Os Tototós são embarcações tradicionais de madeira, movidas por motor de popa, que ganharam esse nome pelo som característico produzido durante a navegação. Surgiram no final da década de 1940 como solução prática e acessível para ligar a cidade de Aracaju à Barra dos Coqueiros e a outras comunidades ribeirinhas. Durante décadas, foram o principal meio de transporte de trabalhadores, estudantes e moradores, marcando presença não apenas no deslocamento, mas também na construção de laços culturais e no fortalecimento econômico das comunidades.
Construído artesanalmente, feito de casco de madeira, com cerca de 15 metros de comprimento e 3 metros de largura, os Tototós exigem manutenção constante e fiscalização para garantir segurança. Com a construção da ponte Aracaju–Barra, em 2016, perderam espaço como transporte regular, mas continuam ativos em menor número, principalmente em roteiros turísticos e eventos culturais. De acordo com o professor da Universidade Tiradentes (Unit) Rony Silva, os Tototós carregam um valor que vai além da função de transporte.
“O Tototó é considerado um símbolo da cultura sergipana por carregar memórias afetivas, representar a simplicidade da vida ribeirinha e servir de palco para tradições, como as procissões fluviais e as “barqueatas”, que unem fé, cultura e conscientização ambiental. Atualmente, ainda há algumas dezenas de Tototós em operação, mas seus proprietários enfrentam desafios como a baixa demanda, o custo de manutenção e a falta de apoio contínuo”, destaca Rony.
O desafio de manter a tradição
Apesar de seu valor cultural, os proprietários enfrentam dificuldades para manter os Tototós ativos. O custo elevado de manutenção, a baixa demanda e a falta de apoio contínuo tornam o futuro dessas embarcações incerto. “Hoje, existem apenas algumas dezenas de Tototós em operação. Para que essa tradição não desapareça, é preciso adaptá-la às novas demandas, aproveitando seu potencial para o turismo, a educação e a valorização ambiental”, ressalta o professor.
Para preservar essa tradição, iniciativas como o projeto da Fundação Alphaville, a revitalização promovida pela Prefeitura de Aracaju e roteiros culturais como o “Arrudiar” têm buscado ressignificar o uso dessas embarcações, transformando-as em atrativos turísticos e educativos. O futuro dos Tototós depende da capacidade de adaptá-los às novas demandas, explorando seu potencial como patrimônio cultural e ferramenta de valorização ambiental.
Para Rony, a preservação dos Tototós depende também do envolvimento popular. “As pessoas podem contribuir participando de passeios, eventos culturais e apoiando políticas públicas que garantam a continuidade dessa tradição. E, principalmente, registrando e contando histórias que mantenham viva a memória dos canoeiros e o papel essencial que essas embarcações tiveram na história de Sergipe”, conclui.
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