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Startup Aqualuffa é fruto de pesquisa no PEP e promove sustentabilidade

A startup tem como principal foco a criação de um produto para descontaminação sustentável de águas oleosas por meio da reação de fotocatálise.

às 14h55
Professora doutora, Silvia Egues
Pesquisadora e pós-doutoranda, Mychelli Andrade
Doutor em Engenharia de Processos e pesquisador no ITP, Denisson Santos
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Composta pelos egressos do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Processos (PEP) da Universidade Tiradentes (Unit), Denisson Santos e Mychelli Andrade Santos, e pela professora doutora do PEP, Sílvia Egues, a startup sergipana Aqualuffa promove sustentabilidade e consumo consciente, oferecendo soluções para conviver com as mudanças climáticas e reduzir o impacto.

Financiada inicialmente pelo Programa Centelha Sergipe, que estimula a criação de empreendimentos inovadores e disseminação da cultura empreendedora no país, promovido em Sergipe pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE) a empresa teve início a partir de um estudo de catalisadores da professora doutora Silvia Egues.

“Não sei exatamente como, mas poucos anos após ter começado a trabalhar na Unit me surgiu o interesse de estudar os catalisadores. Isso aconteceu porque já estava estudando formas de fixar esses pózinhos em um lugar que eu pudesse pegar esse material para fazer a reação ou sorção e remover com facilidade”, conta.

De acordo com Sílvia, embora a ideia seja relativamente simples, a execução nem tanto. “Fixar esses pózinhos em uma matriz tridimensional fixa é a parte difícil da pesquisa, porque se o material não fixar o pó, vai causar outro tipo de poluição. É uma tarefa que tem a sua ciência exata. Então, começamos a trabalhar com alguns suportes. Dentre eles, o que nos chamou atenção foi a luffa, que é uma esponja vegetal que serve para limpeza, higiene pessoal, suporte para plantas e outras funções. O material dela é de fácil manipulação, o que a torna um produto barato, que não precisa de muitas tecnologias para o produto final chegar ao mercado”, explica.

A pós-doutoranda pelo projeto nacional Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias (INCT) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mychelli Andrade Santos, se interessou pela pesquisa ainda no mestrado. Ela conta que estudava um polímero para a fixação do pó para colar na fibra do filtro de poliéster que serviria para remoção de compostos poluentes na água, com corantes e pesticidas.

“Existe uma necessidade de separação de óleo em água. Seja por poluição, processamento de indústria petrolífera ou indústria metalmecânica que usam água e óleo para fazer cortes. No mestrado iniciei o estudo da separação por meio de um filtro, e no doutorado resolvi investir na bucha vegetal como filtro de suporte dos canalizadores para o estudo da remoção de óleo e água. No doutorado, tive pouco tempo para desenvolver em larga escala, mas comecei os testes para apresentar os resultados as empresas interessadas”, comenta. 

Nesse meio tempo, a startaup Aqualuffa foi criada. “Em 2019, por meio do Centelha, conseguimos impulsionar a pesquisa e a empresa. Mas devido a pandemia o projeto ficou parado. Em 2021, quando voltamos ao laboratório, tivemos a oportunidade de continuar a pesquisa e iniciar a fase de teste em larga escala. Agora o que precisamos é de investimento para apresentar os resultados dos testes. Já temos duas empresas interessadas. A Cesar, que é uma grande empresa na América Latina que produz materiais metálicos e a C.A.L. Embalagens”, destaca.

Políticas públicas

No último mês, o vereador de Aracaju, Breno Garibalde, visitou laboratórios do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), sediado no campus Farolândia, onde ocorrem as pesquisas da startup. Mycheli ressalta a importância de políticas públicas municipais de incentivo à pesquisa.

“Quando vi uma publicação no Instagram do vereador Breno Garibalde falando em buscar parcerias para melhorar o tratamento do Rio Poxim. logo mostrei para a professora Silvia que já o conhecia e fizemos o convite para que ele pudesse nos visitar e conhecer a Aqualuffa. A visita foi muito interessante. Acredito que ele apresentando nosso trabalho para a população teremos mais reconhecimento e mais pessoas interessadas no nosso trabalho, no nosso produto. Essa divulgação é muito importante para atrair pessoas interessadas no nosso produto. Acredito que com investimentos, em pouco tempo o produto estará no mercado”, frisa.

O corresponsável pela gestão do projeto, o doutor em Engenharia de Processos pela Unit e pesquisador no ITP, Denisson Santos, destaca que os planos de ações para apresentar o produto a possíveis investidores estão sendo definidos. “Estamos na etapa de desenvolver a escalabilidade e manter a eficiência quando aumentarmos para escala de indústria. Após concluirmos isso iremos apresentar o produto para o mercado”, conclui. 

Startup Aqualuffa

A startup sergipana, proveniente do Programa Centelha Sergipe e Catalisa ICT tem a missão de gerar um impacto positivo nos negócios dos seus clientes. Seu principal produto consiste na descontaminação sustentável de águas oleosas, realizando esse processo por meio da sorção do óleo e da degradação dos contaminantes oleosos através da reação de fotocatálise. 

Essa inovação se destaca no mercado, já que ainda não existe um produto que ofereça tanto a descontaminação quanto a degradação eficaz de contaminantes oleosos. Como resultado, a Aqualuffa atende a uma ampla variedade de clientes, incluindo produtoras e transportadoras de petróleo, bem como indústrias que utilizam óleo em seus processos produtivos, como aquelas relacionadas à produção de materiais metálicos. 

Em 2022, a empresa passou por aceleração através dos editais Ciclo 2022 do BanriTech e Startup Nordeste – Pernambuco. Adicionalmente, recebeu o Selo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Prêmio de Boas Práticas 2022,  reconhecendo seu comprometimento e desempenho na promoção dos ODS em Sergipe. Além disso, a Aqualuffa está buscando ampliar seu portfólio ao promover a certificação B via Sistema B Brasil para empresas nas regiões Nordeste e Norte do país. Nessas regiões, os princípios B, alinhados à agenda 2030 da ONU, ainda são pouco difundidos. 

Devido ao seu impacto positivo e engajamento com os ODS da ONU, a startup foi convidada para integrar a delegação brasileira na 27ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27). Vale ressaltar que a Aqualuffa é a empresa-âncora do HUB XINGÓ DE INOVAÇÃO, que tem como vocação impulsionar ideias e negócios alinhados com os ODS.

Leia mais: Startup criada por egressos da Unit integra COP27

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