenção é voltado para aqueles pacientes que têm Covid longo há mais de 90 dias. “Do ponto de vista pulmonar, em pacientes que tiveram covid leve é importante estar atento ao pulmão e à doença tromboembólica, já a fibrose no pulmão não é comum nesses pacientes. Em casos moderados ou graves, o que preocupa mesmo são aqueles pacientes que ficaram intubados ou em ventilação mecânica e a duração desse período, porque as chances de desenvolver fibrose no pulmão aumentam e o tratamento vai ser individualizado. Em relação à parte de trombose pulmonar, existem medicamentos que dissolvem o coágulo inicialmente, no hospital, se usa heparina subcutânea, mas quando o paciente vai para casa, os coagulantes orais resolvem. Já o processo de recuperação da fibrose envolve atividades físicas e fisioterapia”, explica o professor.

Na mente

Maia destaca que, muitos pacientes, além de lidar com os sintomas físicos, precisam lidar com a ansiedade e/ou depressão que foram agravados por conta da Covid-19. “A Covid-19 pode afetar o sistema nervoso e psíquico dos pacientes. Por isso, se esses pacientes têm uma doença pulmonar prévia, esses sintomas e doenças podem se agravar ainda mais”, reitera, destacando que, no caso dos pacientes que tiveram cuidado maior em casa, que não precisaram tomar oxigênio ou irem para o hospital, estes praticamente não tiveram nenhuma sequela física, mas foram afetados psicologicamente.

No entanto, as sequelas não apresentam prazo de validade, uma vez que os estudos ainda são recentes, tornando-as um desafio para profissionais das áreas mais diversas da saúde. Essa pluralidade faz com que, em muitos casos, o atendimento seja multidisciplinar. “O tratamento é multidisciplinar e envolve a participação importante de fisioterapeutas, nutricionistas, profissionais de educação física, pois as atividades físicas auxiliarão os pacientes a se recuperarem, do ponto de vista pulmonar. Além de psicólogos, psiquiatras e cardiologistas, pois os pacientes também podem ter sequelas cardiológicas, como miocardite, e até otorrinos podem participar dessa equipe multitarefa”, conclui.

Asscom | Grupo Tiradentes

Compartilhe: